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Caia na real: somos todos tão impostores quanto Felix Krull

O último livro que li (terminei esta semana) se chama Confissões do Impostor Felix Krull, do Thomas Mann. É um dos autores preferidos da minha madrasta, que foi quem me deu o livro no meu aniversário, em abril.

As confissões do impostor Felix Krull
Capas genéricas de livros não contribuem para ilustrar posts

É, parece incrível nesses dias agitados, mas a minha madrasta não me joga da janela na semana do meu aniversário. Ela me dá livros.

Esse menino do livro, o Felix Krull, é um grande sacana. O que rola é o seguinte: ele é do tipo super-bonito. De beleza hipnotizante. E inteligente, o moleque é muito inteligente. E isso basta para que ele seja um grande enganador de pessoas, como nós sabemos.

Todo o roteiro do livro é permeado pelas… ‘invenções’ do Felix. É assim que ele vive - fazendo as pessoas acreditarem nas coisas que ele cria e tirando proveito disso. Ele é tão bonito, tão simpático, educado e manipulador que todo mundo gosta dele.

E tem dois grandes trunfos do Thomas Mann aí. O primeiro é ele provar que quando você realmente acredita numa mentira que está contando, isso não é mais uma mentira por definição.

O segundo é provar que todos nós, no fundo, somos impostores. Camaleões sociais. E é assim que a gente convive em sociedade.

O Felix era o que ele precisava ser. E era daquele jeito que ele conquistava todo mundo. E a gente faz isso o tempo todo pra sobreviver. Todo mundo tem uma máscara diferente pra cada ambiente que freqüenta. Uma no trabalho, outra em casa, outra em um grupo de amigos A, outra no grupo de amigos B. A gente sabe ser 5, 6, 7 pessoas ao mesmo tempo, tudo isso pro bem-estar social. Pra ninguém achar a gente esquisito, pra gente poder ser bem aceito em todos nosso grupos.

Isso não significa que a gente não é honesto. É uma questão de manifestar ou destacar determinadas características que a gente já possui de acordo com o lugar onde a gente está. É natural, darwiniano até. Instinto de sobrevivência em grupo.

É por isso que é inadequado, quase injusto, criticar o ‘egoísmo’ e a camuflagem do Krull no livro. Ele é apenas uma caricatura do que todos nós somos todos os dias.

July 10th, 2008 | 3 Comments

Acredite nos seus sonhos, um efeito Lua de Cristal

Divida o mundo em dois grupos: os vencedores e os perdedores. Agora, escolha um vencedor. Fica a seu critério. Pode ser esse:

Diego Alemão vencedor
Diego Alemão, campeão do BBB

Ou esse:

Stefano Albini campeão
Stefano Albini, campeão olímpico

Pode ser até esse:

Frentista Campeão
Ô, campeão, dá pra dar uma olhada no óleo?

E dirija a ele a pergunta fundamental: “Que conselho você daria para aqueles que querem chegar onde você chegou?”

Quando a gente pergunta isso pra um vencedor, a gente se recolhe do outro lado do mundo, o dos perdedores, e assume que gostaria de saber como fazer pra chegar do lado legal, onde as pessoas vencem, são bonitas, sonham com coisas divertidas e têm penteados perenes.

Mas o vencedor é humilde. O vencedor veio de baixo, aprendeu com as adversidades da vida. O vencedor não é mesquinho. Nenhum vencedor vai dizer que foi fácil chegar ali. Eles nunca vão dizer que foi sorte, ou que o pai é amigo do dono da emissora. Não. E ele vai responder sua pergunta, com o brilho vencedor no olhar que só um vencedor tem:

“A minha mensagem é: nunca desista dos seus sonhos. Porquê um dia você chega lá, e eu sou a maior prova disso.”

O vencedor se coloca como exemplo para os perdedores que querem galgar posições na hierarquia do mundo. O que o vencedor não percebe é que, estatisticamente, o fato de ele ter vencido diminui as chances de vencer dos perdedores. Ele ter vencido então é, na realidade, a maior prova de que na maioria das vezes o resto das pessoas não vai vencer, não.

