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Cinco motivos para não temer o Large Hadron Collider

Acho engraçado que tenham feito tanto alarde em cima do Cern, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, e o Large Hadron Collider. É claro que a maioria das pessoas não fica exatamente satisfeita quando lê que uma máquina pode ser capaz de criar um buraco negro que engoliria a terra em algumas frações de segundo.


Olhando assim dá medo mesmo

É claro também que muita da implicância com o experimento vem da ignorância. Muitas entidades religiosas acusaram os cientistas do Cern de estarem ‘brincando de Deus’.

Mas eu, ao contrário do Quase-físico, francamente, não vejo motivos para temer.

1) Rápido e indolor
Para começar, se a coisa de fato acabar, vai ser muito rápido. Ninguém sai sentir nada. O buraco negro e sua gravidade altíssima acabaria com a terra em centésimos de segundos.


2) O fim não é tão ruim assim
Em segundo, se você for religioso e acreditar em vida após a morte, vai ter a oportunidade de, finalmente, se unir ao seu criador. Você deveria estar feliz, afinal, você tem esperado esse momento por toda a sua vida, e como bom cristão/muçulmano/etc, não há o que temer. Fora que, sendo Deus onisciente, ele não está exatamente surpreso, pois sempre soube que o Cern seria criado e destruiria a Terra. Lembre-se que tudo que acontece aqui é por vontade dele.

Se você acreditar que a morte é o fim, e que não há nada além da carne, então não há com o que se preocupar, já que o fim absoluto é algo indolor e bem passivo, e não mais existir não vai demandar muito esforço de você.


3) Vai ser melhor desse jeito
Em terceiro lugar, acho que no fundo vai ser melhor para nós. É, a Terra não tá exatamente do jeito que nós gostaríamos. A receita desandou. Acho que todo mundo que tem bom-senso concorda com isso. E as coisas só tendem a piorar. Lembra do que disse Neil Young (e reproduziu Kurt Cobain)? ‘É melhor apagar de uma vez do que ir desaparecendo aos poucos’. Acho que, na história do universo, seria mais digno que desaparecêssemos antes de termos mais oportunidades de destruir mais coisas. Pelo menos a gente ia sair melhor na foto.


4) É tudo mentira


Se você achou perturbadoramente grande, não clique para ampliar

O quarto motivo para não ter medo do Large Hadron Collider é que ele é inofensivo. Essa tese é defendida por gente importante, gente que realmente entende do assunto. Ao contrário do que se disse, a experiência do Cern não vai reproduzir o big-bang. Neste artigo imperdível do Aliás (o caderno mais legal do jornal O Estado de S. Paulo), o coordenador do Instituto de Cosmologia, Relatividade e Atrofísica, Mário Novello, que além disso tudo ainda é doutor em física, explica:

“Embora as experiências no Cern possam reproduzir condições de energia que existiram livremente no universo quando ele estava altamente condensado, elas não reproduzirão as condições do big-bang, se com esse termo se está identificando o suposto momento único de criação do universo. Tecnicamente, isso é impossível, já que na versão big-bang para o começo do universo as quantidades físicas seriam infinitas, um valor que não poderemos jamais atingir.”


5) Gente legal não destrói a Terra

Depois de tanta perseguição, os cientistas do Cern, responsáveis pelo projeto, resolveram se explicar. E o jeito mais legal que encontraram para fazer isso foi através de um rap. A letra explica direitinho a função do LHC, como ele vai funcionar e quais descobertas científicas poderão surgir do experimento. Infelizmente, as legendas tão em inglês. Esses caras parecem legais, divertidos e tal. Você acha que eles seriam capazes de destruir a Terra?

(Via Estadão)

August 22nd, 2008 | 7 Comments

Prevendo o pior: como Oscar Quiroga sabia que meu notebook quebraria

Me chamem de ingênua (ou de burra mesmo), mas eu leio e acredito em horóscopo diário. Não se trata, porém, qualquer horóscopo diário: eu acompanho exclusivamente as previsões do grande mestre Oscar Quiroga.

E nesse post eu vou provar, com um exemplo prático, como a sabedoria das previsões do Oscar podem ser verificadas nas adversidades diárias.

O horóscopo de ontem (3 de junho) para o meu signo, Touro, dizia:

Sua alma não possui todas as informações, pois o futuro reserva surpresas, o inesperado está à caminho. Por isso, ainda que você tenha a pretensão de assegurar-se de todas as formas possíveis, sempre ficará uma brecha por onde entrar o inesperado.

