10 coisas para tirar a (minha) vida do tédio

Minha vida tá parada. Morna. Correta. Eu acordo, às vezes vou na faculdade, vou para o trabalho, chego às 23h30, leio meus feeds, durmo, acordo, às vezes vou na faculdade… é um ciclo sem fim. Quando tô de saco cheio, não dá para pensar ‘acabou o dia’, porque no dia seguinte recomeça tudo de novo. Não dá para pensar ‘o fim de semana tá aí’, porque logo o fim de semana acaba, eu não faço nada de diferente nele e vem a segunda.

(Breve pausa para falar da segunda)

A segunda é o dia mais desesperançoso da semana. A segunda é um dia cruel. Te tira da alegria daquele oásis que são o sábado e domingo no meio dos áridos dias úteis e te joga no meio do panela fervendo. Você não tem opção senão voltar pro tédio. Isso é o que a segunda representa para mim.

(Fim da breve pausa)

A falta de acontecimentos ligeiramente interessantes têm sido inclusive um problema aqui no blog, já que se nada acontece na minha vida, não há sobre o que escrever.

É por isso que eu tenho pensado em certas coisas para sair dessa rotina chata. Essa lista não foi pensada à força, todas as coisas realmente passaram pela minha cabeça de um jeito ou de outro nas últimas duas semanas. Não vou conseguir colocar a maioria em prática, mas não deixa de ser um conselho útil para alguém que está disposto a um pouco de aventura.  Viver é preciso. E eu estou lendo Hunter Thompson, o que me faz ter vontade de jogar tudo para o alto.

Ler Hunter Thompson

Não, esse não é o Gracindo Junior

O cara é um gênio da porra-louquice. É bom para te incentivar a fazer qualquer uma das coisas sugeridas aqui, ou seja, antes de qualquer coisa, leia Hunter Thompson.

Ter e executar uma idéia simples e revolucionária

Acho que isso é o tipo de coisa que pode te tirar da rotina. A maioria das pessoas passa a vida inteira sem ter uma idéia revolucionária. E mesmo na parcela da população que as têm, pouquíssima gente as executa. Fique atento aos seus pensamentos mais estúpidos: os grandes gênios da história sempre descobriram as coisas quando estavam pensando em algo totalmente contrário ou absurdo (ou assim os livros querem que a gente pensa, para que a história tenha graça).

Assaltar um banco

Certamente assaltar um banco é algo capaz de causar turbulência em uma vidinha pacata. Mas é ilegal (para alguns, isso faz parte da diversão) e não sei se as possíveis conseqüências valem a adrenalina do momento.

Aprender algo novo realmente legal

Nunca surfei, mas sempre quis aprender. Surfar deve ser uma daquelas coisas unânimes, não deve existir quem tenha surfado e dito: pô, isso é uma merda, nunca mais vou surfar. Nunca é tarde para aprender. Andar de skate é outra opção mais prática, pois dispensa a necessidade de litoral e de roupas de neoprene ridículas. Outra coisa que seria legal aprender é eletrônica - seria capaz de fazer todos aqueles mods nos meus gadgets. Ou fotografia. Criptografia! Sempre quis aprender criptografia. Gastronomia…

Viajar para um lugar muito louco

Por ‘muito louco’, digo um lugar daqueles que as pessoas dizem que são ‘misteriosos’. Tipo a Índia, ou Macchu Picchu. Ou conhecer templos de Monges Tibetanos. Coisas realmente diferentes, não ir para a praia no feriadão. Eu estive tentando organizar uma viagem de quatro dias, na véspera do Natal, para São Tomé das Letras, em MG, mas tem estado tão difícil convencer as pessoas que eu estou considerando ir no esquema mochilão-solitário. Já é um aquecimento para o futuro.

