17.08

2009
2:25 pm

Aaaaaahhhh, a medicina moderna

Postado em Brasil, Crônicas, TV

Tem uma coisa bonita em ser médico. Altruísta. Assim eu prefiro acreditar, já que até onde eu sei essa história de que médico ganha muito dinheiro, em parte, não é verdade. Sei que eles precisam estudar muito tempo, depois trabalhar como residente de graça por mais outro tempão, e aí ter oito empregos diferentes para então, sim, ganhar dinheiro.

Ou seja: tecnicamente, ninguém hoje mais escolhe cursar medicina se não estiver compromissado não só com a grana, mas com uma vida que exigirá trabalhar duro, enfrentar situações extenuantes mental e fisicamente e ganhar algum dinheiro, provavelmente sem ficar muito rico.

Mas não conheço nenhum médico pobre, então deve existir alguma falha aí na teoria. De qualquer forma, eu tenho reparado nos hábitos dos médicos que frequento e esses hábitos me dão coisas.

Dr. Chapatin jamais permitira algo assim

Vou explicar. Quando você precisa de um médico, geralmente liga no consultório e agenda um horário. Em alguns casos, só consegue agendar esse horário pra dali a um, dois meses. Ok, você tem paciência. Quando chega no consultório atrasado, liga pra avisar. E se não ligar, quando chega lá perde a vez, muitas vezes precisa remarcar a consulta.

Então porque diabos um senhor com um jaleco branco, assessorado por uma moça da recepção, acha que tem direito de te fazer esperar 2 horas sentado em uma cadeira, tendo à disposição para seu lazer somente revistas Caras velhas e catálogos de medicina? É porque ele estudou por dez anos? Porque se for, isso não me parece um bom motivo. Não existe motivo que justifique desrespeito com ninguém, ainda mais com alguém que está pagando por um serviço.

Outra parada que me corrói por dentro é ligar pra marcar horário e no fim a mulher soltar um ‘É por ordem de chegada, viu?’. OI? EU MARQUEI HORÁRIO. É pegadinha? Se ele vai atender primeiro quem chegar primeiro, porque eu preciso marcar?

Daí você tá lá, marcou horário às 11h da manhã, são dez pras uma e você ve o senhor doutor que iria lhe atender se preparando para sair para almoçar. E você lá. Só que antes de sair o cara ainda resolve atender uma merda de um promotor de vendas de indústria farmacêutica, que vai dar a ele várias amostras grátis e vai coagí-lo a receitar a você os remédios da marca daquele laboratório. Ele tem tempo pra atender este senhor antes do almoço dele, mas não tem tempo pra você.

Você, é claro, deve se recolher à sua insignificância de pessoa que não fez 20 anos entre faculdade e residência. Sim, porque parece que todas as outras pessoas do mundo que não são colegas de trabalho do senhor médico não têm absolutamente mais nada pra fazer, a não ser esperá-lo após ler dois anos de Caras, que é semanal.

E sabe o que dói? Se você for embora, DANE-SE, porque o prejudicado vai ser você. Sempre você. Você vai ter que faltar outro dia no trabalho, porque precisa passar no médico de qualquer forma. Você vai ter perdido aquele tempo em nada, pra nada. E você vai ter que aguentar a cara da recepcionista de OK SENHOR PODE IR PORQUE TEM OUTRAS 30 PESSOAS AQUI MESMO E TODO DIA TEM ESSAS 30 PESSOAS E UMA A MENOS NÃO VAI DEIXAR O DOUTOR MENOS POBRE OBRIGADA. Porque as outras 30 pessoas já estão com o cérebro anestesiado, se submetem ao dotô e esperam, esperam, esperam. Nunca vão embora. Pode ser que elas não possam ir, também, por terem algo grave, sei lá. Só sei que se você sair, ninguém vai dar a mínima.

Mas supondo que você aguarde as 3 horas e seja atendido. E vamos considerar que ele te atenda bem, que não é o que acontece sempre. Bom, você sai dali e passa na farmácia, pra comprar os remédios que o doutor passou. Pede um, dois, três. O balconista fala os preços deles e confere, um por um, os descontos dos remédios. E te fala. E você fica WTF. Todo remédio tem desconto, todos eles. E se todos eles têm desconto então nenhum tem. Sacaram? É só jogar o preço pra cima e dizer que existe um desconto que não existe. E no caixa a mulher ainda te diz – ‘você economizou 8,76, senhora’. Vá pra merda. Economizei nada. Você inventam essas coisas, farmacêuticos safados.

