Há vida inteligente no Zorra Total?

O Zorra Total, famigerado programa de não-humor que passa aos sábados na Rede Globo, tem dois problemas principais.

Um: é muito ruim. Nada ali se salva.

Pra ficar mais engraçado, só com a Irislene mesmo

Dois: o programa traz consigo uma carga depressiva forte. Assistir Zorra Total tem toda uma simbologia, afinal, se é sábado à noite e você não tem absolutamente nada melhor para fazer, definitivamente há algo errado. E isso também contribui para a des-graça da coisa toda.

Hoje vamos falar só do primeiro problema. Existem três tipos de atores no programa:

- Um deles é o ator-geladeira, gente contratada da emissora que, sem espaço em outras atrações, acaba jogada no Zorra Total e se vê obrigada a fazer não-humor.

- O outro tipo é a atriz-gostosa, modelos que fazem papel delas mesmas - muito burras - e se encaixam em quase todas as esquetes estúpidas do programa. Algumas são figurantes, outras fizeram escolinha de atores da Globo e depois do teste do sofá de passarem num teste rigoroso acabaram conseguindo uma vaguinha lá.

- O terceiro tipo é o ator-humorista, mesmo. O cara que sempre fez humor, nessa ou em outras emissoras/meios, e acabou caindo no Zorra por uma infelicidade do destino.

O que pode surpreender os incautos é que nessa terceira categoria há muito gente talentosa. O Zorra Total é um programa tão ruim que estraga até quadros consagrados de atores excelentes.

‘Mas se um ator é excelente, porquê ele vai para o Zorra Total?’

Boa parte da nova safra do humor brasileiro vem dos palcos, do stand-up comedy, e o Zorra percebeu isso. Certamente fez propostas irresistíveis para atores do teatro, que diante da visibilidade e da grana oferecida pela TV, não tiveram como recusar a proposta.

Claro que nem tudo são flores. Você vai ficar famoso e conhecido, mas vai ter que adaptar o quadro ao gado telespectador. O negócio é ver se o humorista está disposto a exibir algo tão ruim - não só no Zorra, mas em todos os outros lugares na TV em que humoristas precisam ‘conter’ seu potencial para adaptar o texto ao horário ou ao telespectador estúpido.

E mesmo que o quadro seja bom, não há bom quadro que se sustente toda semana com a mesma piada, com todo mundo sabendo como vai terminar. Não há saída - ir para o Zorra te tornará um cara com fama de sem graça.

Mas tem gente boa lá, sim.

A humorista Samanta Schmutz faz aquele chatíssimo quadro do ‘Juninho Péim’ ou algo assim no Zorra Total, mas é bem engraçada em seus outros personagens - assistam até o final para uma imitação precisa da Maria Rita:

O Marcelo Mansfield tem anos de carreira consolidada no teatro e adaptou o engraçadíssimo Seu Merda para um tal de Seu Banana, que ficou bem inferior… o original, contudo, é demais:

Não precisa nem falar dos Melhores do Mundo, que de Joseph Climber passou para - puta merda - Jajá e Juju.

Tem outro cara que não faz Zorra Total (e nem deve ser por falta de convite), mas cujos trabalhos tradicionais em novelas não nos permitiram perceber o quão genial ele é: Marcelo Médici.

O Zorra Total e outras novelas com núcleos supostamente bem-humorados podem ser vitrine para caras bons, sim. O problema é detectar isso no meio de tanta gente sem-graça e de quadros idem.

Alguém tem conhecimento de mais algum talento ofuscado por um formato ruim na TV?

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October 30th, 2008 | 12 Comments

Recursos naturais não renováveis e palitos de dente

Estilo de vida do homem supera capacidade do planeta

A Terra perdeu, em pouco mais de um quarto de século, quase um terço de sua riqueza biológica e recursos, e no atual ritmo, a humanidade necessitará de dois planetas, em 2030, para manter seu estilo de vida, adverte o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).

Porque acho que não é nada que alguém mais observador não possa concluir depois de alguns anos habitando o planeta. Mas sei lá, né.

