z Música | Olhômetro

Como não se estressar com a saga dos ingressos para a Madonna

A técnica é simples e está sendo muito eficaz: basta não querer ir.

Como a Gabi, desde que os shows da Madonna no Brasil foram anunciados eu decidi que não iria. Não estava disposta a enfrentar o estresse de filas intermináveis, sites que não entram e call-centers que não funcionam. Gosto da Madonna o suficiente para ir ao show e me divertir, mas não o suficiente para enfrentar tantos problemas para assistir a esse show. Tô fora.

Por mais que a Tickets for Fun (o nome mais irônico na história de empresas de ingressos) tivesse insistido que esse seria um sistema inovador, óbvio que deu tudo errado. Aliás, houve sim uma inovação: nunca um sistema de venda de ingressos foi tão ineficiente. Inovou!

A única solução que traria resultados reais e daria uma chacoalhada na organização do show seria o boicote: se não deu para comprar, não compre. Mexe com o bolso para ver se não dá certo?

Claro que ninguém vai fazer isso (e também é claro que a Time4fun sabe que esse risco ela não corre). Logo, nos resta tentar viralizar o quão várzea é Time4fun, a produtora do evento, e o sistema incompetente que eles ‘montaram’ para vender os ingressos. Lembrem-se sempre que a Time4fun foi a responsável pelo caos e pelo exemplo de falta de organização no show da Madonna no Brasil.

Nem vou dormir essa noite de preocupação!

O Brasil segue dando shows de desorganização quando tenta trazer grandes shows de música. A Ilustrada no Pop sempre cobre esses problemas muito bem, e reproduzo o discurso de Thiago Ney num post de hoje: ver um show no Brasil exige muita paciência e acaba dando muito mais preocupação do que divertindo.

Os problemas são tantos: ingresso caro e difícil de adquirir, falta de estrutura, falta de organização no show, problemas no som, comida e bebida caras e de qualidade duvidosa, problemas no transporte (os shows sempre acabam depois da meia noite, quando já não passam mais ônibus e metrôs, e os estacionamentos sempre cobram fortunas). A grande preocupação não é mais fulano ou sicrano vir tocar aqui, mas sim enfrentar todos os obstáculos que se colocam entre você e o show em si. Lamentável.

O jeito é desencanar de tudo isso, guardar a grana dos ingressos a preços abusivos, parcelar um Home Theater e uma TV gigante e recorrer às vantagens da era digital. Compre centenas de DVDs e seja feliz no sofá da sua casa. Porque ver artista ao vivo, ultimamente, tá dando mais dor de cabeça do que alegria.
Olha só quanta gente concorda (e isso foi só com uma busca rápida pelos meus feeds):

Madonna no Brasil - Holiday ou Hard Candy, no Tudo está rodando

enquanto isso, em são paulo…, no Papel Pop

Provincianismo digital acaba com o sonho Madonna, na Flávia Durante

bjomesubdesenvolva X, no Quem mexeu no meu Ipod?

tickets for fun faz PALHAÇADA, no don’t touch my moleskine

Me dasapeguei, no Casa da Narcisa

September 4th, 2008 | 4 Comments

Vazou uma música nova do Kaiser Chiefs: esqueçam Ruby

Um dia, houve uma banda da qual eu gostava muito. Não os achava inovadores, grandiosos nem nada: só eram divertidos o suficiente para me fazerem ouvir o primeiro CD deles por bastante tempo.

Eles se chamavam Kaiser Chiefs.


Q?

Ainda chamam. O Kaiser Chiefs pisou na bola no segundo disco, que é legalzinho, mas chato, repetitivo, previsível. Aquela ‘Ruby’, por exemplo, apesar do clipe excelente, se torna insuportável depois de poucas audições, chata demais. Não perdi meu respeito pela capacidade do Kaiser Chiefs de animar uma boa festa, mas fiquei triste que eles tivessem perdido a capacidade de me surpreender.

Mas eles a recuperaram. Mark Ronson é o produtor desse terceiro disco. E se o mojo não voltou por inteiro, veio ao menos em parte em uma das novas músicas, que já tem tocado nas rádios inglesas e se chama Never Miss a Beat. Perfeita para pista de dança, música fantástica, grudenta de um jeito bom, daquelas que você pensa ‘eu gostaria de ter feito’. E o riffzinho dela é daqueles que te dá vontade de conquistar o mundo. Rock’n'roll, manja?