Corta para uma cena minha, de um mês atrás. Decidi, finalmente, que compraria um notebook - com ou sem lucros no Adsense. Dando início à minha pesquisa de preços e modelos, tentei escolher a marca mais confiável em custo/benefício, e que tivesse a menor probabilidade de me oferecer problemas, já que eu tenho um longo e familiarmente conhecido histórico de desentendimentos com aparelhos eletrônicos de todos os tipos, marcas e modelos (coisas minhas que deram problemas irresolvíveis em menos de 3 meses de uso nos últimos 3 anos: desktop, mp4, câmera canon, discman panasonic, impressora epson e pelo menos três aparelhos de celular, um siemens, um motorola e um nokia).

Baseada nisso, acabei me decidindo pela Dell e seu então incrível Inspiron 1525:

dell inspiron 1525

O notebook chegou em inacreditáveis CINCO dias úteis, contra os 13 prometidos pelo vendedor e os mais de 30 dos quais muitos consumidores têm se queixado pela internet afora. Eu deveria ter desconfiado logo ali que havia algo de errado.

Volto ao horóscopo. Na madrugada de segunda pra terça, li o Quiroga e fiquei pensando sobre o que ele poderia estar falando. Chegou a passar - bem rápido - pela minha cabeça que a única coisa com que tenho tentado me certificar era o notebook, mas seria o clichê do clichê, afinal, comigo sempre acontece, então descartei.

Poucas horas depois, estava usando o computador e absolutamente sem aviso (claro que foi sem aviso, mas peço licença para usar este belo recurso discursivo) a luz de fundo do LCD apagou-se completamente. Puff.

ÓBVIO que o horóscopo estava dizendo que não importou o quanto eu procurei e tomei precauções para adquirir o note com menor probabilidade de quebrar, a maldição da zica de equipamentos está sobre mim eternamente e nada, nada que eu compre vai ficar sem dar problema no terceiro dia. Nada.

Ou então eu, de alguma maneira, sou capaz de provocar interferências involuntárias em equipamentos eletrônicos. Eu não duvidaria: afinal, seria mais um argumento para a tese de que eu sou uma alienígena.

E na boa, sempre que eu chego perto de uma TV chuviscando ela pára. Sério.

Nota: ainda não tive tempo de ligar no suporte da Dell. Pretendo pedir a troca por um notebook novo, já que segundo o código de defesa do consumidor, é possível devolver um produto comprado por internet/telefone dentro de sete dias sem nenhum motivo - bem, eu tenho um ótimo, já que não quero um notebook refurbished com 4 dias de uso. Tirando o pequeno inconveniente, o 1525 é muito bonito e rápido, e tem um bom custo benefício. Talvez role um review depois que eu resolver o problema, mas antes será necessário observar de perto como isso vai se desenrolar. Como já mencionei, não tenho exatamente muita sorte com aparelhos eletrônicos, suportes e assistências técnicas…

June 4th, 2008 | 5 Comments

Zeitgeist, o documentário: teoria da conspiração?

Eu nunca duvidei das conspirações. Meu interesse pelas coisas que ninguém pode saber existe desde que eu me lembro. Aos 8 anos já andava com revistas sobre U.F.Os debaixo do braço. Às vezes eu tenho certeza que vim de outro planeta.

Não sou cética, mas uma coisa a faculdade de Jornalismo me ensinou: nunca acredite em nada antes de checar. Isso contribuiu enormemente na minha busca pelo conspiratório, dado que agora sou mais seletiva com aquilo que leio e em que acredito. Na busca pelas fontes, acabo pesquisando mais e as coisas ficam mais fáceis de acreditar. É um paradoxo.

Numa dessas andanças, cai na coluna do Marcelo Del Debbio, no Sedentário&Hiperativo. Lá, encontrei muita informação sobre religiões, ocultismo, sociedades secretas e todas essas coisas que descabelam pastor evangélico. Uma delas foi o Zeitgeist.

Zeitgeist: the Movie

Zeitgeist: the movie é um filme produzido em 2007. Dizem pelo Google por aí que a exibição foi proibida em diversos países, inclusive no Brasil, mas acho que é mentira porque não encontrei informação oficial acerca disso (além do mais, proibir o filme seria dizer que ele fala verdades, e isso é perigoso). No site oficial, você pode baixar o filme de graça, ou assistí-lo (com legenda em português) no Google Vídeos.