Sábado me deparei com o maior símbolo do capitalismo e de como a mente bizarra do ser humano funciona. Não achei que fosse encontrar elemento tão emblemático, assim, numa mesa de bar. Mas lá estava ele, discreto mas destacado à sua maneira.

Palitos de dentes plastificados individualmente e com menta na ponta.

Sim, meu caro. O bar em que eu fui na última semana disponibiliza gratuitamente aos clientes palitos de dente com embalagens plásticas individuais e uma pontinha mentalizada.

Quando me dei conta, já comecei a imaginar um idiota tendo uma idéia que prometia revolucionar um mercado já estabelecido e consolidado. Ele juntou uns conceitos idiotas que chamou de ‘valor agregado’, ‘público diferenciado’ e ’sofisticação’ e chegou à conclusão que seria interessante e lucrativo plastificar e mergulhar pontas de palitos de dente na menta.

Eu me pergunto: será que esse cidadão dorme todos os dias sabendo que ele criou algo que aumenta o consumo de petróleo e colabora para o desmatamento de uma maneira estúpida e inútil?

Será que o dono do bar acha realmente que isso é um diferencial que vai influenciar a escolha do cliente entre esse ou o outro bar?

Será que as pessoas realmente acham que esse palito de dente é algo legal?

E a última coisa, porém não menos importante: palitar os dentes não era falta de educação? Não é só porquê o palito vem num plastiquinho e tem ponta verde que a coisa se torna agradável de assistir ou a regra de etiqueta muda.

Esse palito é o maior exemplo de como a gente vive de criar e satisfazer necessidades inexistentes. E isso tem um papel bem grande no fato de que, segundo o texto da EFE lá em cima, nesse ritmo em 2030 precisaremos de duas Terras para agüentar o tranco.

Eu não sou eco-xiita. Faço o básico, sabe? Fecho a torneira na hora de escovar os dentes. Jogo o lixo no lixo. Não imprimo papel à toa - as coisas que todo mundo deveria fazer. Mas esse palito de dente é uma afronta. E quer saber? Quase nem dá para sentir o gosto de menta.

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October 29th, 2008 | 18 Comments

Praticando a desconfiança: um guia prático

Com que freqüência você duvida das coisas que ouve? Seja dos amigos, dos seus professores, mãe e pai, televisão, jornal, revista e dos blogs que lê - quantas vezes você termina de ouvir ou ler algo e se questiona se tudo aquilo é verdade? Você tem por hábito procurar informações que contradigam as coisas em que você acredita desde sempre? Acha que isso é loucura?

Provavelmente a maioria das pessoas pensa que é confortável - e até acha correto, em certos aspectos - se acomodar em uma opinião. Sempre me disseram que acreditar em algo e defender aquilo é ter personalidade forte, caráter, não ser volúvel e nem influenciável.

Mas de alguns anos para cá, por influência da faculdade de jornalismo e do exercício da profissão, eu adquiri um novo conceito sobre o que é ter ‘personalidade forte’ (se é que isso é importante). Eu sou, com muito orgulho, uma pessoa altamente flutuante nas minhas convicções.

Quero dizer o seguinte: eu desconfio. Eu desconfio de tudo o que ouço, o que vejo, o que leio. Tenho por hábito a desconfiança. E ela é fundamental para que possamos entender que todas as estórias têm faces que que dificilmente serão exibidas se você não se der ao trabalho de ir buscá-las.

Quando eu percebo que há um interesse genuíno de alguém ou algo em me influenciar a acreditar em algo, acendo o duplo alerta da desconfiança. Se eles querem que eu acredite, então existem ainda mais motivos para duvidar.

Eu duvido pelo prazer de questionar aquilo em que eu mesma acredito. E depois duvido da dúvida que eu criei. Eu duvido das pessoas e apresento para elas, com freqüências, argumentos contrários ao que elas acreditam, e perfeitamente plausíveis, pelo prazer de ver a cabeça delas dando um nó. É uma espécie de hobbie cruel e sádico. Eu duvido às vezes sem concordar de fato com a dúvida que surgiu, só porquê acho fundamental que todo mundo se questione todos os dias sobre suas convicções, sempre. Desde muito tempo, às vezes tenho a nítida sensação de que é para isso que estou aqui: fazer com que as pessoas se perguntem sobre o que elas acreditam.