Não vou nem mencionar as festas de medicina, japonês no fundo de piscina, uso excessivo de estimulantes para se manter acordado durante plantões e coisas assim, porque tudo que ouvi sobre isso é boato. Mas não se esqueçam, nunca, daquele episódio em que uns estudantes de medicina malucos invadiram um hospital, soltaram fogos de artifício e ofenderam pacientes quando a residência deles acabou. Tipo uma ‘despedida de residente’. Não viu isso?

Embora me pareça óbvio e eu odeio falar o óbvio, vou fazer isso para me blindar dos xingamentos óbvios – é claro que existem pessoas escrotas em todos os segmentos da sociedade. Eu sei que existem médicos bons e médicos ruins, porque médicos são pessoas e existem pessoas boas e pessoas ruins.

Mas que ser médico e fazer essas coisas é mais escroto que a média, aaah, isso é. Parece que o autoritarismo da sociedade sobe a cabeça, né? Todo mundo é tão subserviente a um título de médico que algumas pessoas começam a achar que elas realmente são melhores que os outros.

O curioso é que, dado que o cara é um médico, provavelmente um dos profissionais que mais lida com a morte, é ele quem deveria melhor reconhecer que, no fim, é todo mundo igual.

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33 comentários (Comente! Trackback)

  1. Gisèle
    17/08/09 | 3:05 pm | #

    Sabe Ana, diversas vezes pensei em reunir um grupo de uns 30 colegas para marcarmos diversas consultas com diversos médicos num mesmo dia, e por uma semana fazer o médico não ter nenhum paciente. Assim talvez eles aprendam!!! Imagina, menos um quarto do seu salario por mês deve fazer mal ao bolso!!!
    heheheheeh

    Responder

  1. GABE
    17/08/09 | 3:08 pm | #

    Super concordo com vc, Ana.. passei por isso tantas vezes, e conheço de perto pessoas que ao se tornarem médicos mais maduros, esqueceram exatamente daquilo que eles deveriam lembrar, e que vc citou no fim.. que todos somos iguais..

    Responder

  1. Marquinhos
    17/08/09 | 3:59 pm | #

    Ana, conta pra mim, vc escreveu esse Post enquanto estava esperando em algum consultório puta da vida, acertei?

    Mas é de cai o c da bunda mesmo, quando há um horário e vc fica 3h a mais dele, chegando 15min antes, para não atrasar os outros. É esse o problema do mundo, cada um só pensa em seu próprio umbigo, e que se Fod.. os outros.

    Responder

  1. Rubens
    17/08/09 | 4:57 pm | #

    Você mesmo já disse que gente escrota existe em qualquer lugar do planeta.
    Se eu vou em um lugar, pago pelo serviço e ainda sou mal tratado, simplesmente não volto lá.

    Responder

  1. Bárbara
    17/08/09 | 5:17 pm | #

    Você descreveu perfeitamente o que ocorre sempre que vou marcar uma consulta. Só consigo vaga pra um mês na frente e ainda por ordem de chegada! Eu fico meio que sem entender o motivo de marcar, né, enfim…

    Outra coisa também é aquela velha história de quem é ‘doutor’ é quem fez Doutorado, então a gente tem que chamar um médico de doutor, mesmo que ele não tenha feito isso, porque se chamar de “senhor” ele não gosta. Sim, isso já aconteceu comigo.

    Sério, ele vai salvar a minha vida, é claro, mas ainda assim, não precisa fingir que temos a obrigação de estarmos disponíveis a hora que eles estiverem dispostos a nos atender.

    Responder

    Carlos Marin Reply:

    Eu ia falar justamente isso sobre o título de “doutor”.

    Responder

  1. Alan
    17/08/09 | 5:38 pm | #

    Ótimo texto, Ana.

    Uma vez fui ao oftalmologista e ele teve a cara de me perguntar: “quer que eu receite óculos?”. Eu esperava um diagnóstico mais preciso vindo de um formado. No fim, preferi não usar.