Fora a letra, uma ode à rebeldia escolar, à geração burra da internet… praticamente uma versão moderna de Another Brick in The Wall [modo heresia roqueira off]

‘What did you learn today?
I learnt nothing.
What did you do today?
I did nothing.
What did you learn at school?
I didnt’t go.
Why don’t you go to school?
I don’t know.
It’s cool… to know nothing.’

É tão boa, tão boa, que eu não costumo fazer isso, porque dizem que é ilegal, mas vou abrir uma exceção: subi a música no Rapidshare e o link tá aí embaixo:

Kaiser Chiefs - Never Miss a Beat (2008) - DOWNLOAD

Parece que é oficial que o Kaiser Chiefs vem ao Brasil para o fabuloso festival Planeta Terra, que acontece em novembro. A notícia é boa porque um show do Kaiser Chiefs é algo que promete ser divertido, e porque o festival Planeta Terra, ao menos no ano passado, em sua primeira edição, deu um show em organização, especialmente após o trauma Tim Festival 2007.

A conferir.

September 2nd, 2008 | 4 Comments

RBD anuncia fim (mas não é tão bom quanto parece)

Eu tenho um sonho. Nesse sonho, o mundo se vê livre de todas as consequências cruéis do capitalismo e as pessoas só tocam música se gostam de música. Nesse mundo, bandas anunciariam seu fim e terminariam em seguida do anúncio.

Infelizmente, num cenário desse, a gente teria menos motivos pra rir de coisas ridículas. O RBD seguiu a tendência das bandas-que-anunciam-o-fim-mas-nunca-terminam. Também estão na lista Los Hermanos e Sandy&Junior, mas os mexicanos bateram o recorde: eles vão fazer uma turnê de despedida de UM ANO antes do tão esperado fim definitivo.

Los Hermanos anunciou o fim e fez alguns shows - ok, compreensível, ‘vamos terminar mas a gente aproveita e faz um pé de meia’. Sandy&Junior fizeram a mesma coisa, vários shows ‘de despedida’, mas a eles eu dou o direito. Sandy&jUnior são parte do imaginário popular brasileiro. Eles estão aí, indo no Faustão, desde que eu me lembro. Eles podem fazer uma meia dúzia de shows antes de terminarem.

Mas o RBD ultrapassou todos os limites do bom-senso. O grupo anunciou que vai terminar. Mas antecedência no c* dos outros é refresco, então eles resolveram fazer isso um ano antes do fim. Ah, um detalhe besta: eles vão fazer 25 shows de despedida (vão passar pelo Brasil, inclusive) e vão gravar UM CD DE DESPEDIDA.

Divulgação

Em 2007, durante entrevista exclusiva, Christian confessou: ‘daqui um ano, vou assumir minha homossexualidade e que dizer que fumei maconha uma vez’

Provavelmente devam incluir no pacote um DVD de despedida (’É que o 14o. show de encerramento foi muito emocionante e queríamos transmitir um pouco dessa energia aos fãs que não puderam comparecer’, Anahí dirá, lágrimas nos olhos) e uma turnê extra de despedida (’Já que todos os ingressos dos últimos 10 shows se esgotaram em 8 minutos’).

Na minha época, golpes de marketing envolviam comer morcegos e salvar criancinhas da África. As pessoas hoje são mais sofisticadas.

Você avisa ao seu namorado que vai terminar com ele um ano antes de fazer isso? Não, você não avisa. Você demite um funcionário mas avisa que ele só deve ir embora um ano depois? Não, você não faz isso, cara. Quando você diz que vai acabar algo, você acaba em seguida. É o que as pessoas fazem desde o início da humanidade. Você não agenda términos.

Divulgação


Hum, esse figurino de noiva-noite-do-terror me lembra algo…

A parte mais engraçada é que os fãs do RBD estão se organizando em manifestos, abaixo-assinados e passeatas para evitar o fim do grupo, sem contar a revolta manifestada em sites de relacionamento.

PÉRAE.