Gostou da idéia, mas não sabe por onde começar? Confira as regras de ouro da desconfiança para uma vida mais crítica e questionadora (e um pouco mais complicada, mas sem dúvida mais divertida):

  • Regra de Ouro da Desconfiança #1: quanto mais presente um assunto estiver nas manchetes e na boca do povo, mais desconfiado dele você deve ficar.

  • Regra de Ouro da Desconfiança #2: se você perceber que estão tentando te convencer de algo sem que isso lhe seja dito diretamente, você tem aí o principal motivo para não se convencer desse algo.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #3: vídeos e aspas não provam nada. Pessoas mentem, erram, são imprecisas e suas declarações podem ganhar teor diferente em diferentes contextos.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #4: o Google é seu melhor amigo.

  • Regra de Ouro da Desconfiança #5: Fique longe da Veja.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #6: Sério. Fique longe da Veja. E nem é discursinho pronto de estudante, ok? Não vou dizer ‘a Carta Capital sim é boa’, aliás nem tenho saco para a Carta Capital. Apenas fique longe da Veja. A revista é nojenta.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #7: Espalhe a semente da desconfiança. Conteste as convicções das pessoas ao seu redor por esporte. Mas faça tudo parecer uma grande brincadeira em uma dicussão saudável. Não queremos que você afaste as pessoas, não é?

Apenas fique atento para fugir da armadilha do niilismo. Não é negócio duvidar da própria existência, até porquê um autêntico duvidador tem a certeza de que duvida, e se duvida, logo existe.

Para todas as coisas existem não dois, mais muitos lados. E vai ser muito difícil percebê-los se a gente se acomodar nas coisas que acredita, que a gente lê na Veja, que o jornal nos diz. Duvidar não é algo simples de se fazer, porque dá um trabalhão, claro - é mais fácil engolir as coisas como estão, prontinhas. Mas eu acho que vale a pena.

De qualquer forma, você já pode começar duvidando desse texto.

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October 23rd, 2008 | 50 Comments

Planeta Terra: comercial legal e horários que você já viu

Lembra que eu mencionei que estive na gravação do comercial do Festival Planeta Terra?

Não dava para imaginar que tudo aquilo que a gente viu se tornaria isso:

Essa é a primeira parte. As outras três, que continuam a história (o vídeo é super legal, quase um curta), podem ser encontradas aqui : Parte 2 | Parte 3

O enredo, meio misterioso e filosófico, não tem desfecho: o final vai ser escolhido pelo internauta. Qualquer um pode enviar um vídeo que encerre a parada. É a Web 2.0 mostrando a que veio e deixando os blogueiros felizes com parcerias fantásticas. O Terra TV também disponibilizou um making of do comercial.

Acho importante assistir, especialmente porque Santo André compareceu em peso na figuração da parada (conheço até o casal se beijando no vídeo 2, po). Se consolidando como metrópole indie, muito mais do que terra de seqüestros ou asilo para assassinos de aluguel fugitivos, minha querida cidade levou amigos e conhecidos para atuarem nessa que foi uma longa e gélida seqüência de takes na Villa dos Galpões.

Aliás, dá uma olhada nos horários do Festival:

Main Stage
17h30 às 18h30 - Vanguart
19h às 20h - Mallu Magalhães
20h30 às 21h30 - Jesus and Mary Chain
22h00 às 23h15 - Offspring
23h45 às 01h00 - Bloc Party
1h30 às 02h45 - Kaiser Chiefs

Indie Stage
16h30 às 17h30 - Brothers of Brasil
18h00 às 19h00 - Curumin
19h30 às 20h30 - Animal Collective
21h00 às 22h00 - Foals
22h30 às 23h30 - Spoon
0h às 1h30 - Breeders

DJ Stage
20h30 às 22h00 - Mau Mau
22h às 23h30 - Mylo (dj set)
23h30 às 1h - Calvin Harris (dj set)
1h às 3h - Felix da Housecat

Minha seqüência já foi devidamente anotada num pedaço de papel que se perdeu no limbo que é minha mochila (apesar de ser bonitona, confira aqui), mas como eu sei de cabeça, informo que chego às 17h30 para assistir Vanguart, em seguida vejo Mallu Magalhães, daí terei uma hora de descanso para conferir Foals. Seguirei direto então com Offspring, Bloc Party sem playback e os Kaiser Chiefs fechando a noite, que promete ser agradável.