    Os médicos são divindades vindos do Paraíso com estetoscópios, e eles abusam justamente dos mais simples, que enxergam neles esses seres elevados. Lamentável. Experimentem visitar Unidades de Saúde na periferia e o descaso, que vem acompanhado de 4 horas de trabalho menos 2 horas de almoço.

    Responder

  1. Deborah
    17/08/09 | 5:39 pm | #

    Não sou médica (sou advogada…hehehe… Sim, muito pior!), mas minha mãe é, e conheço de perto a realidade da profissão.

    Você sabe por que é que os médicos precisam marcar trocentos pacientes todo dia? Porque o convênio paga para eles menos de 30 reais por paciente. Isso, é claro, os bons convênios, porque alguns pagam tipo 15 reais. 15 reais é menos do que eu pago pro cara que conserta a minha descarga, ou a torneira.

    Não existe médico pobre porque, realmente, eles não são tantos assim no país (compare o número de faculdades de Medicina com as faculdades de Direito, Administração, Ciências Contábeis…), e há trabalho suficiente para que nenhum morra de fome. Mas, com raras exceções – a maior parte, cirurgiões plásticos e dermatologistas da área de estética – médico não fica rico.

    Um obstetra ganha, pelo convênio, entre 150 e 250 reais para fazer um parto. Um pediatra ganha uns 50 reais para acompanhar o mesmo parto. Conheço muita gente que deixa 150 reais na balada, fácil, fácil.

    Então, entendo que as pessoas fiquem indignadas com o autoritarismo de alguns médicos, e realmente isso existe, mas tente enxergar o outro lado com mais cuidado antes de fazer certos julgamentos.

    Responder

  1. Fabio
    17/08/09 | 5:46 pm | #

    O que mais me irrita é estar mal, querer agendar e perguntarem se é convênio ou particular. Sendo que muitas vezes quando é particular te encaixam no mesmo dia e convênio só daqui duas semanas e olha lá.

    Também dá desgosto quando te atendem em 5 min, não descobrem nada (na real não parecem fazer a mínima questão mesmo) e se você melhorar sozinho acharem que resolveu. Ai se repete, mais uma consulta pra nada.

    Responder

  1. Ronaud Pereira
    17/08/09 | 5:54 pm | #

    Perfeito! É bem assim! É aquela velha falta de respeito para com outros seres humanos.

    Responder

  1. Dan Solis
    17/08/09 | 6:33 pm | #

    Oi! Concordo em gênero, número e grau e tudo mais com o que vc falou. Só tem uma coisinha que me irritou e ele não ten nada a ver com o assunto em si. Quer dizer, tem, mas em outro âmbito. É o seguinte: vc falou:

    “ninguém hoje mais escolhe cursar medicina se não estiver compromissado não só com a grana, mas…”

    Compromissado… hummm… particípio passado de que verbo? Compromissar? Pelo q sei ñ existe esse verbo, nem me imagino conjugando-o:
    Eu compromisso, tu compromissas, ele compromissa… e assim vai :/

    O único particípio passado mais próximo de “compromissado” que eu consigo ver uma luz no fim do túnel é “comprometido”, do verbo “comprometer”.

    É só alerta, sabe linda, já que eu tenho visto esse tal de “compromissado” por aí, mas não sei de onde é que arrancaram ele não :D :<

    Não sou gramático nem policial da língua de ninguém, Deus me livre! Mas está aí minha dúvida e a pergunta nada a ver: o particípio passado "compromissado" existe? :P

    Responder

  1. Bernardo Zirpoli
    17/08/09 | 6:39 pm | #

    Eu resolvo isso de duas maneiras bem simples: não marco médico que atende por ordem de chegada. Só vou pra quem atende em hora marcada (MESMO).

    E tem mais: se demorar mais de uma hora pra ele me atender (contando da hora marcada, claro), eu vou lá, rasgo a paradinha do plano e vou embora. Parece que não vai fazer muita diferença pra médico, mas por incrível que pareça, quase toda essa ameaça (real) resolve.

    Responder

  1. Tito
    17/08/09 | 7:10 pm | #

    E o que dizer dos advogados, então?