Vamos supôr que você seja, sei lá, um estagiário em uma empresa. Seu contrato tem duração de dois anos. Aí você cumpre um ano. Sabendo que daqui a um ano você será mandado embora, você começar a enxer encher o saco do seu chefe para que ele te mantenha na empresa?

Claro que não. Senão o cara vai te demitir AGORA, porque vai achar que você é doido. E ansioso.

Infelizmente essa analogia não foi tão feliz, porque se as duas situações fossem realmente análogas, então o excesso de manifestações pró-continuação do RBD aceleraria o fim da banda. Uma pena.

A parte que realmente me intriga é se esses pequenos fãs, em nenhum momento, desconfiam do genial tino para negócios que esse grupo tem. Se não há uma desconfiança, ainda que mínima, de que isso tudo está sendo feito para manipulá-los a comprar a maior quantidade possível e jamais vista em todo o universo de ingressos para shows e CDs do RBD.

Mas só estou divagando. No fundo eu sei que isso não passa pela cabeça deles nem por um segundo.

Atualizado: parece que não fui a única que percebeu o golpe. Confira aqui a verdade sobre a história: eles não vão terminar.

August 19th, 2008 | 9 Comments

Nick Hornby: um guia para iniciantes

Ok, você já ouviu falar de Nick Hornby. Alguns dos seus amigos descolados vivem falando dos livros dele. E você até que gostou dos filmes baseados nesse slivros, Um Grande Garoto e Alta Fidelidade. Você agora quer desbravar o fabuloso mundo da literatura Hornbyana. E você veio ao lugar certo.

Quem?


Nick Hornby, a.k.a. Daniel Belleza

Com exceção de Um Grande Garoto e Febre de Bola, eu li todos os romances do Nick Hornby. O último livro dele, Slam, lançado em português há cerca de dois meses pela Rocco, eu li nos últimos três dias. Considerando que eu tive entre de 2 e 3 horas disponíveis por dia, já dá para saber que o livro é quase infechável antes do fim.

Dá para começar falando dos livros do Nick Hornby então por esse gancho: poucas pessoas tem textos tão facilmente digeríveis e divertidos quanto esse cara. Apesar do humor ser proeminente, até pelos livros serem sempre em primeira pessoa (e todo mundo é engraçado visto de perto), contados por personagens, os romances são sempre dramas. E é uma maneira de mostrar como a vida, mesmo sendo uma merda às vezes, continua sendo engraçada. E com essa premissa eu me identifico absolutamente.

Sabe aquelas pequenas impressões do dia-a-dia que passam pela sua cabeça mas que, por motivos óbvios, você não comenta com ninguém? Aqueles pensamentos rápidos que todo mundo tem, mas que ninguém enuncia pelo bem da boa-convivência social e da manutenção da aparência sã? Os personagens do Hornby são todos despidos desse pudor. Ele mergulha na mente dessas pessoas e a gente também. E mesmo sendo gente nada a ver com você, é muito fácil se identificar.

Some isso as inteligentíssimas referências a todo tipo de cultura pop - música, internet, literatura, cinema - e você terá um belo exemplar de literatura Hornbyana. Parece bom? É melhor do que parece.

Mas… qual deles eu leio?

Embora os enredos dos livros do Hornby possam parecer simples quando descritos assim, objetivamente, não se engane: não existe ningupem que saiba tornar uma história interessante tão bem quanto ele.


Esse é o pôster do filme, bem mais bonito do que a capa do livro

Nick Hornby já escreveu 8 romances. De longe, o mais famoso deles é o Alta Fidelidade, que virou filme com o John Cusack, e conta a história do Rob Flemming - que é um tiozão que se recusa a se envolver em relacionamentos sérios, tem uma loja de discos e é viciado em dizer coisas através listas de TOP5.

Se você quer ter uma referência absoluta do que é o Hornby, deve começar por esse. Mas Alta Fidelidade não é o melhor livro do cara. Uma longa queda é um romance contado do ponto de vista de 5 ou 6 pessoas diferentes que tentaram se suicidar na mesma hora, no mesmo dia e no mesmo local. Elas acabaram desistindo, mas o encontro acabou mudando a vida delas para sempre. E é o meu preferido.

