
Ei, vocês aí embaixo? Otários!
Acompanhar a eleição americana um pouco mais de perto surpreende. Você chega, olha os resultados das pesquisas e não entende como os candidatos podem estar empatados. Afinal, daqui do Brasil a gente só vê Obama. Os jornalistas amam o Obama, e lá nos EUA também, com a imprensa tradicionalmente republicana. Obama é jovem e carismático. Além disso, tem o nome parecido com o de Osama (o Bin Laden) e é negro.
No início, eu já gostava do cara pela ironia da coisa e pelo conceito revolucionário: o primeiro presidente negro dos EUA, país com especial histórico de repressão aos negros, com Klu Klux Klan, os guetos, as guerras entre brancos e negros nas ruas, o assassinato de Martin Luther King. Aqui no Brasil, como os jornais só nos trazem Obama, é Obama quem temos.
Mas Obama não tá nem aí para nós, não. E disso ninguém fala. Obama não quer ter nada a ver com a parte de baixo da América. Obama apóia parcerias comerciais dos EUA com a Europa. Ele nem menciona os países da América Latina na parte de ‘política internacional’ dos debates.
Mas ele tem planos para a América Latina, sim. E eles envolvem não apoiar nossa produção de etanol e consideram a Amazônia um recurso global.
Em maio deste ano, quando ainda era pré-candidato, Obama propôs um plano para o continente que chamou de ‘Nova parceria para as américas’. A proposta é ‘reestabelecer a liderança americana no hemisfério’. O texto tem uma parte dedicada ao Brasil, que foi traduzida pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, publicado no Terra Magazine na ocasião, e pode ser encontrado na íntegra aqui (ou aqui em inglês), já que o blog do Azenha não está mais no Terra. Vou reproduzir alguns trechos:
O caso do Brasil: O Brasil é um exemplo do grande potencial das energias renováveis na América Latina, além dos riscos que devem ser evitados. (…) A região da Amazônia, um importante recurso global na batalha contra o aquecimento do planeta, cobre quase 60% do Brasil. Perdeu 20% da floresta - 1,6 milhão de milhas quadradas - para o desenvolvimento, a exploração da madeira e a agricultura. (…) Os produtores domésticos de etanol nos Estados Unidos se preocupam com razão com a competição do Brasil, que é o maior exportador de etanol do mundo. (…) Barack Obama quer expandir a produção de energia renovável por toda a América Latina de forma a que ao mesmo tempo promova a auto-suficiência e a criação de mercados para os fabricantes americanos de energia verde e de biocombustíveis.
Deu para entender a idéia? Barack Obama não quer etanol brasileiro. Ele acredita que estimular a produção de etanol pode estimular a plantação de cana na Amazônia, desmatando florestas que ele considera ‘recurso global’ no combate ao aquecimento. ‘Recurso Global’ é estranho, um pouco megalomaníaco.
Então, se Obama for eleito, esqueçam as promessas de que o Brasil é o paraíso futuro do etanol. Ele quer dar incentivos à produção americana desse combustível e torná-los auto-suficientes.
A moral: Obama é fofo, alegre, sorridente, tem carisma e uma série de outras coisas que fazem ser quase irresístivel não votar nele (no nosso caso, torcer por ele). Parece ser o tipo de cara que vai fazer as coisas mudarem. E ele vai, mas não para nós.
E McCain, apesar de feioso, esquisito, meio velho, de ter braços curtos e de ter uma vice lamentável, tem propostas de política externa muito mais compatíveis com os interesses do Brasil.
Se nada disso te convenceu, no vídeo abaixo Obama mostra quão importante a América Latina é para ele:
(Colaborou indiretamente Gabriel Pinheiro)
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Tags: amazônia, américa latina, barack obama, democratas, eleições americanas, eua, john mccain, latin american partnership, republicanos




Ana Freitas Reply:
October 27th, 2008 at 5:00 pm
Não precisa de desculpar… aqui todo mundo pode dar opinião se não usar palavrão. =)
Cara, eu nem voto no Kassab, como eu disse - eu nem voto em SP. Sou de esquerda mas acho que política por si só é mais complexo do que sua orientação.
Só queria dizer que a idéia não é fazer análise profunda, ok? Não acho que falei nenhuma mentira aqui - e não falei, mesmo - e a intenção é informar leigos, como as pessoas que vêm aqui pra ler sobre cultura pop e música e outras besteiras.
De qualquer forma, não sou jornalista, sou estudante… acho que o processo de aprendizado é esse, né? E feedbacks como o seu são necessários.
Obrigada =)
Responder
Anselmo Câmara Reply:
October 28th, 2008 at 5:37 pm
Me desculpe a autora por esta pequena provocação vinda de Portugal. Mas, citando ” Não acho que falei nenhuma mentira aqui - e não falei, mesmo”, é impor a sua opinião aos “leigos” e não dar que pensar a muita gente. O raciocino está legal, mas carece de algum estudo aprofundado. É certo que a Amazónia é o “el dorado” dos tempos modernos, mas cabe ao Povo brasileiro se defender de ataques exteriores com o poder de voto que têm. De resto - e tentando ser o mais objetivo possível - penso que Obama é o candidato mais credivel e solido em muitos anos de eleições na América. Bom trabalho e bem haja a todo o mundo que comenta aqui.
Responder
wellington Reply:
October 28th, 2008 at 9:39 pm
NUNCA, NUNCA mais NUNCA mesmo se atreva a falar sobre um assunto do qual não tenha conhecimento(NO caso Política)
Te aconselho a assistir alguns filmes do diretor Michael Moore pra te interar melhor sobre a política estadunidense.
Boa sorte e bons estudos
Responder
Ana Freitas Reply:
October 28th, 2008 at 9:40 pm
!
Alguns te diriam que assistir Michael Moore teria efeito justamente contrário.
Mas qualquer coisa aceita como verdade absoluta é prejudicial, né. Até Michael Moore.
Já vi todos os filmes dele, obrigada. E li os livros, também.
Você só não explicou porque eu estaria tão errada…
Responder