Se mudar

Po, não tenho dinheiro, mas me mudar seria algo realmente diferente. Durante meses eu ia ocupar minha cabeça com as coisas de uma nova casa, fora as outras possibilidades que morar sozinha traria (e dificuldades, também). Daria para ocupar a cabeça por um tempão.

Fazer um pacto com o diabo

Não sei, mas seja lá o que isso signifique, provavelmente agitaria a minha vida por um tempo. O problema é que eu me canso logo das coisas, e parece que com o diabo não há rescisão de contrato. Quer dizer, até há, mas a multa é complicada. Mesmo assim, se alguém tiver interesse

Cancelar todos seus velhos amigos e arranjar novos

Se a sua vida está um tédio, formate-a. Apague todo mundo que é possível dela e troque todo mundo por gente nova. E o mais sensato é começar pelas pessoas que você conhece.

É brincadeira, gente. Tamo junto.

Entrar para uma sociedade secreta

As sociedades secretas tão aí, cara. Não olhe para trás, você pode se deparar com um membro delas. E participar de uma deve, pelo menos, prover segredos interessantes sobre coisas importantes para alguém que está fundamentalmente em busca de sentidos. Por isso, faço um apelo: me convidem, sociedades secretas.

Sabotar seu cartão de passes de ônibus

karreganakatraka

Mas olha, no fim das contas, a vida é bem menos glamurosa. Eu pedi uma quebra de rotina e foi isso que eu ganhei: meu Bilhete Único pifou do nada e agora eu vou ter que acordar cedo e ir até a SPTrans, pegar uma fila dos infernos, para ter meu cartão trocado. Isso não acontece com freqüência. É, sem dúvidas, uma quebra da rotina. Obrigada, universo. Você conspirou a meu favor.

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November 25th, 2008 | 9 Comments

Comprei um iPod Touch!

Na semana passada, comprei um iPod Touch de 16GB, da 1ª geração. E é um aparelho tão útil que eu fico até sem graça de chamá-lo de MP3 player.

Sim, ele toca música. Não daria para não notar, já que estou ouvindo música neste momento. Mas ele é também um editor de textos portátil, e isso seria ainda mais difícil de deixar passar, já que é a primeira vez que escrevo um post do ônibus, indo para a faculdade.

No geral, ele é um iPhone sem câmera, 3G, bluetooth, microfone e que não faz ligações, mas tudo isso é facilmente superado pelo meu aparelho celular (que quase morreu na noite desta quarta, mas segue respirando por aparelhos). Menos pelo 3G, mas eu nem teria dinheiro para o pacote de dados, então não tem problema.

Além disso, como sou uma ávida “ouvidora” de música, achei que seria imprudente comprar um iPhone e dividir todas as funções para a mesma bateria, que não ia durar muito.

Já instalei milhões de aplicativos (60, para ser exata) entre jogos realmente divertidos, utilitários de texto e RSS, coisas que tornam as possibilidades do aparelho infinitas.

A moral é que foi um dinheiro incrivelmente bem investido. É fantástico poder escrever e editar os textos de onde eu quiser (e se tiver wi-fi, publicar), ouvir música, jogar, converter unidades, ver vídeos, fazer contas, ver arquivos - tudo num aparelho só.

Alguém pode dizer que já tá meio tarde para fazer uma review desse aparelho. Mas o review é para pessoas como eu, que não pensavam seriamente em ter um porque não faziam idéia de como um gadget desse pode mudar sua relação com a internet. Para melhor.

É caro (no Brasil), mas vale toda a grana investida.

Ok que daqui a 10 meses ainda estarei pagando o Touch do ano anterior, mas pobre é assim: ou parcela ou junta dinheiro. E eu não sou das mais econômicas…

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November 21st, 2008 | 11 Comments

Paulo Coelho, o sobrevivente

Semana passada, eu terminei de ler o livro responsável pela maior quantidade de olhares de reprovações, muxoxos e resmungos literários de toda a minha vida. Nem quando eu li ‘Deus: um delírio’ diante do pastor que pregava dentro do trem fui tão crucificada só por querer conhecer o conteúdo de algumas páginas.