Depois, eu leria Slam. Entrou no meu TOP3 Nick Hornby. Baixe o primeiro capítulo aqui. Fininho e baratinho, é a história fantástica de um menino normal. Sam tem 15 anos, é gente boa, anda de skate e é muito fã de Tony Hawk. Sam conhece Alicia. Sam engravida Alicia. Sam pira e vai pedir ajuda a seu grande mentor, TH (é como ele chama o Tony), ou melhor - ao pôster de TH no quarto dele. E o pôster acaba mostrando para ele exatamente o que ele queria ver - mas de um jeito que ninguém esperaria. Mas acho que o Nick Hornby-elemesmo pode explicar melhor (infelizmente, não consegui o vídeo com legendas, mas ele fala um inglês fácil de entender):

Como ser legal, infelizmente, não ensina a ser legal, para o meu desespero. Eu achei o mais chato dos quatro, mas não chega a ser chato para os padrões normais - só para os padrões Hornby, já que os livros dele normalmente são do tipo que você devora, de qualquer forma.

Esse é a saga de uma mulher que está infeliz no casamento e acaba traindo o marido. Mas aí ela se arrepende. Daí não se arrepende mais. E depois se arrepende de novo. Etc.

Daí temos Febre de Bola, escrito sobre, por e para os amantes de futebol… e eu não sei mais nada sobre ele. Há também 31 canções, uma lista das músicas preferidas do Nick Hornby e e os motivos delas terem algum papel na vida dele, e Um Grande Garoto, que passa direto na TNT, que fala de novo de um quase quarentão imaturo que acaba mudando por causa de um menino meio esquisitão, com uma mãe doente e problemas na escola.

Eu li na seguinte ordem: Alta Fidelidade -> Uma Longa Queda -> Como Ser Legal -> 31 Canções -> Slam. E desde então, Hornby se tornou um dos meus cinco autores preferidos. Ele tem entrado na mesma lista de todas as pessoas para quem eu tenho emprestado algum dos livros. É tiro e queda. Não tem como não gostar.

August 18th, 2008 | 9 Comments

Cultura pop: cabe tudo num balaio só?

Quando eu falo que escrevo sobre cultura pop aqui, é um eufemismo para dizer que eu escrevo sobre tudo que me dá na telha. Mas eu nunca, de fato, parei para definir precisamente que cazzo é a cultura pop.

Nesse momento difícil, recorremos à Wikipedia:

Cultura popular, cultura de massa ou cultura pop é a cultura vernacular - isto é, do povo - que existe numa sociedade moderna. O conteúdo da cultura popular é determinado em grande parte pelas indústrias que disseminam o material cultural, como por exemplo as indústrias do cinema, televisão, música e editorais, bem como os veículos de divulgação de notícias. No entanto, a cultura popular não pode ser descrita como o produto conjunto dessas indústrias; pelo contrário, é o resultado de uma interação contínua entre aquelas e as pessoas pertencentes à sociedade que consome os seus produtos.

Blá, blá, blá. Não é surpreendente que a Wikipedia, um veículo que é produto direto do fenômeno da Web 2.0, não mencione logo de cara a Internet como principal personagem na definição do que é cultura pop nos dias de hoje?

Coringa é cultura pop. Morte de Heath Ledger também, especialmente por causa do mistério

O principal movimento de informação e de opinião que hoje determina o que é cultura pop ocorre na internet. Os outros veículos - jornais, televisões, editoriais - muitas vezes detectam as mesmas tendências com um atraso revoltante. Ou seja: a Internet é muito mais eficiente em detectar e definir os rumos da cultura pop do que os meios que costumavam fazer isso (por razões óbvias, não vou discutir aqui a relevância da internet como meio de comunicação. Não estou falando para idiotas).

