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Cultura pop: cabe tudo num balaio só?

Quando eu falo que escrevo sobre cultura pop aqui, é um eufemismo para dizer que eu escrevo sobre tudo que me dá na telha. Mas eu nunca, de fato, parei para definir precisamente que cazzo é a cultura pop.

Nesse momento difícil, recorremos à Wikipedia:

Cultura popular, cultura de massa ou cultura pop é a cultura vernacular - isto é, do povo - que existe numa sociedade moderna. O conteúdo da cultura popular é determinado em grande parte pelas indústrias que disseminam o material cultural, como por exemplo as indústrias do cinema, televisão, música e editorais, bem como os veículos de divulgação de notícias. No entanto, a cultura popular não pode ser descrita como o produto conjunto dessas indústrias; pelo contrário, é o resultado de uma interação contínua entre aquelas e as pessoas pertencentes à sociedade que consome os seus produtos.

Blá, blá, blá. Não é surpreendente que a Wikipedia, um veículo que é produto direto do fenômeno da Web 2.0, não mencione logo de cara a Internet como principal personagem na definição do que é cultura pop nos dias de hoje?

Coringa é cultura pop. Morte de Heath Ledger também, especialmente por causa do mistério

O principal movimento de informação e de opinião que hoje determina o que é cultura pop ocorre na internet. Os outros veículos - jornais, televisões, editoriais - muitas vezes detectam as mesmas tendências com um atraso revoltante. Ou seja: a Internet é muito mais eficiente em detectar e definir os rumos da cultura pop do que os meios que costumavam fazer isso (por razões óbvias, não vou discutir aqui a relevância da internet como meio de comunicação. Não estou falando para idiotas).

Ok, mas e na prática? O que se define como cultura pop? Se for música, cinema, TV e literatura, a internet não é incrivelmente capaz de unificar as quatro mídias em um meio só? A internet vai concentrar e disseminar tudo o que é cultura pop? Mas… política, ou episódios políticos, também não podem ser cultura pop? (Vide dancinha da impunidade)

Nessa sociedade da Cauda Longa, formada por nichos de interesses, a cultura pop assume um significado novo. Porque antes a cultura popular era ditada por meia dúzias de meios que eram os únicos aos quais 100% da população tinha acesso. Então, era mais fácil definir precisamente os elementos de mídia que faziam parte do imaginário popular. Mas hoje a cultura pop também é específica de cada nicho… ou não é? A cultura pop ainda cria elementos absolutos na sociedade? Ainda são feitos filmes, séries ou música que sejam referência unânime? Recorramos novamente à Wikipedia, pra ver se agora ela não pode nos ser mais útil:

A cultura popular está constantemente mudando e é específica quanto ao local e ao tempo. Dentro da cultura popular, formam-se correntes, na medida em que um pequeno grupo de indivíduos terá maior interesse numa área da qual a cultura popular mais generalizada se apercebe apenas parcialmente a existencia.

Os ícones da cultura popular tipicamente atraem uma maior quantidade e variedade de público; ocasionalmente, têm um cunho esotérico, como no caso da maçonaria. Existem duas razões porque os itens que atraem as massas dominam a cultura popular. Por um lado, as companhias que produzem e vendem os seus itens de cultura popular tentam maximizar os seus lucros, enfatizando itens que agradem a todos. Por outro lado, aparentemente, a cultura popular é governada pelo efeito meme de Richard Dawkins, o qual é uma forma de seleção natural - os itens da cultura popular com maior probabilidade de sobreviver são aqueles que atraem maior quantidade e variedade de público, propagando-se mais eficazmente.

Ok… se a internet é a aldeia global, e é capaz de reunir grupos de pessoas distantes em torno de um tema específico, é possível concluir que nessa era, os ícones da cultura pop são fixados com mais eficácia em grupos mais espalhados geograficamente. O volume de informações também colabora para um npumero muito maior de ícones fixados todos os dias.


Eu não sei o que é pop, mas o Ting Tings mostrou que sabe nessa música

Ainda assim… não conheço a fórmula. E ninguém sabe o que vai virar hit. Mais ainda: ninguém sabe definir com certeza todas as coisas que caracterizam a cultura pop, já que inclusive por causa da internet, os elementos dela variam. Na maioria das vezes é faro e bom senso, mas acaba sendo 100% no… achismo (eu ia dizer Olhômetro, mas achismo é mais adequado, não?)

A conclusão final é que, dizer aqui que eu escrevo sobre cultura pop é um eufemismo para:

  • Gostar de cultura pop, hoje, é o que a gente pode chamar de gostar de internet.
  • Poder falar de qualquer coisa, mesmo, e sob o pretexto de que estou falando de Cultura Pop…

O que você acha é cultura pop na era da internet?