Num resumo criminoso, o documentário é o seguinte: três partes. A primeira explica porque Jesus e o Cristianismo são uma farsa, e que toda a idéia dele é na verdade uma amálgama de crenças anteriores ao Cristianismo. Beleza, meio impreciso e um pouco “superficial”, mas é compreensível, já que o filme pretende ser didático e atingir o maior número possível de pessoas. Além disso, o filme sugere que Jesus, a figura histórica, nunca existiu, e eu não acredito nisso. Mas com essa tese inicial, o autor prova a força do mito na manipulação das massas. Beleza.

Partes dois e três: aí que o negócio dá medo. O documentário mostra a farsa 11 de Setembro (eu já estou convencida de que foi tudo forjado) e como a Guerra no Iraque e outras guerras americanas são parte de um plano minuciosamente arquitetado, cujo único objetivo é controlar o mundo e catalogar com um chip todas as pessoas.

Como assim, Bial?
Como assim, Bial?

Daí você pensa: “Putiz, que paranóia. É muita viagem pra ser verdade, e se fosse, alguém já teria feito alguma coisa”. Lembre-se: é exatamente isso que eles querem que você pense.

Não custa assistir, não sem antes ligar o senso crítico. Nunca dá pra acreditar 100% em tudo, embora todas as fontes possam ser encontradas nos créditos do filme e no site oficial. Mesmo assim, se você não acreditar em nada, pelo menos deve gerar alguns questionamentos, e questionar-se nunca é ruim (só a igreja acha isso). Quanto a mim, já estou correndo para limpar meus registros online, trocar de nome e dissociar absolutamente meu “eu virtual” do meu “eu real”. O Google vai ser fundamental no controle da população e eu quero estar bem longe quando isso acontecer.

April 21st, 2008 | 4 Comments

Aumente seu pênis

Tem uma falha grave nesses anúncios e sites que prometem aumentar os pênis daqueles que estão insatisfeitos com o tamanho do seu, er… instrumento. Fora o fato das promessas vãs, do tipo “aumente 4 cm de diâmetro em 4 meses de exercícios” (sim, andei pesquisando pra fazer o post), tem um lance que acaba com toda a credibilidade da promessa: um sistema de “enlarge your penis” nunca vai ser do tipo “perca 10 kilos em 5 semanas”, no qual a mulher relata, satisfeita, os percalços que enfrentou para passar de gorda e rejeitada para gostosa e desejada tão rapidamente.
Num serviço de “aumente seu pênis”, você pode até ver fotos de antes/depois (que não vou reproduzir para não abaixar o npivel do blog), que são absolutamente inacreditáveis, mas nunca vai ouvir um depoimento acalorado de um entusiasta da técnica que, se identificando com felicidade, confesse uma insatisfação prévia com o tamanho do seu amiguinho. Homem nenhum assumiria que teve que se render a técnicas artificiais de aumento de pênis.
Ou seja: é impossível acreditar nessas técnicas de aumento de pênis, porque não existe nenhum depoimento crível, daqueles que você pode assistir e ver o brilho da conquista nos olhos do cliente. Mesmo assim, aposto que essas técnicas bizarras têm milhões de adeptos, mesmo sem terem comprovação científica.
O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Sidney Glina, explica em uma matéria de Antônio Prata para a Revista Piauí:

“(…)ainda não foi desenvolvido nenhum tratamento eficiente e seguro. Há cirurgias plásticas mas, segundo Glina, são perigosas. A técnica mais comum consiste em cortar um ligamento que prende o pênis ao osso pélvico e puxá-lo de um a dois centímetros para fora. (Cerca de um terço do pênis fica dentro do corpo). Assim, ganha-se em comprimento. Enxertos de gordura e outros materiais podem engrossá-lo. Segundo Glina, no entanto, na literatura médica há mais estudos sobre conseqüências indesejadas das cirurgias do que seus supostos benefícios. (A gordura é absorvida, formando nódulos; a cicatrização pode puxar o pênis para dentro, deixando-o menor do que antes e, com o ligamento cortado, quando rígido, o pênis fica para baixo). Por isso, o Conselho Federal de Medicina considera todas as cirurgias de aumento peniano experimentais. ‘Só deveriam ser feitas em hospitais universitários, e de graça’”.