Eu e outros 25 blogs - veja a lista aqui embaixo - fomos convidados para sermos embaixadores do Festival, o que para mim cai muito bem - eu fui embaixadora sem ser convidada há um ano, e agora a oficialização disso me deixa muito feliz. Para que eu fique mais feliz, só confirmando mais uma atração brasileira de peso para eu conferir naquela uma horinha de descanso. Que tal os Ecos Falsos? Ou os Los Porongas?

Sim Viral | Fonte Rosa | Eu Gosto de uma Coisa Errada | Chiqueiro Chique | Cegos, Surdos e Loucos | Olhômetro | Puro Pop | Casa da Narcisa | Meradoxa | Muito Horrorshow | Rock-o-Matic | Rock de índio | Outros Olhos | Indie-e-Geste | A Festa Nunca Termina | Quem pode, Poda | Move That Jukebox | Penetration Club | Azar o seu, Querida | Bloody Pop | Lalai Loaded | Putzcaramba! | The Putz Factory | Blah Blah Blog | Indie Cent Music

(Copiei a lista do Eric)

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October 22nd, 2008 | 1 Comment

Quais são os limites do humor?

Eu sempre fui a favor da piada acima de tudo. Defensora do humor incondicional, sempre achei que a piada nunca poderia ser perdida em momento algum, e que a diversão (e os risos e a alegria) provocada por ela sempre justificaria um possível ‘mau-gosto’.

Para algumas pessoas, é claro, falta humor. A elas parece, por exemplo, um pouco rude rir do vídeo da menina pastora. É, afinal, uma manifestação religiosa que deve ser respeitada.

Mas não sei quem foi que inventou que achar engraçada uma situação que apresenta uma comicidade, embora tenha sentido profundo para outras pessoas, é desrespeito.

Nesses casos, de coisas claramente muito engraçadas, acho inadequado esperar que as pessoas se contenham e não ‘façam piada’ a respeito do comportamento da menina. Parece cruel, e eu já ouvi que meu humor é cruel de muita gente, mas basta me conhecer um pouco para saber que não há, absolutamente, crueldade - há apenas uma capacidade de ver as coisas de um ângulo um pouco menos sério. Nesse caso, essa sensibilidade nem é necessária, já que a graça é bem explícita.

Recentemente, um blog brasileiro de origem árabe publicou algumas charges que faziam piadas desnecessárias com os atletas participantes das paraolímpiadas, e foi duramente criticado por um monte de gente.

Eu fiz coro à crítica, porque achei que as referências foram pesadas e forçadas, e as piadas, sem graça. Acho que em casos de humor politicamente muito incorreto, só vale quando a piada já vem pronta. Por exemplo: um nadador paraolímpico, que não tem dois braços e uma das pernas, se chama Christopher Tronco.

Veja bem - aí não há crueldade. A fina ironia da vida acaba tornando essa casualidade algo digno de nota. E se ele for um cara sossegado, provavelmente até reconhece que tem algo muito engraçado no fato de… bem, você entendeu.

Um exemplo recente é o vídeo aqui em cima. Eu não achei graça, mas posso reconhecer que ele possui elementos cômicos. O problema é que essa dificuldade de fala pode muito bem ter sido causada por um derrame, até onde eu sei - já que mudo é mudo, e não fica resmungando assim - e se esse for o caso, apesar de os elementos cômicos ainda serem proeminentes, a risada traz um pouco mais de culpa.

Outro que promete se tornar hit é esse. Vale rir de uma criança batendo na outra? E se fosse um adulto batendo numa criança, como nesse vídeo aqui?