    Responder

  1. Priscilla
    17/08/09 | 8:09 pm | #

    Você falou de vida de medico e do tempo todo que leva pra se formar e eu lembrei de um video do Youtube: Amedicina – Banda Aritimia.
    É muito engraçado, e realmente retrata a vida de estudante de medicina, os quais na maior parte das vezes acham q vai viver com rios de dinheiro. Minha mãe é médica, e te garanto q pra ganhar dinheiro suficiente pra pagar as contas a maior parte dos médicos tem q trabalhar o dia todo, é quase como uma escolha entre vida pessoal e vida profissional. E no fim das contas acaba sendo a vida profissional porque as contas tem q ser pagas.
    E é como Barbara disse lá em cima. As consultas por convênio são muito baratas, é pra matar qualqr médico, então pra compensar o jeito é atender um monte de gente, e se matar de trabalhar.
    Por isso é sempre bom levar um livrinho pro médico… agnt sempre espera XD.

    Responder

  1. karine
    17/08/09 | 8:30 pm | #

    ótimo post! é uma coisa de pequenos poderes, todo mundo que vai ao médico está se sentindo vulnerável, ele sabe disso e a atendente também. Eu não entendo qual é a dificuldade de marcar horário e cumprir. Mesmo atendendo 30 pessoas é possível organizar.

    Responder

  1. Anderson Sanches
    17/08/09 | 8:49 pm | #

    Se o convênio paga só R$ 15, por quê o médico o aceitou? E porque no particular a consulta passa a R$ 100, R$ 150? Não seria mais fácil eles cobrarem um valor melhor no particular e se livrarem dos convênios? Os médicos são explorados pelos planos de saúde, mas eles mesmos se colocaram nesta situação.

    Responder

  1. Camila Galvez
    17/08/09 | 9:10 pm | #

    Ana, faz um tempinho que eu tenho lido seus textos e, ok, puxe minha orelha, não tinha comentado ainda. Mas esse está uma coisa de louco, porque vivi uma situação parecida exatamente nessa semana. E me sinto uma idiota cada vez que penso em quantas vezes eu já vivi essa situação na vida. Resumo com três palavrinhas: falta de respeito. Por isso que digo que a saúde é uma porcaria nesse país. Mas ainda acho melhor esperar 2 horas para ser atendida no convênio que 3 horas e meia na rede pública, com a pressão em 6 por 4. Deus me livre da saúde pública de São Bernardo!

    E prometo que vou comentar a partir de agora, ok? rsrsrsrs

    Bjos e saudade de você!

    Responder

  1. Deborah
    17/08/09 | 9:16 pm | #

    Olha, pelo jeito que vocês estão falando, fica parecendo que o médico QUER atrasar duas horas. Que é do interesse dele deixar os pacientes esperando, que ele faz isso de sacanagem.

    Já pararam para pensar que, se ele está atrasado 2h, vai levar 2h a mais para sair do trabalho? Vai chegar em casa 9, 10h da noite, e não vai nem ter tempo de ficar com a família?

    Todo mundo que eu conheço atrasa pra ir ao médico. Marca a consulta às 14:30, chega às 14:40, “porque atrasa, mesmo”. Aí, as primeiras consultas do dia fazem isso. E uma vez que o médico, como eu expliquei ali em cima, precisa trabalhar com o horário cheio (para poder comer, pagar conta de luz e o colégio dos filhos), não tem como compensar o atraso nos intervalos. As consultas começam a encavalar. Adeus, hora de almoço. Adeus, pausa para ir ao banheiro.

    Já presenciei uma conversa de médicas comentando que viviam tendo infecção urinária, porque nunca dava tempo de parar para fazer xixi.

    Não sei se sou uma pessoa privilegiada, mas nunca tive a impressão de que o médico ficava fazendo hora para não me atender. Pelo contrário, é sempre um entra-e-sai danado, um paciente atrás do outro, o representante de laboratório pentelhando pra entrar (sim, eles também têm trabalho para fazer), telefone tocando o tempo todo. Fico cansada só de olhar.

    Quem realmente ferrou com a relação entre médico e paciente foram os convênios. Os convênios extorquem os segurados, e extorquem os médicos. Por que será que os lucros deles são enormes, e a cada dia nasce um novo plano de saúde? Atualmente, as pessoas escolhem o médico, não por indicação, mas pelo livrinho do convênio. E ai do médico que decidir atender só consulta particular – tirando os medalhões, ou os grandes especialistas, os demais ficam com os consultórios às moscas.