O mais curioso (e isso, inclusive, é mencionado na matéria), é que homem nenhum quer aumentar seu companheiro (quantas expressões diferentes para “pênis” vou encontrar para usar até o fim do texto? Quem acertar nos comentários ganha inteiramente grátis um manual de aumento peniano) o faz por causa de reclamações da namorada ou coisa assim. A preocupação é no vestiário. É, vergonha dos amigos - a maioria dos problemas masculinos, tenho observado, originam dos amigos deles. Lembre-se do quão invasivo é o banheiro masculino, apesar da regra não-pronunciada de olhar somente pro seu.

April 2nd, 2008 | 2 Comments

É tudo verdade

Já que não existe mais mentira (é viral) e que a tendemsia é essa mesmo, vamos a lista de mentiras mais curiosas em que consegui pensar hoje:

Augusta de dia

- Rua Augusta: a Rua Augusta é uma das grandes mentiras de São Paulo, na mesma proporção em que o Acre é uma das grandes mentiras do país. É muito óbvio que a Augusta é uma rua totalmente diferente de dia e de noite, mas já pararam pra pensar nesse “totalmente”? Porque assim, eu já notei que os puteiros, todos, somem. Ficam inidentificáveis. Milagrosamente, durante o dia, surgem dezenas de lojas de sapatos e tênis, além das lojas de roupas. A Rua Augusta é uma farsa; os puteiros e as baladas absurdas se transmutam em lojas de sapatos caretas durante o dia.

- Programas de barracos familiares: são todos combinados. Sério. Tá, eu sei que é difícil acreditar que as pessoas podem se tornar atores e atrizes fantásticos por 50 pilas, mas pô, não é todo dia que se ganha 50 pilas. Aproveitando: pegadinhas, todas mentira. Até as do Ivo Holanda. Quebra-galho MTV? Mentira. Ou você acreditou que tem alguém que quer virar emo?

- “Aguarde um momento, estaremos te transferindo pro setor responsável”: Pfff.

- “Eu não sei porquê assisto Big Brother…”: é mentira, cara, você sabe. Assuma seu sadismo, voyeurismo barato, seu gosto por programa bagaceiro e seja feliz.

- “Fique rico com seu blog”: não pra desanimar ninguém nem nada, mas eu tenho U$2,10 de Adsense em 3 meses. Claro que os mais atentos apontarão dezenas de problemas que podem ser responsáveis pelo meu insucesso, mas o que me interessa é que esse negócio de ficar rico com seu blog é pra otários que acreditam. E pro Interney.

- O programa do Márcio Garcia, O Melhor do Brasil, é ruim: puta programa bom. Ou você não vê a genialidade nas apresentações dos pretendentes e o sotaque Sãobernardense das moças ao dizerem “hoje não, márcio, ele é muito novo”? Sábado à tarde, nada pra fazer…

- Tekpix: é uma das grandes mentiras da humanidade. Mais de 1200 paus, parcelados em muita, muitas vezes, por uma câmerazinha safada que clama fazer de tudo (fotografa, filma, toca música, é webcam, lava, passa, cozinha, desinfeta, amacia…) e vende milhões. Vocês não enxergam? É tipo a marca da besta se instalando.

- A colisão de átomos que vai virar buraco negro e engolir a terra: puta merda, to cagando de medo disso. Quero muito acreditar que é piada de primeiro de abril. Porque, vamos falar sério, é um jeito genial da humanidade acabar. Tipo, a ganância do homem por chegar onde ele não deve o levou a sua própria ruína. Poético e grandioso, como deve ser o nosso fim. É muito perfeito pra dar errado. Medo.

April 1st, 2008 | 10 Comments

Joinha?

April 1st, 2008 | Leave a Comment

Como me tornei nerd: minha trajetória


Me aproveitei das ausências (das outras pessoas que postam) pra abusar dos posts pessoais, mas é também que ando sem criatividade pra comentar notícias toscas e sem tempo pra ouvir coisas novas e indicar.

No caminho para o trabalho, por algum motivo fiz uma retrospectiva mental de como eu me tornei nerd e me dei conta que eu não tinha escapatória. Comecei muito cedo, provavelmente nasci pra isso. Já aos 7 ou 8 anos eu dava sinais de que seria nerd.

Segue a timeline:

1993 (5 anos): papai finalmente me ensina a ler, recitando trechos da Bíblia para mim - nunca vou me esquecer, e ele pode confirmar nos comentários, de quando me explicou, afoito, que ‘abundância’ nada tinha a ver com bunda.

1995 (7 anos): alfabetizada, começo a estudar inglês na escola da minha prima. Provavelmente por essa data, inicio uma das dezenas coleções de fascículos de banca (que nunca cheguei a terminar): pedras preciosas, dinossauros e insetos (os dois últimos, com esqueletos que brilhavam no escuro, ok? No escuro!!)

