A essa altura, todo mundo já deve ter visto os novos quadrinhos ‘adolescentes’ da Turma da Mônica. Pra quem não tá sabendo de nada, o resumo: a Turma da Mônica, cujas aventuras eu costumava acompanhar mensalmente quando tinha 8, está ganhando uma versão teen:
Na nova revistinha, os personagens têm entre algo como 13 anos e foram destituídos de suas características mais legais: a Mônica se cansou de brigar com o Cebolinha e agora eles são amigos, a Magali não é mais comilona, Cebolinha fez sessões com uma fonoaudióloga e não fala mais elado e, por último, mas não menos decepcionante, o Cascão toma banho de vez em quando.
Todo muito reclamou da política correta e parece que a internet alguém com um bocado de tempo livre, em sua imensa sabedoria e onipresença, atendeu às preces de quem clamou por uma adaptação mais novela-das-9ish (adoro as palavras que eu invento) da Turminha:
Eu tenho um sonho. Nesse sonho, o mundo se vê livre de todas as consequências cruéis do capitalismo e as pessoas só tocam música se gostam de música. Nesse mundo, bandas anunciariam seu fim e terminariam em seguida do anúncio.
Infelizmente, num cenário desse, a gente teria menos motivos pra rir de coisas ridículas. O RBD seguiu a tendência das bandas-que-anunciam-o-fim-mas-nunca-terminam. Também estão na lista Los Hermanos e Sandy&Junior, mas os mexicanos bateram o recorde: eles vão fazer uma turnê de despedida de UM ANO antes do tão esperado fim definitivo.
Los Hermanos anunciou o fim e fez alguns shows - ok, compreensível, ‘vamos terminar mas a gente aproveita e faz um pé de meia’. Sandy&Junior fizeram a mesma coisa, vários shows ‘de despedida’, mas a eles eu dou o direito. Sandy&jUnior são parte do imaginário popular brasileiro. Eles estão aí, indo no Faustão, desde que eu me lembro. Eles podem fazer uma meia dúzia de shows antes de terminarem.
Mas o RBD ultrapassou todos os limites do bom-senso. O grupo anunciou que vai terminar. Mas antecedência no c* dos outros é refresco, então eles resolveram fazer isso um ano antes do fim. Ah, um detalhe besta: eles vão fazer 25 shows de despedida (vão passar pelo Brasil, inclusive) e vão gravar UM CD DE DESPEDIDA.
Provavelmente devam incluir no pacote um DVD de despedida (’É que o 14o. show de encerramento foi muito emocionante e queríamos transmitir um pouco dessa energia aos fãs que não puderam comparecer’, Anahí dirá, lágrimas nos olhos) e uma turnê extra de despedida (’Já que todos os ingressos dos últimos 10 shows se esgotaram em 8 minutos’).
Você avisa ao seu namorado que vai terminar com ele um ano antes de fazer isso? Não, você não avisa. Você demite um funcionário mas avisa que ele só deve ir embora um ano depois? Não, você não faz isso, cara. Quando você diz que vai acabar algo, você acaba em seguida. É o que as pessoas fazem desde o início da humanidade. Você não agenda términos.
Vamos supôr que você seja, sei lá, um estagiário em uma empresa. Seu contrato tem duração de dois anos. Aí você cumpre um ano. Sabendo que daqui a um ano você será mandado embora, você começar a enxer encher o saco do seu chefe para que ele te mantenha na empresa?
Claro que não. Senão o cara vai te demitir AGORA, porque vai achar que você é doido. E ansioso.
Infelizmente essa analogia não foi tão feliz, porque se as duas situações fossem realmente análogas, então o excesso de manifestações pró-continuação do RBD aceleraria o fim da banda. Uma pena.
A parte que realmente me intriga é se esses pequenos fãs, em nenhum momento, desconfiam do genial tino para negócios que esse grupo tem. Se não há uma desconfiança, ainda que mínima, de que isso tudo está sendo feito para manipulá-los a comprar a maior quantidade possível e jamais vista em todo o universo de ingressos para shows e CDs do RBD.
Mas só estou divagando. No fundo eu sei que isso não passa pela cabeça deles nem por um segundo.
Existe um marco na história das crianças hiperativas-superdotadas. Podemos definir esse marco como A.M. e P.M., ou Antes de Maísa e Depois de Maísa. Sim, porque existem dois tipos de crianças prodígio:
No segundo tipo, eu só encaixaria a Maísa e o Halley Joel Osment (porque ele vê gente morta, e só por isso).
