05.08

2009
5:47 am

Sobre o destino e cocô de pombo

Postado em Brasil, Crônicas, Entretenimento, Há mais entre o céu...

Você acredita em destino? Acredita que o universo arranja as coisas para que você esteja na hora certa, no lugar certo para que as coisas aconteçam (ou não) com você?

Se você assiste Lost, pode ser que seja um believer. Uma pessoa que, como eu, acredita que os planetas podem se alinhar e coisas estranhas podem acontecer, e que nenhuma delas é por acaso.

Vamos ser estatisticamente diretos. Quais as chances de um cocô de pomba cair na sua cabeça? Por sua, entenda a minha. Minha cabeça.

pombo

Elas devem ser altas se você estiver, por exemplo, embaixo de uma marquise em que as pombas costumam pousar. Mas caem se você estiver embaixo de um lugar coberto. Caem mais se você estiver caminhando. Mais ainda, suponho, se estiver a três ou quatro passos da porta do trem que vai pegar.

Embora eu estivesse em condições em que, aparentemente, as chances de que uma pomba cagasse na minha cabeça fossem mínimas, eu demonstrei que sou uma garota de sorte. No breve espaço de tempo (e de plataforma) que me separava da porta aberta do trem, senti algo batendo na cabeça.

Andar na cidade e ter que lidar com o ‘algo batendo na cabeça’, como você que anda na cidade sabe, é um momento crítico. O momento entre sentir o pingo, se dar conta dele e criar coragem para levar a mão até o cabelo e olhar parece uma eternidade, especialmente porque você sabe que elas (as pombas) estão por todos os lugares, cagando sobre você quando podem. Naquele momento, porém, não tive medo. Frações de segundo antes do tiro, minha melhor amiga @gabrielahesz alertou (não a tempo, mas alertou): “Cuidado! Um pingo!”

Pois bem. Era um pingo. Se era um pingo, eu não precisava me preocupar – bastava entrar no trem, encontrar um lugar, sentar-me e então ver se tinha molhado meu cabelo ou coisa assim. Mas quando o fiz, eis que tive uma desagradável e inesperada surpresa.

Fez coco

Não era um pingo comum. Quando olhei minha mão, ela estava – desculpe ser tão descritiva – suja com um negócio verde que claramente não era um pingo, a não ser que água fosse verde, o que eu sei que não é, perspicaz que sou.

Meu caro amigo, é com tristeza que lhe digo que o momento em que você se dá conta que se fudeu é desses únicos. Mas eu sou prática, sou alegre, tenho desenvoltura. Enquanto minha amiga @gabrielahesz chorava de rir da minha situação deprimente, eu sugeri que ela pegasse a toalha na minha bolsa (VIU PORQUE A GENTE SEMPRE PRECISA DE UMA TOALHA NA BOLSA MEU DEUS) e tentasse me ajudar a limpar… a merda.

Não vou nem mencionar a sorte de estar acompanhada, e mais, por alguém que me limpasse sem reclamar, exigindo em troca apenas a chance de rir descontroladamente da minha cara. Terminado o asseio, @gabrielahesz me informou que a situação estava sob controle. Eu havia tomado apenas um tiro de raspão, e a toalha tinha feito um bom trabalho. Naquele momento, meu cabelo parecia apenas ensebado.

Já tendo enfrentado o pior, antes de respirar aliviada, sugeri – até agora não sei se por sorte ou não – que a prestativa @gabrielahesz desse uma olhada no lado esquerdo da minha blusa, já que a toca poderia estar tampando algum respingo maroto ou algo assim. Me inclinei e, certa de que estaria tudo bem, soltei a respiração. Até que ouvi o grito de @gabrielahesz, que disse algo mais ou menos assim, antes de cair em prantos provocados por uma alegria descontrolada – AH MEU DEUS TEM MUITA MERDA

Eu visualizei uma piscina de cocô de pombo dentro da toquinha da minha blusa. @gabrielahesz não se controlava, e a enquanto tentava em vão usar a toalhinha para minimizar o dano, murmurava desesperada AH MEU DEUS NÃO TÁ SAINDO, TEM MUITA MERDA AQUI, enquanto eu procurava me manter calma.