Ok, mas e na prática? O que se define como cultura pop? Se for música, cinema, TV e literatura, a internet não é incrivelmente capaz de unificar as quatro mídias em um meio só? A internet vai concentrar e disseminar tudo o que é cultura pop? Mas… política, ou episódios políticos, também não podem ser cultura pop? (Vide dancinha da impunidade)

Nessa sociedade da Cauda Longa, formada por nichos de interesses, a cultura pop assume um significado novo. Porque antes a cultura popular era ditada por meia dúzias de meios que eram os únicos aos quais 100% da população tinha acesso. Então, era mais fácil definir precisamente os elementos de mídia que faziam parte do imaginário popular. Mas hoje a cultura pop também é específica de cada nicho… ou não é? A cultura pop ainda cria elementos absolutos na sociedade? Ainda são feitos filmes, séries ou música que sejam referência unânime? Recorramos novamente à Wikipedia, pra ver se agora ela não pode nos ser mais útil:

A cultura popular está constantemente mudando e é específica quanto ao local e ao tempo. Dentro da cultura popular, formam-se correntes, na medida em que um pequeno grupo de indivíduos terá maior interesse numa área da qual a cultura popular mais generalizada se apercebe apenas parcialmente a existencia.

Os ícones da cultura popular tipicamente atraem uma maior quantidade e variedade de público; ocasionalmente, têm um cunho esotérico, como no caso da maçonaria. Existem duas razões porque os itens que atraem as massas dominam a cultura popular. Por um lado, as companhias que produzem e vendem os seus itens de cultura popular tentam maximizar os seus lucros, enfatizando itens que agradem a todos. Por outro lado, aparentemente, a cultura popular é governada pelo efeito meme de Richard Dawkins, o qual é uma forma de seleção natural - os itens da cultura popular com maior probabilidade de sobreviver são aqueles que atraem maior quantidade e variedade de público, propagando-se mais eficazmente.

Ok… se a internet é a aldeia global, e é capaz de reunir grupos de pessoas distantes em torno de um tema específico, é possível concluir que nessa era, os ícones da cultura pop são fixados com mais eficácia em grupos mais espalhados geograficamente. O volume de informações também colabora para um npumero muito maior de ícones fixados todos os dias.


Eu não sei o que é pop, mas o Ting Tings mostrou que sabe nessa música

Ainda assim… não conheço a fórmula. E ninguém sabe o que vai virar hit. Mais ainda: ninguém sabe definir com certeza todas as coisas que caracterizam a cultura pop, já que inclusive por causa da internet, os elementos dela variam. Na maioria das vezes é faro e bom senso, mas acaba sendo 100% no… achismo (eu ia dizer Olhômetro, mas achismo é mais adequado, não?)

A conclusão final é que, dizer aqui que eu escrevo sobre cultura pop é um eufemismo para:

  • Gostar de cultura pop, hoje, é o que a gente pode chamar de gostar de internet.
  • Poder falar de qualquer coisa, mesmo, e sob o pretexto de que estou falando de Cultura Pop…

O que você acha é cultura pop na era da internet?

*Falando em cultura pop, confira amanhã um TOP5 em homenagem ao maior mestre em referências pop da literatura contemporânea (e um dos meus autores preferidos): Nick Hornby. Agradecumentos ao César.

August 14th, 2008 | 7 Comments

Fresno x Chitaozinho & Chororó: a mistura mais lógica do mundo

Não sou fã da tal música que é conhecida como ‘emo’. Também não sou fã de Chitãozinho & Chororó, apesar de conhecer todas as músicas - qualquer criança que cresceu nos anos 90 conhece. Mas gosto de MÚSICA, respeito qualquer um que estiver em cima do palco tocando música (até o Jay Vaquer), sou eclética (no bom-sentido) e sou viciada em versões, remixes, arranjos diferentes e essas coisas.

Por esses motivos, achei muito boa a idéia do tal Estúdio Coca-Cola Zero, que reúne dois artistas aparentemente opostos para tocarem juntos.

Foto: http://www.fotolog.com/fresnoticas/29214283

‘Um fio de cabelo no meu paletóóóÓÓÓÓÓÓHHH’

A última edição do projeto uniu o Fresno, banda de gaúchos do cabelo ensebado que fazem rock muito, muito meloso aos pais da sandyjunior gênios da popularização do sertanejo roots: os mestres Chitãozinho & Chororó. E tipo, logo fica evidente que alguém devia ter pensado nisso antes.

Acontece que o mote da campanha é ‘Estúdio Coca-Cola Zero: Lógica Zero’. Ou seja, juntar dois artistas numa mistura que não teria, em tese, lógica nenhuma. Os fãs das bandas, quando entrevistados, respondiam que uma não tinha nada a ver com a outra e que a mistura seria curiosa, imprevisível - demonstrando uma incapacidade básica de análise de compatibilidade entre gêneros musicais. Se é que alguém demonstra algo desse tamanho sem esquecer o que ia demonstrar.