A Maísa é um fenômeno de crítica e de público. Há quem ame e há quem odeie. Ela é uma criança de 5 anos que emite opiniões abalizadas sobre moda, comportamento, alcoolismo, finanças e religião. Há quem defenda que a menina é um pequeno gênio, uma graça, toda fofa. E há quem ache que um adulto preso no corpo de uma criança de cinco anos não é algo fora do domínio do bizarro.
As duas correntes se digladiam nos comentários dos vídeos sobre a Maísa, mas os grupos hão de concordar em uma coisa:
A menina é engraçada pra cacete. Ela provavelmente é treinada pra isso, o que é assustador. Mas engraçado.
No último domingo, Maísa foi entrevistada pelo Sílvio em um daqueles programas de fim de noite dele. Na entrevista, ela contou como se sente em relação ao seu pai e o álcool (’Eu fiz um trato com ele: ele não pode beber pinga. Nem cachaça’), conta o quanto almeja ganhar no SBT (’Queria uns 200 paus’) e tira uma onda com a cara do Sílvio quando ele pronuncia ‘Óvo’, e não ‘Ôvo’. Vou reforçar: é imperdível. Abaixo, as duas partes da entrevista:
Nesses vídeos, Maísa expressa toda sua religiosidade. Observem a expressão de êxtase na qual a face da garota se contrai quando Sílvio pergunta o que ela pediria a Deus se encontrasse O Homem andando pela rua:
‘Deus, me dá sua paciência, me dá sua calma…’
Foi isso que ela pediu. E não pode demonstrar mais sabedoria - ela já tem consciência que precisa ficar um pouco mais calma depois de ter engolido um vidro de anfetaminas.
Eu AINDA não assisti Batman, mas tô começando a pensar em não assistir definitivamente.
Quando eu falei que o Heath Ledger morreu porque ficou perturbado com a ‘imersão’ no Curinga, algumas pessoas falaram que era viagem. Depois, o Batman ‘bateu’ na mãe (ninguém sabe, na verdade, mas rolou um stress) e eu falei em maldição do filme, igual àqueles acidentes que rolaram no set d’O Exorcista.
O Curinga tá zoando um por um: matou o Ledger, que ousou se meter com ele diretamente; sacaneou o Christian Bale na noite de estréia do filme e agora, uma semana depois, acabou com Morgan Freeman. O ator, de 71 anos, teria dormido ao volante e capotou o carro que dirigia na noite do último domingo, 3. Ele usava cinto de segurança, mas o acidente (acidente?) foi sério e ele está internado em estado grave.
Se você não lembra quem é o Morgan Freeman (o que é difícil, mas vai saber)
Se alguém ainda tinha dúvidas do senso de humor do Curinga, acho que agora essas dúvidas foram solucionadas. Do jeito que a vibe desse filme tá esquisita, até assistir pode ser um problema. Por isso, hei de me manter longe do cinema até que algum astrólogo se pronuncie sobre as energias negativas envolvendo Batman: o cavaleiro das trevas.
A única que resta agora é quem é a próxima vítima?
Nem todo mundo admite, mas todo mundo sabe que tem gente que simplesmente nasceu pra dar certo na vida. É fácil reconhecê-las. É aquela sua amiga de infância muito, muito inteligente. Acima da média. Ou o seu amigo que canta super bem, escreve poesia super bem e tal. Você sabe que aquelas pessoas têm talento nato, algo impossível de adquirir por vontade ou, sei lá, treinamento. Faz parte delas ser foda. Elas não pediram por isso. Simplesmente estava lá.
É precisamente essa a sensação que eu tive quando tive contato pela primeira vez com as músicas do Jeff Buckley.
A estória é esquisita o bastante pra ser contada aqui. Nos anos 90, quando todo mundo estava preocupado em usar camisas de flanela e berrar no microfone, Jeff, filho bastardo de outro musicista, o Tim Buckley, fez fama cantando esse meio-blues-meio-pop-rock-meio-psicodélico (odeio tanto, tanto ter que definir música) em casas de shows de Manhattan. E ele foi ficando famoso, famoso, e famoso. E gravou um disco em 1993, o Grace, que está no meu top 5 de discos preferidos de todos os tempos.
E morreu. Afogado, no Rio Mississipi.