Esqueci de mencionar que o vagão estava cheio.

Mas isso, no fim, não foi algo ruim. Uma senhora na nossa frente se solidarizou e forneceu lencinhos umedecidos, que por hora tiraram ao menos o que era visível da minha cabeça. Outra moça deu um saquinho plástico pra jogar a toalhinha inutilizada.

Eu cheguei em casa e tomei um banho. A @gabrielahesz ficou dizendo que era sorte, mas eu não vi sorte nenhuma – desde então, só tive stress e dor de cabeça. Até já achei a causa – deve ser criptococose, doença causada por um fungo no cocô de pombo e que dá dor de cabeça crônica. O nome é apropriado.

Aprendi várias coisas nesse dia. A primeira delas é que você nunca está a salvo de merda de pombo, mesmo se estiver andando dentro de uma estação de trem coberta. A segunda é que cocô de pombo não fede. A terceira, não menos importante, é que as pessoas podem ser solidárias ainda nesses dias frios e individualistas. A quarta é que quando algo é pra acontecer, acontece – eu estava voltando de uma confraternização com meu grande parceiro de olhos claros, o Alex, do Move That Jukebox!, carioca que passava por São Paulo, e seu truta Marçal Righi. Tinha marcado com eles às 14h, eles chegaram às 17h. Se Alex tivesse chegado no horário, aquela pomba jamais teria cagado na minha cabeça e eu não teria um post pra hoje. EVERYTHING HAPPENS FOR A REASON

mtj
Eu, Alex (@movethatjukebox) me segurando pelo braço numa tentativa vã de me atrasar para o tiro do pombo, Marçal (@marcall), Gabi (@gabrielahesz), Zorzo (sem Twitter) e Kelly, suja única coisa que sei sobre é o nome

Mas o mais importante: aprendi que, quando você resolve tatuar na nuca algo que é muito parecido com um alvo, deve aguentar as consequências.

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28 comentários (Comente! Trackback)

  1. Marina
    05/08/09 | 11:01 am |#

    rsrsrs Desculpe, mas é muito engraçado. É ruim, mas depois que passa é engraçado, ontro dia aconteceu comigo também, mas foi um passarinho, e eu ainda tinha que ir trabalhar e tive que esperar até o almoço prá tomar banho. Mas o bom da história é você ter descoberto a solidariedade das pessoas que te ajudaram. Mas vou falar, você deu sorte com força heim? Um pombo com diaréia? Ou esse nome doido aí.rs Bom na linguagem teatral merda é sorte, então você pode se considerar uma garota de muita sorte mesmo. Beijo

    Responder

    @Deldebbio Reply:

    Podia ser pior,
    Ainda bem que elefantes não voam!

    Responder

  1. Bob
    05/08/09 | 12:03 pm |#

    Sim, minha cara, cocô de pomba fede…. falo isso porque trabalho num depósito que é um reduto desses ratos com asas. Felizmente sempre consegui me esquivar dos tiros aqui, mas sei que mais cedo ou mais tarde essa hora vai chegar.

    As vezes, andando pelo depósito, chego a imaginar a diarreia que esses pombos daqui devem ter pra fazer tanta sujeira.

    Responder

  1. Bob
    05/08/09 | 12:06 pm |#

    Uma ressalva… cocô de pomba fede só depois que endurece e quendo têm verios juntos.. =]

    Responder

  1. Lannes
    05/08/09 | 12:20 pm |#

    Comigo foi na fila pra entrar no barco pra ir pra estatua da liberdade. Domingo de sol, sabe como é. E foi na perna…milimetros abaixo do shorts.
    Nao, meu namorado nao me zoa até hoje por causa disso.

    E de sorte nao ganhei nada, entao nao alimente as esperanças.

    Responder

  1. @gabrielahesz
    05/08/09 | 1:40 pm |#

    Em minha defesa:
    a) eu tentei avisar.
    b) poucas pessoas enfrentariam esse problema com a bravura que eu demonstrei.