1997 (9 anos): por causa do meu kit de pedras preciosas, eu queria ser arqueóloga, mas a bruxa professora da terceira série me lançou uma praga disse que eu ia ser jornalista. Nessa época eu já escrevia umas redações porretas, que denunciavam as injustiças sociais vividas por uma jovem criança de 9 anos num mundo competitivo e globalizado.

1998 (10 anos): tentei traduzir ‘Pretty Fly for a White Guy’ e o manual de instruções do Banjo & Kazooie para 64, sem sucesso; também comecei a comprar boosters (era como a gente chamava) de Magic: The Gathering. Se não me engano, era a época da 5ª edição, mas eu peguei um pouco de Miragens. Eu também desenhava personagens das revistas em quadrinhos que via na revista Wizard (aquela versão brasileira).

1999 (11 anos): decidi que queria aprender HTML. Esqueci de mencionar minha evolução como nerd da internet, que começou aos sete também, mas sempre em paralelo com as minhas nerdices (tipo, eu procurava sites sobre Magic quando comecei a jogar, e coisas assim). Enfim; fui fazer um curso de webdesign e aprendi HTML. E também, nessa época, comecei a moderar a Lista Tormenta, que era uma lista de jogadores de RPG que produziam conteúdo semi-oficial pro universo do jogo (não podia ser mais nerd).

2000 (12 anos): fui hostilizada pelos meus coleguinhas da sexta-série por ser “muito chata”. Começam aí os primeiros sinais do bullying que os nerds sempre sofrem. Ou os chatos sempre sofrem. Imagine uma nerd chata, então! Ugh!

2001 (13 anos): me vicio no Pearl Jam e começo a participar do projeto que visava a criação de um grande portal / fã-clube da banda. Resultou no www.pearljambrasil.com, até hoje o maior site do Brasil, que inclusive teve (dizem) papel importante na vinda da banda pro Brasil. Eu acho que é tudo balela.

2002 (14 anos): nada aconteceu, e na minha única tentativa de ser mais descolada (algo do qual me envergonho hoje, mas tudo bem: eu comecei a distribuir flyers da matinê da balada mais quente de Santo André, a Ocean Drive), fui repreendida veementemente pela diretora da minha escola - “…esse antro de drogas e prostituição!”, ela disse - e pela minha família.

2003 (15 anos): tive um curto-circuito cerebral ao me mudar para um colégio aos moldes do Múltipla Escolha Elite High School e não fazer parte da turma dos populares. Ou não me encaixar em nenhuma das turmas. Comecei a me vestir como uma mendiga. Não me pergunte a relação.

2004 (16 anos): Jesus a terapia me salvou.

2005 (17 anos): me adaptei ao colégio no último ano, mas jamais neguei minha condição de nerd e não fiz viagem de formatura. Porto Seguro, nem pensar. Nesse ano, ganhei um concurso de redação no colégio, que me deu fama, fortuna e mulheres.

A partir daí, o gosto pelas coisas tecnológicas-nerds só aumentou. Digamos que o único sinal que eu tenho dado que denota, talvez, uma inclinaão à não-nerdice é minha total ausência de habilidade matemática (embora eu seja muito boa em lógica). Comecei a atrair todo tipo de nerds (meus amigos variam do tipo que estuda Ciências Moleculares e me explica a Teoria das Cordas toda semana, até o tipo que gosta de quadrinhos e games e animês. Argh), o que me deixou mais segura e me fez cultivar uma espécie de orgulho nerd - e culminou nesse post, no meio de uma segunda-feira chuvosa. Meu consolo, no fim, sempre foi ouvir de um amigo meu (muito malandro, por sinal), que eu era a nerd mais descolada que ele conhecia. Ainda bem.

Editado: o meu leitor mais pentelho atento (o Eric) chamou atenção pro fato de eu nunca ter mencionado a criação de um blog. Gostaria de deixar claro que, de 98 a 2001, tive aproximadamente 4 ou 5 sites que abordavam os mais variados assuntos (RPG e Harry Potter), fora a produção de conteúdo em fóruns. Meu primeiro blog data de 2002, mas era um diário piscante; em 2005, tive outro, que ainda está no ar (mas é sigiloso), um relato mais triste e cruel da minha dura vida. O Olhômetro é o meu terceiro blog, o que com certeza me caracteriza como uma nerd da mais alta estirpe.

January 21st, 2008 | 8 Comments

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