Parece que eu tô desiludida, mas não é isso. É só que não tem essa de acreditar nos seus sonhos. Ao contrário do que prega O Segredo (ops, contei), infelizmente, acreditar não basta. E todo a idéia surgiu é porque eu não aguento mais ouvir gente chata e bem sucedida dizendo pra eu acreditar nos meus sonhos. Ouço isso desde Lua de Cristal, quando o Sérgio Mallandro entrou no túnel numa lambretta e saiu num cavalo branco - na boa, não importa o quanto eu acredite no meu sonho, o Sérgio Mallandro NUNCA vai me resgatar e ainda sofrer uma metamorfose sofisticada de meio de transporte no meio do caminho. Ele gritava “MARIA! MARIIIIIA! CADÊ A MARIA?!”, e tinham as paquitas… ah.

Não vou acreditar em nada. Vou é duvidar dos meus sonhos. Quem sabe, eles não topam o desafio e resolvem me provar alguma coisa? Psicologia reversa is the new black.

May 6th, 2008 | 6 Comments

Aumente seu pênis

Tem uma falha grave nesses anúncios e sites que prometem aumentar os pênis daqueles que estão insatisfeitos com o tamanho do seu, er… instrumento. Fora o fato das promessas vãs, do tipo “aumente 4 cm de diâmetro em 4 meses de exercícios” (sim, andei pesquisando pra fazer o post), tem um lance que acaba com toda a credibilidade da promessa: um sistema de “enlarge your penis” nunca vai ser do tipo “perca 10 kilos em 5 semanas”, no qual a mulher relata, satisfeita, os percalços que enfrentou para passar de gorda e rejeitada para gostosa e desejada tão rapidamente.
Num serviço de “aumente seu pênis”, você pode até ver fotos de antes/depois (que não vou reproduzir para não abaixar o npivel do blog), que são absolutamente inacreditáveis, mas nunca vai ouvir um depoimento acalorado de um entusiasta da técnica que, se identificando com felicidade, confesse uma insatisfação prévia com o tamanho do seu amiguinho. Homem nenhum assumiria que teve que se render a técnicas artificiais de aumento de pênis.
Ou seja: é impossível acreditar nessas técnicas de aumento de pênis, porque não existe nenhum depoimento crível, daqueles que você pode assistir e ver o brilho da conquista nos olhos do cliente. Mesmo assim, aposto que essas técnicas bizarras têm milhões de adeptos, mesmo sem terem comprovação científica.
O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Sidney Glina, explica em uma matéria de Antônio Prata para a Revista Piauí:

“(…)ainda não foi desenvolvido nenhum tratamento eficiente e seguro. Há cirurgias plásticas mas, segundo Glina, são perigosas. A técnica mais comum consiste em cortar um ligamento que prende o pênis ao osso pélvico e puxá-lo de um a dois centímetros para fora. (Cerca de um terço do pênis fica dentro do corpo). Assim, ganha-se em comprimento. Enxertos de gordura e outros materiais podem engrossá-lo. Segundo Glina, no entanto, na literatura médica há mais estudos sobre conseqüências indesejadas das cirurgias do que seus supostos benefícios. (A gordura é absorvida, formando nódulos; a cicatrização pode puxar o pênis para dentro, deixando-o menor do que antes e, com o ligamento cortado, quando rígido, o pênis fica para baixo). Por isso, o Conselho Federal de Medicina considera todas as cirurgias de aumento peniano experimentais. ‘Só deveriam ser feitas em hospitais universitários, e de graça’”.

O mais curioso (e isso, inclusive, é mencionado na matéria), é que homem nenhum quer aumentar seu companheiro (quantas expressões diferentes para “pênis” vou encontrar para usar até o fim do texto? Quem acertar nos comentários ganha inteiramente grátis um manual de aumento peniano) o faz por causa de reclamações da namorada ou coisa assim. A preocupação é no vestiário. É, vergonha dos amigos - a maioria dos problemas masculinos, tenho observado, originam dos amigos deles. Lembre-se do quão invasivo é o banheiro masculino, apesar da regra não-pronunciada de olhar somente pro seu.