    Responder

    Ana Freitas Reply:

    a) eu escrevi isso
    b) eu tbm escrevi isso, mas caso não tenha ficado claro – SIM, ELA FOI MUITO CORAJOSA

    Responder

    @gabrielahesz Reply:

    a) eu sei, só quis reforçar o meu lado.
    b) obrigada por reconhecer meu esforço
    =*

    Responder

  1. CARLA
    05/08/09 | 2:00 pm |#

    Esse final de semana eu consegui ser atingida DUAS vezes por pombas. Uma conseguiu atingir algo diferente da minha cabeça ( que já tava mto manjada) pra me deixar mais puta da vida : meu copo de cerveja.

    E não… não me trouxe mais sorte… e nem mais cerveja!

    Responder

  1. Felicia Isabella
    05/08/09 | 2:21 pm |#

    Awn Ana, chorei de rir com o post!

    huahuahuahuahua estava com o Marcos quando fiquei sabendo do incidente.
    já aconteceu comigo também, mas eu estava num barco, de férias pelo nordeste a alguns anos atraz e a pompa(ou pássaro) era bem tratado o que possibilitou “sujar” um lado inteiro da minha cabeça. Acontece!

    bjobjo
    saudades

    Responder

  1. Camila
    05/08/09 | 2:43 pm |#

    Pois é, essas coisas acontecem…mas é mto mais engraçado quando acontece com alguém e não com a gente!

    já fui trabalhar com a camisa branca bem suja do lado direito por causa da ‘mira’ de uma pomba..e fiz minha mãe atravessar SP para me levar uma blusa limpa no trabalho…rsrsrs

    ótimo post!

    Responder

  1. Eduardo Fachetti
    05/08/09 | 3:04 pm |#

    Fazendo uma relação com seu post anterior…

    Quem foi que adestrou esse pombo para ele segurar um livro com tamanha perfeição!?!?

    Será que também o adestrou a ler??

    Foi mal a piadinha óbvia, mas como li um este post na sequência do outro, realmente não resisti…

    Até………

    Responder

  1. Gustavo C.
    05/08/09 | 3:44 pm |#

    Eu nunca fui atingido por pombo.. já fui por garça. No zoológico. Ficou escorrido num lado da minha roupa. E tbm pensei no destino: como pude estar no lugar errado na hora errada junto com uma garça?

    Tbm me chamou atenção no post a solidariedade, não de uma, mas duas pessoas.

    Eu tenho a impressão que pombos, quando dão seus pequenos voos, SEMPRE passam por cima de alguém. Acho que treinam pra quando estiverem com a munição carregada. Ratos de asas, isso que eles são.

    Responder

  1. Alex Correa
    05/08/09 | 4:03 pm |#

    Se Alex tivesse chegado na hora certa, talvez DOIS POMBOS tivessem cagado na sua cabeça.
    E eu vou ter sempre um motivo pra invejar a Gabi. Como eu queria estar no lugar dela.

    Responder

  1. Porcho
    05/08/09 | 5:23 pm |#

    Pois me lembrei da única vez na vida em que tentei ler algo do Oscar Wilde. Peguei um livro emprestado da minha irmã, sem que ela soubesse, e lia tranquilamente no campus da universidade na qual ela prestava vestibular. Eis que um pombo pareceu não gostar muito da minha leitura, e desferiu uma rajada de cocô contra o rodapé de uma inocente página.

    Realmente, nada acontece por acaso: nunca mais li Oscar Wilde, e nunca mais peguei livros às escondidas.

    Responder

  1. tt
    05/08/09 | 5:36 pm |#

    Da série everything happens for a reason: Um moço que sigo no twitter indicou este blog, daí fui ler esse post, daí entrei no link sobre tatuagem, quando terminei de ler vi que indicava um post sobre “como me tornei uma nerd”. E assustadoramente, fui lembrando de como eu me tornei uma, com o mesmo percurso. Ok. Não o meeeesmo… Quando fiz a coleção de pedras não quis ser arqueóloga e não fundei site nenhum quando virei fanzoca de pearl jam e nem fiz terapia quando comecei a me vestir como mendiga aos 15 (nessa idade as camisetas do pearl jam começaram a ficar furadas e cinzas, e as calças rasgadas começaram a rasgar de verdade). Mas enfim, foi uma ótima viagem no tempo! Até.