Curioso? Prepare as pedras:

‘O Mago’ é a biografia do escritor mais amado e odiado do mundo, Paulo Coelho, escrita e apurada fantasticamente pelo jornalista Fernando Morais.

Nunca li nenhum livro do Paulo inteiro, mas desde que tomei contato com todos os meus ‘formadores’ de opinião - literária, inclusive - ouço que o que ele escreve é lixo. Desde pequena, familiares, professores e amigos que também são fãs de livros desrecomendaram qualquer coisa dele. Desrecomendaram o próprio e qualquer referência a ele, se possível. E o cara é tão odiado, tão odiado, que até ler a história da vida dele causa repulsa. Até meu chefe fez ‘aaaargh’ quando viu o livro.

Desde que decidi ser jornalista, decidi também que para isso seria fundamental me livrar de todos os preconceitos. Não aqueles feios, que dão cadeia, porque quanto àqueles nunca tive problemas. Falo dos pequenos, os cotidianos, aquelas generalizações do dia-a-dia - meus preconceitos musicais, os culturais, os sociais e os literários.

É óbvio que ainda estou distante de atingir o objetivo de forma plena (ainda odeio nova MPB e livros de auto-ajuda), mas por mais chato que pareça esse papinho, sigo tentando e tenho conseguido resultados extraordinários. Por exemplo: nos meus tempos rebeldes, não assistiria Superpop e portanto não tinha tanta noção da magnitude da estupidez do homem. Naquela época, também não teria tido a chance de ler um livro tão incrível.

Não sei se Paulo Coelho escreve mal, mas ele é um dos escritores mais prestigiados do mundo e isso é mérito dele. Não sei dizer porquê, por aqui ele não tem tamanho prestígio, o que para ele deve ser muito chato, uma ironia triste. E por mais que você, pseudo-intelectual, queira, não dá para negar a importância do cara. Cedo ou tarde, precisaremos reconhecer que ele deve ter algum talento, afinal, vender tanto, para tanta gente e ser aclamado assim não é para qualquer um.

O cara é tão popular que até a máxima dos shows de rock tem a ver com ele, afinal se o ‘toca Raul’ fizer referência a qualquer um dos clássicos do Maluco Beleza, então Paulo Coelho foi responsável pela letra.


Você sabe, então canta: VIVA! VIVA!

E, sendo ruim ou mau escritor, nenhum impede que sua história de vida seja interessante, ainda mais nas palavras de um escritor tão talentoso, com um texto tão natural. A ‘interessância’ da vida de Paul Rabbit é algo que se torna inegável ao ler o livro: um cara que sonha em ser um escritor ‘lido em todo o mundo’ desde os oito anos, foi internado em hospício e tomou eletrochoque, usou drogas , compôs clássicos do rock nacional que estão até hoje na ponta da língua de todo mundo, e ascensão a grande escritor e a fama e prestígio mundiais, a ponto de lotar livrarias ao redor do mundo para dar autógrafos, entre outras nuances fantásticas (como a verdade por trás das sociedades secretas das quais ele participou e ainda participa, coisas que nem são contadas no livro). As passagens extremas em ‘O Mago’ são tantas que o autor, a princípio, iria chamar o livro de ‘O sobrevivente’.

Mas só leia o livro se você gosta do cara ou não tem opinião formada. Os que já tem pé atrás correm o risco de começar a admirá-lo, e isso seria inadmissível. Se eu fosse um Paulo Coelho hater, não correria o risco.

Acima de tudo, o mais importante é tirar a prova por si mesmo. Fucei aqui em casa e achei umas cópias de O Alquimista e Diário de um Mago. Vou encapar com uma capa falsa bem chata pseudo-intelectual, tipo ‘Crime e Castigo’ ou algo do Nietzche que é para ninguém me encher o saco ou me olhar feio e vou finalmente ver, por mim mesma, se esse cara é bom ou ruim.