*Falando em cultura pop, confira amanhã um TOP5 em homenagem ao maior mestre em referências pop da literatura contemporânea (e um dos meus autores preferidos): Nick Hornby. Agradecumentos ao César.

August 14th, 2008 | 7 Comments

O grande mistério que ronda a morte da modelo russa Ruslana Korshunova

Enquanto isso, no MSN.com:

Alguém pode me dizer o que há de misterioso em alguém morrer após cair do nono andar? Não vejo nenhum mistério nisso. Misterioso teria sido se ela tivesse sobrevivido a uma queda do nono andar. Ou se tivesse brotado sangue dos azulejos do banheiro dela.

July 1st, 2008 | 4 Comments

Tecktonik, mais uma banda fofa e uma apresentação

Oláááá, leitores do olhômetro.

Bom, eu sou a Chloe, e estou voltando a postar (coisa que eu tinha parado de fazer por um bom tempo, por falta de tempo e preguiça. Que vergonha!)

 

Bom, Tecktonik. O que é isso? O novo estilo (divertidíssimo diga-se de passagem) de dança que está se tornando febre na Europa (pelo menos por enquanto). O tecktonik se baseia em uma dança em que se mexe muito os braços ao som de elektro francês. Acho que só vendo que se dá pra entender mesmo.

 

Minha outra dica é sobre as fofíssimas The Puppini Sisters. Como a moda sempre volta, elas acabaram investindo numa sonoridade realmente antiga, como aquelas cantoras dos anos 40 - e o resultado é simplesmente demais do começo ao fim.

máximo não?
nos vemos por aí
xxx

(Nota da Ana: pessoal, a Chloe é uma moça muito mais ligada nas coisas do que eu, que já tô meio velha pra isso. Toda sexta, ela vai postar por aqui e dar sugestões de links e vídeos, além de novidades sbre essas coisas super novas, pra gente demorar menos pra ficar sabendo do que vai virar moda na música - ou não. Afinal, não acreditem no hype. E eu não me responsabilizo pela qualidade das escolhas, afinal, confio nela, mas até os meus colunistas erram. Uau, tenho colunistas, how cool is that. E, sobre o tecktonic, legal, divertido, mas não parece um monte de retardado dançando uma versão chique e européia de tecnobrega?)

February 29th, 2008 | 4 Comments

Uma grandessíssima sacanagem

Ainda estou abalada pela morte do Heath Ledger, ainda mais depois de ler este post do Inagaki no Pop Cabeça e ver os dois vídeos que ele colocou por lá. É triste, e eu sinceramente acho chato passar assim de um assunto pra outro, mas - odeio essa frase - a vida continua e o blog também.

Já falei aqui da minha relação com a moda, em outros posts. E num post mais recente, disse também que tive um surto no colégio e que durante um tempo me vesti como uma mendiga. Tudo isso aconteceu porque na escola em que eu estudava o uso de uniforme não era obrigatório, e isso gerava uma competição visual muuuito grande. Todo mundo tinha que estar muito bem vestido, e quanto maiores fossem as etiquetas, melhor. Eu não sabia me vestir, acho que faltava até auto-estima pra me vestir bem e, sinceramente, eu não tinha grana pra comprar roupas de marca - nem disposição pra gastar com elas. Tanto que até hoje não ligo pra essa coisa de marcas e tal. Se bem que, mesmo se eu tivesse dinheiro pra comprar todas as roupas caras do universo, não adiantaria, porque eu não sabia me vestir.

Não que agora eu seja tipo a garota que ahaza no certo e errado da Capricho. Mas tipos que rola uma noção melhor. E noção de moda, queira ou não, eu sempre tive - já que tenho uma espécie de faro pra design desde muito cedo (tipos “oi, foda-se a modéstia?”) -, mas acho que meu bom-gosto passou uns anos hibernando dentro de mim. E ele deve ser bem instável, porque eu sou normalmente bem desencanada.

Ok, voltando. E, bem, se em outros carnavais a idéia de eu freqüentar um evento como a SP Fashion Week seria risível, preciso confessar que esse ano eu queria móóito ter ido. Sério. Não manjo nada de moda profissional, aquelas peças bizarras dos desfiles, mas decidi que é tudo feeling. E gosto (gÔsto, tipo, taste, não to dizendo que EU gosto). Tirando aquelas coisas MUITO óbvias, tipo… sei lá, tipo esses absurdos que os consultores dizem pra gente NUNCA cometer. Não sei exatamente algum pra citar (isso pode ser um problema).