Cara, não tem nada de ‘lógica zero’ aqui. A lógica é 1000. Ch&X e Fresno são duas ‘bandas’ absolutamente compatíveis. As letras emuxas são idênticas às sertanejas; a melodia de corno já existe no emo, basta colocar um acordeão; o cabelo dos caras da banda, inclusive, foi assumidamente inspirada no visual Chitãozinho & Chororó. A mistura aqui, combina super bem, e isso fica bem evidente ao ver o resultado da coisa. Pelas óbvias semelhanças entre as duas coisas, não poderia ter ficado ruim.

As melhores versões coloco abaixo: duas do Ch&X que ficaram bem legais com os arranjos do Fresno..:

Evidências

Brincar de ser feliz

E uma do Fresno que Ch&X DESTRUÍRAM de tão boa que ficou. Tipo, se eu fosse do Fresno manteria o mínimo de dignidade e DARIA a música pros caras. Se eles quisessem, né. Porque se você achava que ‘Duas Lágrimas’ era fossa (eu não conhecia a música antes, mas era chata e bem triste), conheça dois caras do sertão que sabem ser emos DE VERDADE:

Duas lágrimas

No final, só acho que as versões das músicas do Ch&X podiam ter ficado bem mais rock’n'roll. Os Fresno-boys podiam ter pesado bem mais a mão na guitarra. Mas eles não conseguiriam - eles estão muito, muito mais pro lado do sertanejo.

O estúdio Coca-Cola tem algumas edições anteriores. Não ouvi a primeira (porquê desprezo Charlie Brown e ignoro Vanessa da Mata), mas posso garantir que Natiruts e DJ Marlboro, outra mistura que de ‘lógica zero’ não tem nada, resultam em reggae e funk de altíssima qualidade. A próxima edição vai reunir Paralamas e CALYPSO! Ok, essa eu vou precisar ver.


*E antes que qualquer um diga algo, não recebi nada pra falar sobre o Estúdio. É uma opinião espontânea gerada pelo contentamento diante de uma ação genial e produtiva. Ah, e eu só fui realmente conferir o resultado da mistura depois que a @flaviadurante, o @hectorlima e a @lulualencar deram a dica no Twitter.

August 11th, 2008 | 4 Comments

O dia em que eu quase conheci os caras do Muse

Eu já falei uma vez sobre a energia em um show de rock. Um show de rock é sempre intenso se a banda e platéia estiverem na mesma sintonia. Mesmo pra aqueles que estão ali meio perdidos, sem saber direito o que está tocando e porquê, o show pode ser memorável porque a egrégora - o coletivo dos pensamentos compartilhados por muitas pessoas, em sintonia - do show acaba por influenciar mesmo quem não estava exatamente pensando a mesma coisa.

O show do Muse em São Paulo na última quinta, dia 31, foi um exemplo rico dessa situação. No começo do show, tinha bastante gente parada, perdida, sem cantar (mesmo com a letra aparecendo no telão, o que pra mim merece ser motivo de estudo antropológico). No fim do show, elas pareciam ter se encontrado.

(Se você quer uma resenha redondinha-jornalística-informativa do show, leia meu texto pro portal do Estadão)

Existem pessoas estúpidas em todos os lugares. Na igreja. Na praia. No campo. Na AACD. Na televisão. Nas favelas. No Morumbi. Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê. Não importa onde você vá, do que as pessoas neste lugar gostam, como elas são: uma parcela delas sempre será estúpida. É estatística.

Os estúpidos do show do Muse estavam lá no meio, pouco atrás de mim, e acharam que seria divertido começar a empurrar de maneira deliberada, desmotivada e proposital quem estava na frente. Logo depois do empolgante bocejo show do Jay Vaquer.

(Parênteses: sobre o Jay Vaquer, só digo que foi uma escolha infeliz da produção. E também digo que é necessário respeitar o cara que tá ali fazendo o trabalho dele, seja chato ou não.)

Devido a porcentagem estatística de idiotas presentes no show do Muse, fiquei absolutamente sem ar bem, bem antes do show começar. Aí desisti e fui lá pra trás.