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November 18th, 2008 | 14 Comments

Juventude perdida

Na minha época, a gente chamava de ‘pestinha’ aquelas crianças mal-comportadas. Mas naquela longínquia época, ser travesso era colocar um papel escrito ‘me chute’ na blusa do inspetor. Aquelas crianças seriam pequenos e doces anjos comparados aos monstrinhos de hoje.

Isso sim é saber lidar com valores desde cedo. Sacou? Ahn?

Eu tenho aversão a crianças mal-educadas – e a seus pais. Adoro crianças gentis, inteligentes, que não gritam e não se jogam no chão e não são o Pedro Lourenço, mas elas são cada vez mais raras hoje em dia.

É claro que os pais são responsáveis por um criança chata, mas ainda assim eu acho complicado culpar alguém por isso, porque criar uma criança deve ser algo muito difícil. Se diz ’sim’, ela fica mimada e não sabe lidar com derrota; se diz ‘não’, frustra a criança. Penso que não é como um bichinho virtual, que só precisa de comidinha e brincadeiras, mas também não é como o bebezinho que a gente cria no The Sims, que impossibilita que você mantenha qualquer outra atividade, tipo ir ao banheiro e se alimentar, já que ele demanda 102% do seu tempo. Acho que eles exageram, nunca ouvi falar de mães que façam xixi nas calças na vida real por falta de tempo de ir ao banheiro, e no The Sims isso já aconteceu umas 5 vezes comigo.

Acontece que a criança é o mimetizador mais eficiente do universo. Todas as coisas que ela faz, aparentemente, são produzidas por repetição daquilo que vê os adultos fazendo. E isso é algo muito ruim. Imagine que, se você tiver um filho, terá que se policiar todo o tempo com as coisas que diz e com a maneira como se porta em relação aos outros.

E daí explica-se por que existe tanta criança babaca no mundo: os pais babacas, provavelmente sem se darem conta disso, se portam como babacas o tempo todo, inclusive na frente dos filhos, que se tornam pequenas cópias fofas (até certo ponto) e insuportáveis deles.

Claro que isso resulta um mercado fantástico para as psicólogas por aí, e é por isso que eu acredito que nesse mundo de deus tudo tem seu papel. A Supernanny que o diga.

Tô rica rsrsrsrs

Os buffets infantis, por exemplo, se aproveitam da existência desses pais babacas no lindo ecossistema que é o capitalismo. Esse lugares oferecem um rol de atrações cada vez mais excêntrico, sob o prisma de ‘original’, ‘divertido’ e ‘entretenimento’, e os pais acham isso fantástico, claro, pois festa infantil para crianças até uns 3 anos é para pais e familiares exibirem o herdeiro e ganharem presentes, que a criança mesmo nem sabe o que tá havendo. Entre essas novas features de festas de crianças, já vi slideshow com retrospectiva da VIDA de uma criança de DOIS ANOS, show de mágico, tirolesa e mini-balada, e o mais recente e mais escroto, que é uma foto do busto da criança de uns dois metros de altura na frente do buffet, que é para os convidados identificarem o lugar já da rua (e os seqüestradores saberem direitinho quem devem levar).

Isso é algo que eu não faria em nenhuma hipótese, já que eu correria o risco de fazer meu filho pensar que ele é mais importante do que é. E veja bem, o problema nem seria frustração de quando ele descobrisse que não é tão importante, anos depois, mas sim a possibilidade de que ele jamais descubra – isso realmente me assusta.

Se eu tiver um filho, o que eu queria é que ele fosse tão astuto quanto uma menininha de uns 9 anos que vi hoje na livraria do shopping. Apontando para a capa da biografia da Amy Winehouse, ela disse: “olha, mãe. Essa é aquela mulher louca. A cantora louca, sabe?”