    O aluguel e as despesas de um consultório médico custam em média pelo menos 1.500 reais por mês. Com uma consulta de convênio a 30 reais, o cara tem que atender 50 consultas por mês, só pra ficar no zero a zero. É ÓBVIO que vai ter horário para particular, e não para o convênio, porque o particular paga 4 vezes mais. Com o valor da consulta particular, o médico pode respirar um pouquinho naquela semana.

    Estou achando muito engraçado ler comentários aqui sobre falta de respeito, “pequeno poder”, como se realmente houvesse um poder do médico sobre isso.

    Não estou dizendo que sejam santos. Há médicos picaretas, sem caráter, que se acham Deus (ou têm certeza de que são…), desrespeitosos, etc. Mas isso não é a média, nem de longe, e se há uma deterioração no atendimento médico, não há dúvida de que as causas não passam nem perto da vontade do médico.

    Responder

  1. m\
    17/08/09 | 10:15 pm | #

    minha mãe é médica, pediatra, e de fato ela demora pra atender no consultório as vezes (muito as vezes) porque fica dormindo em casa ou por outros motivos – Mas não leve a mal… ela só dorme de noite em casa nos sábado.
    ela trabalha que nem burro de carga, de verdade… e pra manter o humor só o depakote.
    to falando isso porque quem fala que é falta de respeito, na realidade não sabe o porque de trás de toda a história. E não to chingando ninguém: não tem mesmo como saber.

    Responder

  1. Eduardo
    18/08/09 | 12:19 am | #

    “…japonês* no fundo de piscina, …”

    *Chinês

    Eu também não gosto muito de médicos. Mas acho que tudo isso é por causa do que você citou, essa subserviência ao título. Jovenzinhos filhinhos de papai vão tentar fazer faculdade de medicina, acham que é só ganhar dinheiro e pronto. Não fosse por isso, os médicos seriam pessoas melhores.

    Responder

    Ana Freitas Reply:

    Jurava que era japonês. Mas usei como referência o grito de guerra que o pessoal usa contra a ECA na USP, por isso o erro. É “USP assassina/o japonês tá no fundo da piscina!”

    Responder

  1. André
    18/08/09 | 2:53 am | #

    ahah
    aqui na faculdade tem uma frase zuando a medicina que é meio verdade:

    “Na med, eles entram achando que são deuses… quando terminam a faculdade eles têm certeza!!!”

    olá, by the way… sempre leio o blog, mas nunca tenho algo interessante para comentar… mas parabens!!!!!

    Responder

  1. Gisèle
    18/08/09 | 7:40 am | #

    Conheço muitos medicos que pararam com o convênio e continuaram com a mesma quantidade de pacientes.
    Todo mundo trabalha igual burro de carga, meu pai é biologo e dorme 5 horas por dia e NUNCA tirou férias, todas as vezes que a gente viajava ele trabalhava todos os dias de qualquer jeito, ou seja, trabalhar muito não é exclusividade de médico, mas se meu pai chegar atrasado numa reuniao com o cliente byebye e tem outro que quer fazer. A diferença do médico é que ele tá pouco se fudendo porque ele sabe que você levou 3 meses pra marcar a consulta e não vai desmarcar!
    Eu sinceramente não tenho nenhuma pena, eles só decoraram algumas coisinhas e as vezes ainda olham em algum livro por não terem certeza, ahh vai pra merda, eles não tem nem que pensar e ainda te tratam como um lixo??? Qualquer outra profissão se você não trata direito você perde o cliente eles tinham que aprender o mesmo, e se eles atrasam que ao menos tenham a consideração com você!!!
    Uma vez fui num (eu acho que ele era neurologista, mas não tenho certeza) o cara, simplesmente foda! Não atrasou nadinha e ainda me tratou hiper bem, você acha que um cara desse ficaria sem paciente mesmo se não tivesse convênio, eu tenho certeza que não!
    Minha oftamologista sempre atrasa, mas não é muito e ela é super foda, o pior é quem te faz esperar muito e te atende em 5 minutos!
    Sinceramente todo mundo se mata pra pagar as contas, agora querer justificar o mal trato com os pacientes por causa disso só prova a merda de profissional que vocês vão ser!!!