Sim, porque nem todo mundo admite, mas todo mundo sabe que normalmente essas pessoas muito, muito geniais acabam morrendo antes de mostrar tudo o que podem fazer. E é exatamente essa sensação que você vai ter depois de ouvir toda a discografia do Jeff Buckley - o disco de estúdio, Grace, os álbuns póstumos ao vivo e as demos, tudo isso vale a pena. Para quem não quer ficar ilegal, tem bastante coisa no YouTube. Pra quem quer ficar ilegal, tem bastante coisa no mininova. Escolha a orientação, hum, jurídica que mais corresponda aos seus ideias de internauta e seja feliz.
‘Seja feliz’ é mentira, por quê quase tudo do Jeff Buckley é a potencialização do estado de fossa profunda. Mas ainda assim é genial.
Claro que sou triste. Eu morri, pô.
Junto com o Grace, Buckley lançou uma versão de Hallelujah, do Leonardo Cohen, que foi classificada pela Time como uma das 500 melhores músicas de todos os tempos e pelo Olhômetro como música #1 para momentos tristes ou de despedidas em seriados e filmes descolados.
Eu ainda não assisti Batman. Calma, eu tenho meus motivos: estou dura, tenho trabalhado muito, estou sem dinheiro, tô trabalhando demais… e não tenho um puto. Pronto, meus motivos.
Mas o filme é claramente um fenômeno da cultura pop do século 21, e digo isso mesmo sem ter assistido, pela repercussão que Dark Knight causou. Não, não nos jornais e entre os críticos de cinema.
Esse filme é amaldiçoado.
Todo mundo que assistiu garante que depois do filme é possível compreender porque Heath Ledger estava ‘perturbado’: dizem que o Curinga tomou conta dele. For real.
E agora o Curinga tomou conta também do Christian Bale, o póprio-Batman-ele-mesmo. No dia da premiére do filme, a mãe a e a irmã do mocinho do filme o denunciaram por agressão em uma delegacia de Londres. A polícia só não prendeu Bale no mesmo dia porquê não queria atrapalhar a premiére. Ah, a educação britânica. Que classe. Nada de barracos no dia da estréia.
Christian Bale ‘coringado’ versão Cersibon
Ele foi detido hoje pra prestar depoimento e solto em seguida, após pagar fiança.
Esse filme e o elenco estão claramente tomados pelo espírito anárquico e caótico do Curinga. A coisa vai ser pior que em ‘O Exorcista’. Aguardem mais mortes entre a produção nos próximos dias.
Agora, outra hipótese: NINGUÉM pensa na possibilidade desse filme ser o melhor e mais bem arquitetado golpe de marketing de todos os tempos?
Primeiro, Heath Ledger morre. Depois, virais massivos de grande sucesso e jogos de realidade alternativa. Agora, o mocinho do filme soca a mãe e a irmã no dia do lançamento. Não existem coincidências, jovem padawan.
Editado: Batman não bateu na mãe, aparentemente. Parece que ele só ofendeu verbalmente, e isso dá cadeia no Reino Unido. Parece também que a mãe falou mal da mulher dele, e por isso Bale se irritou. A gente nunca vai saber, né…
A TV mente. De maneira extraordinariamente surpreendente, o único meio de comunicação que seria, em tese, inquestionável - já que trabalha com o que se pode ver e ninguém duvida daquilo que vê com os próprios olhos - é o mais fake de todos.
A TV é ruim. A produção televisiva de canal aberto é relativamente fraca, pobre, literalmente risível dado os absurdos que a gente vê. Alguns canais são tão toscos que vira tudo um grande bloco de programa humorístico não-intencional.
Acontece o seguinte: não sei se vocês já perceberam, mas alguns programas simplesmente não fazem sentido. Algumas produções de TV, apesar de supostamente tratarem da realidade, partem de uma premissa totalmente absurda. E ninguém fala disso.
Vamos conhecer agora os 5 programas de TV que, descaradamente não fazem nenhum sentido (mas ninguém fala nada sobre isso e todo mundo finge que tá tudo OK):
5. O Jogador (Record), Nada Além da Verdade (SBT) e qualquer jogo de perguntas e respostas cujos participantes são artistas
Oi.
Vamos dividir a sociedade em dois times:
- Time das pessoas anônimas;
- Time das pessoas que trabalham na TV;
Na nossa competição, ganha a equipe com o maior capital de dinheiro acumulado. Você sabe a resposta?