April 2nd, 2008 | 2 Comments

O Guardião Universal

A dica foi do Cris Dias, via Twitter.

“Mas olha, Milton, diz pra gente o que significa esse deusuísmo que você disse aí…”

“Por que vocês não colocam lá no Orkut, ‘Guardião Universal’…”

Tudo culpa da internet.

Editado: Olha o que eu achei…

http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=14032806030719151375 

http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=3197618038171838500 

Blog do Milton (dá pra baixar o livro dele)

Dá pra entender porque todo mundo acha ele louco. Muito do que ele fala não é tanta viagem assim - mas enfi, aí fica pra cada um. Já deixei um scrap perguntando qual era a do tiozinho evangélico espancador.

February 28th, 2008 | 2 Comments

MEME: Blogs show de bola

O Marcus, do Grande Abobóra, me indicou como um blog show de bola.

Significa que eu ganhei essa caneca:

showdebola1selo.jpg

Obrigada Marcus.

Também significa que agora eu devo indicar 5 blogs legais para propagarem o MEME por esse mundão véio sem porteira da internet. Seguem minhas sugestões:

#Cegos, Surdos e Loucos: o Eric é o grande comentador do Olhômetro e tem um humor finíssimo. No Cegos, Surdos e Loucos, ele fala de música, de cinema e de tudo que der na telha. É quase como aqui - mas ele é muito mais engraçado.

#Enzimas: a Dani, autora do blog, teve câncer de mama e narra toda a epopéia pela qual ela passou desde que foi diagnosticada com a doença, passando por todo o tratamento. A mulher faz piada da situação toda - até daqueles momentos onde você sabe que, tipo, se parar pra pensar, são absolutamente trágicos. É pra rir e chorar.

#Move That Jukebox! Pô, imagina um blog de notícias de música. Até aí, nada além do comum. Mas esse blog com notícias de música é diferente: eles tem uma seção chamada ‘downloads’. Nessa seção chamada ‘downloads’, você pode fazer, hum… downloads de, tipo DEZENAS, talvez CENTENAS de discos legais pra caramba. O catálogo é atualizado freqüentemente. Vale a visita se você tá procurando algo há tempos e não acha, ou pra completar alguma discografia.

#Nigel Goodman’s show: O homem é O Repórter Bêbado - o mito, a lenda. Não conhece? Entra lá. Mas não ouça no trabalho.

#FSP: Parceiro do Nigel, Ronaldo Rios é responsável pelas gargalhadas provocadas pelos textos do FSP. Destaque especialíssimo para o episódio dos dragões homossexuais.

Tomara que eles respondam… mas duvido que vão resistir à belíssima caneca que acabaram de ganhar.

February 21st, 2008 | 5 Comments

Wet’n'Wild (o 2º post da série Wild)

Hoje, não entendo essa fascinação que a gente tem por água quando é novo. Claro, tudo que envolve piscina e mar e estar imerso parece bem divertido, um lance Freudiano de estar de volta à placenta e tal. Divertido até os 15. Não sei porquê, mas hoje em dia não vejo muito princípio em ficar dentro d’água. Logo me encho e saio pra tomar sol na beira.

Legal era ir em parque aquático. Fui uma vez no Wet’n Wild, que fica perto do Hopi Hari, perto de Vinhedo - entre SP e Campinas. Tinha uns 12 anos, minha mãe foi junto, tomou inúmeros caldos e em uma das piscinas com ondas salvei-a. Pensando no princípio da coisa, dá pra formular duas opiniões sobre um parque aquático cheio de atrções:

- Verão, sol, praia, calor, corpos bronzeados, muita azaração, esportes radicais, corredeiras radicais, esportes radicais em corredeiras radicais;

- Gente quase nua compartilhando a mesma água. Muito.