    Responder

  1. rael
    20/08/09 | 2:29 am | #

    Gisele, ana, vcs sao enfermeiras por acaso? estou escrevendo um texto sobre interação dos medicos com outras areas, sou estudante de medicina da usp-sp, nao gostei nada dos comentarios, a parte de atenderem mal tudo bem, mas achar q isso é culpa dos medicos, vai tnc, porque voces nos seus trabalhos fazem merda porque n tem grandes condições de nada, nao é uma classe maligna q quer explorar todo mundo (esses sao os homeopatas e ortomoleculares e fitoterapeutas e pastores) pense nas sacanagens q o padeiro faz q o taxista faz q o sarney faz

    Responder

  1. Rael
    20/08/09 | 2:45 am | #

    http://granderael.blogspot.com/2009/05/ton-ton.html

    http://granderael.blogspot.com/2009/06/elixir.html

    leiam, por favor, tenho outros

    Responder

  1. c/
    20/08/09 | 3:40 am | #

    “eles só decoraram algumas coisinhas e as vezes ainda olham em algum livro por não terem certeza, ahh vai pra merda, eles não tem nem que pensar” – ok. Pegue um livro de medicina, apure seus dedinhos e seus ouvidos e faça diagnósticos. Em 5 minutos, claro. Simples assim.
    Se a intenção do texto do blog era criar algum tipo de discussão construtiva, ou só fazer um desabafo, ou algo assim, essa intenção se perdeu totalmente nessa msg. Ninguém aqui que tenha defendido o lado médico quis, de forma alguma, desmoralizar seu pai. Tem muita, mas muita gente mesmo, seja no trabalho formal ou informal, que trabalha que nem um cão. Igual aos médicos, não tem diferença alguma nisso. A intenção é criticar com a intenção de melhorar, de construir? Identificar falhas prá poder agir nelas? Beleza, ótimo. Tem realmente muitos problemas na medicina, assim como em todas as outras especialidade. Mas pelo mero prazer de desmerecer não dá. Se você não acha justo desmoralizar as outras profissões, tb não faça isso com a classe médica. E ainda mais sem o devido conhecimento do campo de trabalho médico e do funcionamento dos sistemas de saúde. E sem ofender ninguém por desrespeitar a escolha e todos os anos de estudos, plantões e doenças que os médicos pegam tentando exercer a medicina, por favor.

    Responder

  1. demian
    20/08/09 | 12:30 pm | #

    veja, vc está expondo o flagelo de se mercantilizar a saúde

    pq médicos aceitam ganhar 15 reais por consulta de convenios e pq cobram 100 reais no particular?

    a primeira pq existem mercados que estão saturados de médicos, a segunda, pq há quem pague
    atrasos, desrespeito com o ser humano e todo o resto.. são agravados pelas condições em que se estabelece a saúde no brasil

    não há política clara, não há um sistema público estruturado e tampouco um privado regulamentado
    e veja, as mazelas da mercantilização são percebidas em incontáveis momentos e circunstancias, se já ficamos incomodados com preços absurdos em coisas tão banais quanto um salgado ou um café.. imagine quando trata-se de um direito ao meu ver inalienável do ser humano, que é a saúde

    infelizmente, para ser médico, não precisa-se de nenhum dom, preceito ético ou moral, ou qualquer outra coisa
    precisa-se passar numa prova, pontual em algum momento de sua vida

    e não é na faculdade que se aprende a valorizar a vida humana, na faculdade aprendemos o saber técnico da nossa profissão (ou ao menos é isso que nos é cobrado)

    Responder

  1. Daniella
    21/08/09 | 3:31 am | #

    Você não falou nada que as pessoas já não saibam. A gente vê esse desrespeito quando precisa dos serviços deles.

    Algo que tem me entrigado nos último meses é o número de amigos e conhecidos meus que tem recebido a receita de um único medicamento para problemas que vão de prisão do ventre a sinusite. Eu inclusive, que tenho crises de sinusite com hora marcada todos os anos, esse ano sai com uma receita desse medicamento para alergia que parece que serve para todos os problemas de saúde que existem. Ou talvez esse laboratório esteja pagando bem alguns mercenários que se intitulam médicos para receitar esse remédio não importando se serve ou não para o problema de saúde que a pessoa apresenta….