Tão nova e já por dentro das nuances da cultura pop.

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November 17th, 2008 | 3 Comments

CFV(eS), ou Curso de Formação para a Vida (em Sociedade)

A sociedade se organizou de maneira a regular as atividades do indivíduo para restringir a possibilidade de que ele avance sobre a individualidade do outro. Isso, dito assim, soa fabuloso. Parece que a gente deu um jeito de fazer com que ninguém encha o saco de ninguém. Na prática, não funciona, e o Estado acaba se intrometendo na sua vida de maneira mais profunda do que seria justificável - algumas proibições, como a do casamento gay e a da eutanásia, acabam na verdade invadindo a individualidade de certas pessoas.

Por outro lado, o Estado se abstém de algumas relações e atividades humanas nas quais ele deveria sem dúvida intervir. Da mesma maneira que você é obrigado a fazer um curso de muitas horas para tirar carta de motorista, existem outras atividades do dia-a-dia que deveriam exigir uma habilitação.

Sé às 18h: mais eficaz para revolucionar leis da física do que o LHC

Andar de transporte público é provavelmente uma delas. A sociedade superestimou o homem quando achou que ele, por si só, seria capaz de se portar adequadamente dentro de uma máquina transportadora de alumínio junto com um monte de gente. As pessoas deveriam ser treinadas para isso. O curso para andar de ônibus, trem e metrô incluiria diversos módulos, a saber:

1. 8 técnicas para deixar o lado esquerdo da escada rolante livre para circulação sem ônus;

2. A importância de sair da porta se você não vai descer na próxima estação;

3. Higiene pessoal: as vantagens de banhar-se antes de pegar a condução, uso de desodorante e escova de dentes - o que é, como usar;

4. Idoso, grávida ou deficiente por um dia: sinta na pele o que é ter seu assento preferencial ocupado;

5. Como regular a altura de seu tom de voz de maneira inversamente proporcional à intimidade daquilo que você está relatando à sua colega de firma (e não o contrário);

6. Fone de ouvido versus alto-falante do celular: quais as vantagens de ouvir a sua música de maneira individual, maneiras de usar fones de ouvido;

7. Entrando: se a porta não fecha, é hora de esperar o próximo trem;

No final, o camarada que passasse no teste prático receberia um kit com desodorante, escova e pasta de dente, além de um fone de ouvidos.

Diante da popularização do computador entre as classes mais populares, faz-se necessário também sugerir a obrigatoriedade de um cursinho básico de informática, que seria requisito essencial para financiar um computador nas Casas Bahia em 36 vezes. Como um carro, o dono do PC seria obrigado a apresentar a habilitação para comprá-lo. No curso, além de informática, o cidadão aprenderia a ler e intepretar textos, a identificar fotos manipuladas, a não usar o drive de CD como porta-copos, a não escrever de maneira que ninguém consiga entender o que ele está dizendo. Além disso, seria fundamental aprender a diferença entre Software e Hardware, para compreender que não dá para ‘baixar o speedy‘ ou ir fisicamente até o Mercado Livre.

Outras orientações estabeleceriam regras quanto a publicação de fotos na rede. Velórios e cadáveres seriam terminantemente proibidos. Ensaios sensuais com tijolos sem reboque de fundo, em esgotos ou em palafitas também (não clique no último se estiver no trabalho).

Por último, o usuário de PC aprenderia português básico.

Clientes de banco, especialmente os mais idosos, deveriam poder passar por um cursinho intensivo de formação antes de receberem seu cartão. Em primeiro lugar, seriam instruídos a jamais compartilharem sua senha e númerio com aquele atendente de cara esquisita. Depois, seriam ensinados que podem sacar dinheiro direto no caixa eletrônico, de maneira prática e quase instantânea, e que não precisam tomar fila para fazê-lo na boca do caixa, criando uma imensa fila preferencial cheia de gente querendo sacar.

