De volta às aulas estúpidas
O problema dessas redações ‘minhas férias’ de retorno às aulas no meio do ano é que elas sempre pressupunham que você fosse abastado, que seus pais fossem do tipo que podiam tirar férias em julho e que a família, contente e unida, viajaria nesse período, proporcionando à criança experiências incríveis que ela poderia relatar com desenvoltura em agosto.
Meus pais são separados desde que eu me lembro, então nada de viagens de família à là filme da sessão da tarde. Também sempre trabalharam muito, então nada de férias em julho. Quando muito, viajava com a minha vó no meio do ano, mas isso era incomum - normalmente, com a minha vó, viajávamos nas férias de fim de ano mesmo.
Por causa disso, sempre que eu precisava escrever uma redação com o tema ‘Minhas Férias’, eu floreava a respeito do meu mês cheio de ação, no qual tinha assistido Vale a Pena Ver de Novo (e comprovado que não, não valia) e brincado com as minhas duas amigas da rua na época. Ou então eu enrolava, focando a redação no retorno às aulas, e não nas férias em si, e aproveitava pra puxar o saco da tia dizendo que estava ansiosa pra aprender mais.
Eu sempre soube bajular as pessoas certas.
De qualquer forma, é assim que me sinto (digo, fazendo redação de ‘minha férias’, e não bajulando as pessoas certas. Não que você não seja a pessoa certa para bajular… ok) falando aqui do meu retorno às aulas. A turma de VI semestre de Jornalismo da Universidade Metodista (manhã) está de volta com muito mais confusão e aventuras, agora com novas disciplinas.
Uma delas se chama Comunicação Organizacional. São duas aulas por semana, ou seja, 14 horas por mês, ou 84 horas por semestre aprendendo como fazer eventos (e eu que pensava que isso era tarefa pra RP / Marketing. Ingênua).
Ok, fica claro que a Metodista incluiu essa disciplina na nossa grade para atender a uma crescente demanda por jornalistas em comunicação interna e em marketing. Também fica claro que essa demanda cresceu porque jornalista pode fazer tudo igual ou melhor os marketeiros / RPs e ganha menos por isso. Mas o que não fica claro pra mim é porquê eu sou obrigada a fazer essa matéria.
Sei que é importante saber um pouco de tudo. Esse conhecimento já me foi cobrado em algumas entrevistas de emprego e, profissionalmente mesmo, eu nunca sei quando vou precisar saber coisas dessa área. Mas é que, em ‘Comunicação Organizacional’, o conhecimento que eu tô adquirindo é outro. Explico.
A professora é super divertida! Ela conhece muitas histórias engraçadas envolvendo eventos.
E a aula é basicamente baseada nesse conhecimento sobre situações engraçadas. Ela conta essas super histórias, e vira um número de stand-up com texto sobre eventos de todos os tipos e as situações inusitadas geradas por eles. E tem a história dos russos que morreram afogados em Salvador, a da modelo que não conseguia dormir e precisava dois baseados pra relaxar, a do estagiário que deu o paletó pro presidente da empresa segurar… adorei.
Tomara que no fim do curso eu esteja super boa em montar textos de comédia stand-up. Quem sabe eu não me apresento com o Nigel um dia desses?
Outra coisa que eu não entendo nesses projetos acadêmicos de comunicação/marketing/PP são aquelas simulações de lançamento de produtos. O professor sempre te dá um produto estúpido, o mais improvável, e quer que você seja o grande mestre da criatividade do universo e crie uma super campanha, um evento bombante e todo o resto.
Vou tomar como exemplo o meu produto, uma urna funerária. CARA! Quando, na vida real, uma empresa de urnas funerárias irá promover um evento para lançar esse tipo produto? Isso não existe. E divulgação? Qual é, não existe o que inventar nisso, não há onde ser criativo. As opções são restritas: provavelmente catálogos de funerárias e coisas assim.