    Responder

  1. Lucas
    23/08/09 | 12:24 am | #

    1 min 32 s, quinta linha: palavrão. :)

    Responder

  1. Felipe
    24/08/09 | 3:33 am | #

    Ana e demais,

    Acho bastante justificada sua indignação e, de certa forma, a compartilho. Apesar disso, acredito que sua crítica esteja mal direcionada. Culpabilizar individualmente o médico, ou mesmo coletivamente a categoria médica, não só deixa de tocar no real problema,(desenvolvo a seguir), como também contribui para a perpetuação da situação calamitosa que você descreve.

    Ora, a não ser que haja um viés na prova do vestibular de medicina que escolha pessoas com padrões éticos distorcidos, (hipótese que vocês devem concordar comigo, é altamente improvável), as pessoas que acabam por se tornar médicos são, em geral tão “boas” ou “ruins”, em parâmetros éticos, quanto o resto da população. Poderíamos falar em um viés de classe, (no sentido marxista de classe), mas a relação aí não se faz de forma tão direta quanto eu gostaria – se achar interessante discutimos esse vies em outra oportunidade.

    Mas bem, porque esses absurdos acontecem? (Como você descreveu o ambiente de um consultorio privado, vou me ater a esse caso em particular, mas já adiantando porém que a situação piora bastante pros mais de 70% de brasileiros que não podem pagar por saúde.) Enfim, esses absurdos acontecem porque, como o Demian já adiantou, serviços de saúde não combinam com mercantilização.

    Como os comentarios anteriores aí ja deixaram claro, a venda de serviços de saúde não funciona da mesma forma que a venda de outros serviços ou mesmo que a venda de bens de consumo, há uma série de particularidades importantes. Uma que todo mundo já citou, é que há uma imensa demanda reprimida por serviços de saúde, de forma que, deixar de consumir o serviço de um médico ruim, dificilmente vai puni-lo através do mercado, uma vez que a demanda não vai ser menor que a oferta. Outra peculiaridade mais sutil, mas dificilmente menos importante, é que é muito complicado para o paciente negociar o preço da propria saúde ou mesmo conseguir colocar preço nos serviços de um médico, tanto pela falta de conhecimento técnico no assunto quanto pela necessidade capital de preservar a própria existência.

    Ora, tamanha desigualdade de interesses e de condições técnicas transportadas para um ambiente mercantil, só podem resultar na situação que você descreve: uma relação extremamente desvantajosa para o consumidor ou, se você preferir, um mar de médicos “preguiçosos, arrogantes e vis” e somente alguns poucos “bons médicos” que assim o são, por representarem exceções do padrão ético ou por adequação a um diferente nicho comercial.

    As peculiaridades e conflitos não param por aí, aquele filme do Michael Moore, Sicko, que fala sobre o sistema de saúde americano, traz uma série de exemplos bem mais dramáticos que o seu, sobre como a mercantilização da saúde pode prejudicar as pessoas, com muito mais do que algumas horas perdidas.

    Mas para você que, acertadamente, faz a consideração de que no serviço público as coisas são geralmente piores, eu relembro que, em geral, o mesmo médico que trabalha no serviço público, atende em consultorios privados, com a diferença de que o aporte de recursos no setor publico é menor que no setor privado e que ainda assim o público precisa atender 4 vezes mais pessoas. Uma competição que traz consequencias óbvias para a qualidade do serviço público.

    Com essas considerações, te desafio a ir além do desabafo e te chamo pra uma reflexão sincera sobre os problemas dos nossos serviços de saúde, e ai quem sabe, para a luta por uma saúde pública e universal, com aporte de recursos adequado e tudo mais.

    De resto, concordo que é de uma baita falta de consideração o que fazem os medicos que você descreveu, mas ficar cobrando ética deles é igual ficar cobrando ética do padeiro, do taxista ou do Sarney; não vai resolver! Essa é uma questão infra estrutural, não moral.