Sou defensora do bom-humor acima de tudo porque acho fundamental a capacidade de não se levar a sério. Eu consigo apontar de longe as pessoas que se levam muito a sério e quase sempre elas são bem chatas.

Mas é realmente complicado ficar aquém do limite das piadas que podem causar constrangimento ou ofender, até porquê as pessoas são muito diferentes - algo que não ofende a mim pode ofender a você - e a maioria delas tem um senso de humor péssimo.

A própria sociedade desconhece esse limite, aliás. É permitido fazer piada do episódio Padre Baloeiro, que apesar da situação inusitada, teve uma morte supostamente sofrida e aflitiva, já que ou morreu afogado no mar ou congelado nas alturas, desesperado por não saber mexer num GPS.

E claro que não é algo passível de medidas, mas considero a morte do Padre dos Balões tão aflitiva ou mais até do que a fatalidade ocorrida com a menina Isabella, episódio esse que não admite nem a piada ‘o que entra pela porta e sai pela janela?’, sob o risco de olhares tortos dos presentes.

De qualquer maneira, ainda acho que o bom humor é o escudo mais eficaz contra a loucura nos dias de hoje. É fundamental que façamos piada até daquilo que não se faz, das tragédias e das tristezas. É a maneira mais rápida de se desprender disso e continuar vivendo. Não chega a ser bonito, nem louvável, encontrar meia dúzia de jovens esclarecidos fazendo piada com o caso Eloá num boteco na sexta à noite. Mas depois de um tempo eu percebi que mais do que alienação ou falta de sensibilidade, se trata apenas de um mecanismo de defesa. Porque nesses dias doidos, se eu me entristecesse e deprimisse com todos os episódios chocantes que acontecessem, e não conseguisse por um minuto que fosse transformar a tragédia em comédia, eu já teria pirado.

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October 20th, 2008 | 10 Comments

Fuja para as colinas

Foto por Evelson de Freitas, da Agência Estado

Corrão!1111! todos. Fuja enquanto é tempo. Coloque sua família num carro e dirija sem destino. Estoque mantimentos no porta-malas. Compre um manual de sobrevivência de bolso, baixe centenas de audiobooks para tocar no som do carro e adquira revistas de caça-palavras para exercitar a memória. Daí, declare seu próprio exílio e suma daqui. É o fim do mundo, meu amigo. E sua única chance é correr.

Nenhuma outra situação explicaria o que aconteceu nessa quente e arrastada quinta-feira de outubro em Santo André. Nada explica a polícia ter DEVOLVIDO uma das reféns - menor de idade - para o sr. Lindembergue sob o pretexto de que ela ajudaria a negociar a libertação da pobre moça Eloá. Oi? O cara faz concurso público, estuda uma porção de anos, ouve grito de Capitão Nascimento no ouvido para aprender a lidar com seqüestrador em situação de negociador. Ele até ganha um uniforme bonitão, colete à prova de balas e tudo, com a palavra NEGOCIADOR bordado atrás. Formidável.

Aí ele manda uma menina de 15 anos subir no apartamento e fazer o trabalho por ele. Faltou desconfiar que em hipótese nenhuma isso daria certo.

Que tipo de polícia devolve refém menor de idade para seqüestrador?

Vai ver é do mesmo tipo de polícia que luta com polícia no meio da rua. Eu nunca imaginei que veria algo desse tipo. Na mesma quinta-feira quente e arrastada, mas uns 30km mais longe, policiais do Estado de São Paulo esbofetearam-se entre si numa briga sem precedentes. A pergunta que fica: enquanto eles brigam entre si, quem briga pela gente? Beleza que é no Rio, mas você sabe que faz parte do contexto - quem briga pelo diretor do Bangu 3, o sétimo diretor de presídio fluminense a ser assassinado em oito anos? Relatos diziam que ele era um servidor exemplar - óbvio que era, se não fosse e tivesse aceitado grana do CV não tinha morrido.

Eu avisei: corra enquanto é tempo. O ‘Servir e Proteger’ já se aposentou há um tempão. Com salário integral. Mas sem reajuste há uns 15 anos.

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October 17th, 2008 | 37 Comments

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