Ok, ignorem as variáveis e sejam práticos: atores de novelas, cantores, apresentadores - essas pessoas ganham dinheiro. Muito. E se não muito, é bem mais que você.
Então não faz sentido nenhum colocá-las em um programa de perguntas e respostas pra que eles possam ganhar ainda mais dinheiro, eletrodomésticos e outras coisas. Não faz nenhum sentido, já que elas poderiam facilmente comprar todas essas coisas com O DINHEIRO QUE JÁ GANHAM TRABALHANDO.
Como costuma dizer meu pai, o mundo está tão de ponta-cabeça que as pessoas que têm grana são as que ganham coisas de graça e não pagam pra entrar nos lugares, o que também não faz nenhum sentido.
Mas eles são artistas, a gente vai lá, assiste, torce por eles e beleza. É nóis.
4. Quebra-galho (MTV)
Esse programa é um mezzo-reality-show mezzo-programa-descolado da MTV. Funciona assim: vai um fulano lá e diz que quer alguma coisa. Varia; tem o cara que quer andar de skate, o que quer ser emo, o que quer fazer uma reforma no apê… a proposta da MTV é escalar um ‘especialista’ naquela coisa, e dar 50 reais pro fulano aspirante a algo conseguir o que ele quiser.
Até aí, beleza. Mas quem já viu sabe que ESSA-PORRA-NÃO-FUNCIONA. Todas soluções encontradas em todos os programas custam bem mais de 50 reais, mas aí vai o tal especialista lá e diz que conseguiu que o dono do estabelecimento vendesse coisas por 1/18 do preço original. Todos sorriem, talvez celebrando a sorte e o bom coração desse comerciante, e os espectadores vibram. Além disso, quase nunca a pessoa realmente se torna (na vida real, pra sempre) aquilo a que havia se proposto. Por coincidências, tive oportunidade de conhecer três infelizes que se submeteram à suposta transformação. Nenhum dos três logrou sucesso ou estendeu a tal ‘mudança’ pro dia-a-dia. Quebra-galho? Pffff.
Ok. Não tá óbvio PRA TODO MUNDO que eles recebem cada um 15 contos pra mentir nesse programa?
Na mesma linha, programa Márcia Goldschmidt, com um dos meus temas preferidos: “Mulher pede ajuda: ‘meu marido não toma banho!’”
2. Malhação
Comecemos analisando o nome da novelinha. ‘Malhação’ iniciou como uma série cuja trama se passava em uma academia. O Vídeo Show nos ajuda a relembrar no vídeo aí embaixo. Ah, como o Mocotó aprontava (e pesava 40 quilos a menos).
De alguma maneira alquímica, Malhação se transformou numa novela que não tem nada a ver com Malhação. Não. Se passa numa escola. E não tem nada de academia. Sinto falta de cantarolar ‘ainda vai levar um tempo / pra curar o que feriu por dentro…’
Tirando isso, a Malhação é o retrato mais inverossímil possível da juventude brasileira, mas a mesma juventude continua dando audiência pra essa novela. Mas o motivo é óbvio: eles querem que os pais fiquem pensando que eles não usam drogas, não matam aula pra tomar cerveja (e só tomam suco, isso depois que o sinal bate) e são maduros como alguém de 25, mesmo tendo 16. Para isso, fingem se identificar com um programa que une todas essas características. Brilhante! Sem contar os alunos que passam 6 anos no ensino-médio, os vilões e mocinhos, as armações estudantis e todo o resto.
Mocotó saiu da Malhação, acabou com 50 quilos a mais. RÁ! Got it?
1. Domingão do Faustão
Eu não preciso explicar, né? Um tio sem graça que interrompe os entrevistados o tempo todo, globais comendo pizza e gente empilhando cadeiras no queixo em até 30 segundos. O líder de audiência do show de horrores da TV de domingo tem um dos maiores salários da televisão brasileira: mais de R$1 milhão de reais por mês. OLÔCO, MEU! BRINCADÊRA! Sem contar que o Domingão do Faustão guarda o maior enigma da TV do país, um tema que é até tabu, já que todo mundo já vIu tanto que nem nota a estranheza da cena: QUEM, EM NOME DE DEUS, SÃO AQUELAS PESSOAS CUJOS NOMES ELE LÊ NO PAPELZINHO ANTES DAS CASSETADAS? E PORQUÊ ELE FAZ ISSO?
Research by a Washington State University linguist found that people who tell bad jokes often endure an astonishing outpouring of hostility from the listeners.
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