    Abraço,
    Felipe
    Estudante do 5o ano de medicina

    Responder

  1. Felipe
    24/08/09 | 3:58 am | #

    Ana e demais,

    Acho bastante justificada sua indignação e, de certa forma, a compartilho. Apesar disso, acredito que sua crítica esteja mal direcionada. Culpabilizar individualmente o médico, ou mesmo coletivamente a categoria médica, não só deixa de tocar no real problema,(desenvolvo a seguir), como também contribui para a perpetuação da situação calamitosa que você descreve.

    Ora, a não ser que haja um viés na prova do vestibular de medicina que escolha pessoas com padrões éticos distorcidos, (hipótese que vocês devem concordar comigo, é altamente improvável), as pessoas que acabam por se tornar médicos são, em geral tão “boas” ou “ruins”, em parâmetros éticos, quanto o resto da população. Poderíamos falar em um viés de classe, (no sentido marxista de classe), mas a relação aí não se faz de forma tão direta quanto eu gostaria – se achar interessante discutimos esse vies em outra oportunidade.

    Mas bem, porque esses absurdos acontecem? (Como você descreveu o ambiente de um consultorio privado, vou me ater a esse caso em particular, mas já adiantando porém que a situação piora bastante pros mais de 70% de brasileiros que não podem pagar por saúde.) Enfim, esses absurdos acontecem porque, como o Demian já adiantou, serviços de saúde não combinam com mercantilização.

    Como os comentarios anteriores aí ja deixaram claro, a venda de serviços de saúde não funciona da mesma forma que a venda de outros serviços ou mesmo que a venda de bens de consumo, há uma série de particularidades importantes. Uma que todo mundo já citou, é que há uma imensa demanda reprimida por serviços de saúde, de forma que, deixar de consumir o serviço de um médico ruim, dificilmente vai puni-lo através do mercado, uma vez que a demanda não vai ser menor que a oferta. Outra peculiaridade mais sutil, mas dificilmente menos importante, é que é muito complicado para o paciente negociar o preço da propria saúde ou mesmo conseguir colocar preço nos serviços de um médico, tanto pela falta de conhecimento técnico no assunto quanto pela necessidade capital de preservar a própria existência.

    Ora, tamanha desigualdade de interesses e de condições técnicas transportadas para uma relação mercantil, só podem resultar na situação que você descreve: uma relação extremamente desvantajosa para o consumidor ou, se você preferir, um mar de médicos “preguiçosos, arrogantes e vis” e somente alguns poucos “bons médicos” que assim o são, por representarem exceções do padrão ético ou por adequação a um diferente nicho comercial.

    As peculiaridades e conflitos não param por aí, aquele filme do Michael Moore, Sicko, que fala sobre o sistema de saúde americano, traz uma série de exemplos bem mais dramáticos que o seu, sobre como a mercantilização da saúde pode prejudicar as pessoas, com muito mais do que algumas horas perdidas.

    Mas para você que, acertadamente, faz a consideração de que no serviço público as coisas são geralmente piores, eu relembro que, em geral, o mesmo médico que trabalha no serviço público, atende em consultorios privados, com a diferença de que o aporte de recursos no setor publico é menor que no setor privado e que ainda assim o público precisa atender 4 vezes mais pessoas. Uma competição que traz consequencias óbvias para a qualidade do serviço público.

    Com essas considerações, te desafio a ir além do desabafo e te chamo pra uma reflexão sincera sobre os problemas dos nossos serviços de saúde, e ai quem sabe, para a luta por uma saúde pública e universal, com aporte de recursos adequado e tudo mais.

    De resto, concordo que é de uma baita falta de consideração o que fazem os medicos que você descreveu, mas ficar cobrando ética deles é igual ficar cobrando ética do padeiro, do taxista ou do Sarney; não vai resolver! Essa é uma questão infra estrutural, não moral.

    Abraço,
    Felipe
    Estudante do 5o ano de medicina

    Responder

  1. Demian
    24/08/09 | 10:55 pm | #

    contemplado pelo Felipe acima!
    que fez um texto mui mais embasado e claro contendo as principais idéias que giraram na minha cabeça qdo escrevi meu comment

    Demian, colega de sala do tal Felipe

    Responder

  1. Dude
    24/09/09 | 9:30 pm | #

    Certo, todos já passaram por isso, de uma forma ou de outra, mas e aí? O que podemos fazer?

    Existe alguma forma de reclamar? Algum conselho de ética? Alguma coisa?

    -Dude

    Responder

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