Láááá atrás tinha uma espécie de balcão. Era um espaço aberto, mais alto que o nível do chão e do qual era possível assistir o show de maneira extremamente satisfatória.

Os ets chegaram pouco antes do bis

Os ets chegaram pouco antes do bis

Duas coisas que me surpreenderam: ao vivo, as músicas deles poderiam muito bem ser dos Deftones ou coisa assim. É um peso absurdo, coisa que a gente não imagina que três caras consigam fazer. Além disso, eles têm uma porção de canções muito boas de cantar, porque têm falsetes e ‘Ôô’s e isso é tipo isca pra quem tá lá embaixo, assistindo. E são canções que funcionam ao vivo, porque utilizam a dinâmica ‘crescente’ de verso-e-refrão com muita, muita [créu] habilidadji [/créu]

É desses ‘Ôôs’ que eu tô falando. Arrepiô!

E o show foi indo de maneira bem satisfatória. Você sabe que um show tá legal quando as pessoas ao seu redor cantam todas as músicas e você está no fundo do lugar. Até que um cara cutucou minha amiga e entregou a ela um papel:

Ops, papel errado. Foi esse aqui:

MUSE SP AFTER SHOW PASS

MUSE S. PAOLO AFTER SHOW PASS

E de repente nos demos contra que tínhamos nas mãos um convite para a festa pós-show com os caras da banda. Tipo filme, sabe.

Tentei aproveitar o show até o final, mas a partir da oitava música não foi mais a mesma coisa. Ainda assim, aproveitei tudo e tal. Quando acabpu, depois de enfrentar descrença por parte da segurança (’Você é de onde? Isso não serve pra nada’), insisti pra falar com a produção. Eles trataram bem, mas explicaram com certa impaciência que era realmente uma festa fechada com os caras da banda, que podíamos ir, mas ninguém mais poderia entrar com a gente (e estávamos com mais três pessoas). E estavam um pouco incrédulos com o fato de termos aquilo.

Ok, tínhamos contra nós o seguinte:

1 - Era a primeira vez na vida que eu dirigia em SP sozinha. Não sabia sequer voltar pra casa direito;
2 - Eu não sabia chegar até o local da festa (O Cafè de la Musique);
3 - Eu não tinha certeza, mas talvez tivéssemos que pagar pra entrar - e o Cafè é caro. Muito caro. Especialmente se o Muse estiver dentro dele, sabe;
4 - Eu tinha comigo, dentro do carro, três pessoas sem convites;

5 - Era noite e, se eu me perdesse, seria realmente difícil pedir informações;
6 - Eu estava de calça jeans e All-Star, sabe. Eu não poderia ir ao Cafè de la Musique de calça jeans e All-Star.
Beleza, seis coisas. Mas eu tentei, sabe. Eu até tentei. Só que perdi a entrada da avenida onde ficava o lugar e, na boa, estava chegando na Raposo Tavares e precisava voltar pra Santo André.

Consegui fazer o retorno e fui pra casa, triste por ter perdido uma oportunidade única nessa vida, mas crente que quando não é pra ser, não é.

Além disso, o show já valeu a pena por si só porque:

1 - Foi um bom show;
2 - Encontramos sósias do Macauley Culkin e do Christian Sheperd;
3 - Me confundiram com a Mallu Magalhães. Não vou comentar isso;
4 - Tenho em meu poder um papelzinho azul exclusivo do Muse, rabiscado por alguém do staff da banda, e dizendo que SE EU QUISESSE EU PODERIA IR A UMA FESTA COM ELES. Eu tinha a opção, sabe. O importante é ter a opção;
5 - Graças ao show, escrevi meu primeiro texto assinado no portal do Estadão.

Considero o saldo positivo. Pô, fui num puta show, de longe um dos melhores da minha vida. Vou ficar me queixando por causa de uma festa?

*Primeiras duas fotos por Ênio, o maluco loco de Curitiba. Veja os vídeos dele aqui.

**Se você não viu nenhum dos links, aqui tem minha resenha sobre o show no estadao.com.br e os vídeos que eu fiz do show no Youtube.

August 2nd, 2008 | 12 Comments

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