E todo mundo achou o luxo da estação que o desfile de fechamento fosse na Estação Júlio Prestes da CPTM. Gente. Eu achei que é a invenção mais estúpida do mundo.

Pra começar, se todo aquele povo muito chique e muito rico da moda tivesse a vaga idéia de que porra é pegar um trem diariamente, jamais fariam um desfile na Estação Júlio Prestes. Jamais, gente. Não é glamouroso. É sujo. Tem ratos correndo entre os trilhos, como em toda estação de trem - os ratos são até bonitinhos, mas moda e ratos não são duas palavras entre as quais você consegue encontrar relação.

Eles não têm esse direito. Tá, é bonito, tem aquele clima Londres na revolução industrial… NOT! Não quando você espera 25 minutos por um trem, e depois se degladia para entrar nele. Nem quando está dentro daquele vagão lotado e nojento, com aquelas pessoas todas encostando em você, cheirando bem mal (as fragâncias às vezes não podem ser identificadas exatamente, mas são todas bem desagradáveis), falando alto e tipo que esmagando velhinhas indefesas para conseguir sentar numa porra dum banco. Como se disso dependesse a vida delas. E de todas as famílias delas.

Sim, é uma piada de extremo mau-gosto fazer um desfile de moda numa estação de trem. Não teve graça.

January 23rd, 2008 | 5 Comments

Writer’s block e Dica Literária

Não vou falar do CD de Peter Bjorn & John. Ok, já falei. É que eu acho Writer’s Block uma palavra do cacete.

Eu tenho essa coisa com palavras, eu as adoro. Adoro descobrir as novas, entender o que elas dizem. Writer’s block é o que a gente chama, em português, de bloqueio criativo. Quando o escritor, por algum motivo, não é capaz de colocar as idéias no papel. Normalmente, o bloqueio criativo é provocado por stress e ansiedade. A famosa ‘cabeça cheia’ (’saco cheio’ também serve bem, aqui).

Acontece que ‘block’ tambpem pode ser traduzido como ‘quarteirão’. E eu, quando vi a expressão pela primeira vez, achei que ‘writer’s block’ era um tipo de bairro onde só morassem escritores.

Não parei pra me perguntar qual a necessidade de uma expressão pra designar um bairro habitado somente por escritores, já que provavelmente um lugar como esse não existe. Só achei muito legal a possibilidade de existir um lugar desse.

Imagino que teria uma livraria a cada esquina.

E penso na contradição entre os dois significados: Se um bloqueio criativo é a nulidade de qualquer criação, um bairro só de escritores com certeza seria um lugar muito rico, cheio de influências literárias, um lugar onde as pessoas sempre teriam idéias legais e elas seriam traduzidas pro papel com fluidez.

Tô falando tudo isso porquê estou passando por esse bloqueio aí. As palavras saem, mas com dificuldade, quase um parto, e eu odeio muito isso. Os textos, não consigo mais terminar. Tenho uns 10 drafts interminados, aqui. Não consigo mais comentar as notícias com alguma piadinha, nada. Acho (espero) que seja alguma conseqüência passageira dessa minha vida atribulada.

Já que falei, falei e falei pra dizer que não consigo falar sobre nada, vou fechar com uma super dica literária. Acho que isso configura o post como ‘alguma coisa’

Eu sou uma Bookwhore. Isso significa que eu faço qualquer coisa por um livro. Nesse sábado, fui seduzida por um belo e reluzente exemplar do livro Tão ontem, do Scott Westerfeld.

semtitulo-12.jpgAcho que a capa, muuuito fofa, me atraiu. O tema também, claro: moda. Minha relação com a moda sempre foi controversa. Porque eu sempre fui conhecida, familiarmente, por ‘não gostar’ de moda. Na verdade, eu sempre fui um pouco largada. No fundo, a verdade é que eu adoro moda. Eu acho.

Bom. Acontece que o livro é legal, mas não tão legal quanto parece. ‘Não julgue um livro pela capa’ se provou um ditado bem sábio. O começo é legal, explica a hierarquia da indústria da moda e como ela dita o comportamento, mas principalmente conta a história de um garoto cujo emprego é de caçador nde tendências. Ele procura o que tem potencial pra ser hypado e cataloga, tornando isso hypado (porque trabalha pras pessoas certas). Aí ele conhece uma menina hiper-descolada e rola um mistério-romance e tal.

O livro é legalzinho. Gosto dessas literaturas adolescentes leves. Mas vale menos do que pesa. Não confio em livros que você lê metade em duas horas. Prefira aqueles da Marian Keyes.

December 6th, 2007 | 1 Comment

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