A verdade é que eu posso pensar em centenas de coisas que as pessoas não são capazes de fazer sozinhas de forma educada e satisfatória, e é por isso que talvez a solução fosse um curso para a vida no século XXI, ministrado quando as pessoas ainda fossem crianças - um lugar que ensinasse as pessoas a se portarem nas mais diversas situações respeitando os espaços dos outros e demonstrando cidadania.

Ouvi dizer que havia um lugar chamado ‘escola’ que fazia algo parecido, mas acho que é boato. Outro rumor dá conta que entidades chamadas ‘pais’ e ‘família’ também tinham papel nisso, mas eu nunca vi acontecer.

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November 12th, 2008 | 12 Comments

Como estragar um post divertido de maneira rápida e efetiva

Na sexta, no Goma de Mascar, um inocente post sobre fantasias nerds de Halloween levou a uma discussão acalorada sobre a dominação cultural dos EUA sobre o Brasil.

As pessoas começaram a repetir que ‘brasileiro fica imitando americano, que a festa nunca teve a ver com as nossas raízes culturais e por isso somos idiotas em reproduzí-la’.

Nesse raciocínio muito estúpido, teríamos que crucificar Mallu Magalhães porque ela toca folk, um estilo musical tradicionalmente americano e que nunca teve nada a ver com as nossas raízes culturais.

Esse discurso, junto com o ‘não coma no McDonalds, capitalismo grrrrrr’ e o ‘nada que não seja rock’n'roll é bom’ é muito, muito chato.

Como qualquer pessoa menos idiota sabe, o estilo de vida americano - música, moda, comemorações e todo o resto - é incorporado de maneira imperceptível, não só por nós, mas pelo mundo inteiro desde que a TV e o cinema começaram a mostrar essas coisas. E todo mundo é e está influenciado por isso, não há meio de escapar.

É bem engraçada essa mania que a gente, brasileiro, tem de nos referirmos a nós mesmos na terceira pessoa. Sempre que a gente tem uma crítica ao nosso país, diz ‘o brasileiro’, e em nenhum momento pensa que isso provavelmente inclui a gente. É um distanciamento que não funciona.

As festas de Halloween se ‘popularizaram’ aqui só por causa das escolas de inglês. Mas não passam de uma festa à fantasia com nome diferente e temas supostamente sombrios.

Não faz parte das nossas ‘raízes culturais’, seja lá o que isso signifique, mas o sentido original, mesmo nos EUA, já se perdeu. Para quem não sabe, a comemoração faz parte da cultura bretã, e sua origem se mistura com rituais druidas de comemoração da chegada do verão e comemorações cristãs para festejar o dia de ‘todos os santos’.

Ou seja, tanto faz aqui como lá, já que passou de um ritual religioso para um motivo para encher a cara e usar roupas engraçadas. E no fim das contas a gente sabe que é só isso mesmo: só mais um motivo para festejar, já que se brasileiro pudesse, festejava o ano inteiro.

Me chamem de, sei lá, ‘colonizada pelo imperialismo cultural americano’, mas eu sou muito mais festejar na festa de Halloween do que no show do Chiclete. Embora a coisa tenha ficado tão desvirtuada que não deve ser incomum tocar Chiclete na festa de Halloween.

Mas o mais importante: era só um post sobre fantasias de Halloween nerds. As fantasias nem eram de brasileiros, aliás. Por que existem pessoas chatas a ponto de questionar a discussão nesse sentido? Por quê as pessoas levam um post que era para ser divertido tão a sério? Quem é e de onde surgiu esse grupo chato de pessoas, que às vezes passa aqui também, e que tem como mote transformar todas as discussões descompromissadas e/ou leves em debates supostamente relevantes?

Talvez essas pessoas estejam precisando de mais festas de Halloween.

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November 3rd, 2008 | 18 Comments

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