    Responder

  1. Fã nº 1
    05/08/09 | 5:43 pm |#

    Ri muito……tadinha….

    Responder

  1. Oscar's
    05/08/09 | 6:53 pm |#

    Cocô de pombo é uma merda :/

    Responder

  1. Ed
    05/08/09 | 10:58 pm |#

    HAHHHAHAHAHAHAHAHAHAHA
    Demais esse post !!

    OBS: Tb já fui alvo! Na praça da república no meio da feirinha. Mas menos mal q pegou no ombro e não na jaca. rs

    Responder

  1. Kenny Fonseca
    06/08/09 | 5:35 pm |#

    kkkkkkkkkkkkkkkk…….
    Sem maldade….é muito bom rir da desgraças dos outros!! Faço isso pq já fizeram comigo (várias vezes) e com certeza vc irá fazer com alguém algum dia (assim espero!).
    Muito bom o post, ficou muito engraçado!!!! E queria parabenizar sua amiga, pela CORAGEM de se manter rindo mesmo diante da desgraça alheia!! Afinal de contas, amigo é pra essas coisas!!! e talvez se não fosse ela o post não teria ficado tão divertido!

    Parabéns pelo blog!!
    Abraços

    Responder

  1. karine
    08/08/09 | 2:36 pm |#

    hahahahah desculpa, raxei de rir só de imaginar a cena.

    Responder

  1. Flávio Cardoso
    11/08/09 | 11:23 pm |#

    Adorei o seu blog!
    e esse post foi muito engraçado.. fazia tempo que eu não ria sozinho.. hehehe

    Responder

  1. RicoCorreiaUP
    12/08/09 | 1:42 pm |#

    Este Post me parce uma versão bizarra do Livro 5 minutos de José de Alencar AHuaHuaha

    Responder

  1. CB #001, Parte 3 – Mobral | Cesta Básica | ato ou efeito
    26/08/09 | 2:51 am |#

    [...] Sobre o destino e cocô de pombo Por: Ana Freitas Vamos ser estatisticamente diretos. Quais as chances de um cocô de pomba cair na sua cabeça? Por sua, entenda a minha. Minha cabeça. Elas devem ser altas se você estiver, por exemplo, embaixo de uma marquise em que as pombas costumam pousar. Mas caem se você estiver embaixo de um lugar coberto. (…) [...]

  1. Kzin
    27/08/09 | 7:10 pm |#

    Uma vez, me lembro bem, estou na faculdade 6º período e o fato aconteceu na 3º serie, eu sentado no patio da escola, brigando a 5 minutos com uma bendita balinah de coração que nao queria abrir o pacote, quando eu finalmente fez “crec” e abriu O POMBO DEFECOU NA BALAAA, como ele pode mirar na minha balinha? =[ traumatico, voltei com otra bala, e ele defecou no meu ombro! oooo dia feliz, ÔÔÔ intervalo bom –”

    Responder

  1. carla v.
    22/09/09 | 6:40 pm |#

    Duro é termos plena consciêcia de que a infestação de pombos é uma questão, NÃO ABORDADA PELOS ÓRGÃOS PÚBLICOS, de Saúde Pública!

    Responder

  1. Ayouloki
    22/09/09 | 9:35 pm |#

    Como já dizia o poeta Dinho, dos Mamonas Assassinas:

    “As pombas quando avoam
    Por incrível que pareça
    Ficam sobrevoando, com seu cu amirando;
    Em nossas cabeças
    Daí vem a rajada de sua bazuca anal
    Já tem pomba com mira a laser
    O tiro sai sempre fatal”

    Responder

  1. Micheli
    25/09/09 | 3:15 am |#

    Que curioso! Na semana passada questionei minha amiga bióloga se as pombas têm ou não sfíncter…

    Responder

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