A mulher quer o quê? Que eu insira meu anúncio de urna funerária nas páginas centrais da Veja? Que eu encontre uma publicação específica para o público da urna e (ou seja, TODO MUNDO QUE MORRE?) desenvolva um anúncio LEGAL sobre uma urna funerária? Que tipo de anúncio é adequado a uma urna funerária? O garoto propaganda deveria ser o Zé-do-Caixão (HÁ!)?
Foto: André Sigwalt/Divulgação
Urnas FUNerárias - você nunca imaginou que morrer podia ser tão divertido!
A única escapatória não-tragicômica seria vender as urnas como belíssimos objetos ornamentais naqueles programas de leilões bizarros que passam em canais esquisitos depois da meia-noite (aqueles que vendem anéis e quadros). Afinal, pra comprar uma urna funerária ornamental pela tevê, só sendo mesmo alguém esquisito o suficiente pra assistir a esses canais depois da meia-noite.
Ou então colocar no Mercado Livre, né.
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Vou trabalhar este mês em um horário diferente e por uns 25 dias seguidos, sem folga. Vou cobrir as Olimpíadas. Não em Pequim, claro. Sou estagiária, fico em São Paulo mesmo. Mas é legal dizer que você vão poder conferir aqui, também, uma cobertura especial dos Jogos Olímpicos. Como vou estar por dentro de tudo, vou selecionar o mais bizarro dos Jogos de Pequim e trazer pra cá. Ah, esperem também um provável aumento (temporário) no intervalo de atualizações. Tentarei manter a peridiocidade diária, mas se estiver muito muito cansada, vou primar pela minha saúde.


August 7th, 2008 at 10:11 am
Gostei do Slogan!!!
E com ctz, primeiro sua saúde, pequenina.
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August 8th, 2008 at 2:04 am
Ana,
Comento e lembro que vc faz falta na nossa turma noturna. A professora da noite é a mesma e super engraçada mesmo! Faz o tipo cafetina institucional.
Eu gosto da matéria (gostos são gostos). E o meu grupo tbm pegou a urna funerária. Eu sugeri urnas com sensores de movimento interno e alarme pra avisar que o morto não morreu. Ou para piadistas, uma urna com uma mola para o presunto levantar no meio do velório numa vibe toda pegadinha do malandro!
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August 12th, 2008 at 10:47 pm
Viajei no tempo! Tá, não faz tanto tempo assim, vá lá… 1994. Tive a mesma aula com a mesma professora. Imagino que você deve sentir tanto sono quanto eu sentia. Coragem!!!! Ao menos o produto é divertido.
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September 24th, 2008 at 6:04 am
Eu me pergunto todas as terças e quintas pra que diabos serve ficar ouvindo um professor monótono, contar cases (ahhhhh eu odeio essa palavra !) chatos e ainda por cima coçar o maldito saco de 5 em 5 minutos?
Pow, além de ser uma matéria massante, ser obrigada a vê-la duas vezes na semana é muito cruel para minha mente pequena e alienada (Sim, pq o bendito professor diz que quem não estiver inserido no meio institucional se tornará um reles jornalistazinho de páginas policiais de jornal de bairro).
Agora eu gostaria mesmo é que me explicassem por que diabos não temos mais aulas de Português e Sociologia em nossa grade curricular?
Eu presumo que um bom jornalista precisa, acima de tudo, escrever bem e ter senso crítico apurado, e isso inclui saber muito sobre o comportamento da sociedade em que vive e nas coisas que estão por trás daquilo que vemos todo dia ai pelos grandes veículos de comunicação.
Eu sei que hoje em dia a função de uma faculdade/universidade é despertar o interesse e fazer o aluno buscar informações fora da sala de aula, mas será que é pedir muito que eles nos brindem com um pouco mais de CONHECIMENTO, em detrimento das histórinhas contadas sobre fatos acontecidos no mundo empresarial?
Blah, eu detesto Comunicação Organizacional !
Plano de Endomarketing é o kct, eu quero mesmo é me informar, informar e transformar!
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