Se você pensar que aproximadamente 94% das pessoas admitiram já terem feito xixi na água alguma vez em suas vidas, temos um problema sério em quando pensamos em ir a parques aquáticos.

dh2ostructure.jpg

É brincadeira. Inventei a estatística. É claro que, no fundo, a gente não liga muito pra isso - o que não mata, engorda, e é legal pra cacete ficar brincando naqueles tobogãs imeeeeeeeeeeeeeeensos e engolindo água pra caramba. O que eu mais gosto naquele parque é um brinquedo que parece uma descarga (tipo esse aí em cima): você desce por um tubão, cai numa bacia gigante e roda nela até ir cair na piscina. Suave.

E tipos, já que esse post te deu uma puuta vontade de dar mó mergulho, tá rolando uma promoção supimpa no site da Close-up, no Blog Eles 3. É só clicar aqui e se cadastrar. Aí, responde à pergunta:

“Por que meu verão ficaria mais refrescante com Close up e Wet’n Wild?”

(Já mencionei que eu odeio essas perguntas de promoções? Tipos, eu NUNCA sei o que responder. E as pessoas que ganham sempre respondem algo que eu poderia ter dito, mas não disse porque fiquei com vergonha de dizer algo tão estúpido.)

Enfim, responde à perguntinha lá na bagaça e a melhor resposta ganha tipo duas entradas pro parque, junto com o pessoal que escreve o blog, pra ir no dia 8 de março, com transporte saindo de SP incluso. Só não faça xixi na água, por favor.

BTW, já que eu sou do tipo meio viciada em promoções, é no Promoções na Internet que eu mantenho meu banco de dados de participações em promoções atualizado. Keeping track: Eu ganhei 00 promoções desde nov/07. Só que não desisto…

February 21st, 2008 | 2 Comments

Cidade dos sonhos

Eu sempre fui de esquerda, mesmo antes de saber o que isso significava. Por ‘de esquerda’, não quero sidzer que sou comunista, nem ativista política. Só que a maioria das coisas em que eu acredito tem uma inclinação forte a favorecer o proletariado. Sou contra o sistema, quero dizer, não concordo com ele. Claro que isso traz um monte de implicações, e eu sou uma pessoa tranqüila, cheia de bom humor e muito flexível, não sou uma militante chata… é só minha inclinação política.

Quando eu era mais nova e comecei a gostar de rock’n'roll, claro que tive minha fase de Anarquista. Aquela, quando a gente compra a camiseta com o ‘A’ vermelho na Galeria do Rock. A fase, é claro, passou; mas anos depois eu ouvi falar de Christiania.

Christiania
Creative Commons License photo credit: Kieran Lynam

Christiania, também conhecida como Freetown Christiania (Christianshavn) é uma comunidade independente e auto-gestionada que fica dentro de Copenhagen, na Dinamarca, e tem cerca de 900 habitantes. Criada ‘acidentalmente’ nos anos 1970, foi formada por dinamarquesas insatisfeitos com as política habitacionais do país na época. Turbinada pelos ideias hippies e comunistas que carregavam o ar por aquelas épocas, Christiania tornou-se uma experiência social. Apesar dos esforços iniciais por parte do Estado Dinamarquês para a retirada dos habitantes da comunidade, em 1992 foi assinado um tratado que permite a existência pacífica da Christiania.

O mote da comunidade, retirado do site de Christiania:

“O objetivo de Christianiaé criar uma sociedade auto-governante onde todo e cada individuo é responsável pelo bem-estar de toda a comunidade. Nossa sociedade deve ser auto-sustentável economicamente e, como ela, nossa aspiração de ser firmemente convicto de que qualquer privação física e psicológica deve ser evitada.”

Os habitantes de Christiania vivem num regime político… a-político. Uma espécie de anarquia. A convivência entre os moradores é baseada na cidadania, honestidade e solidariedade. Para tomar decisões, Christiania se organiza em conselhos municipais, onde todos os moradores tem a mesma voz para opinar. Tudo é decidido na base do consenso - por mais estranho que isso possa soar para nós.

Carros não são permitidos dentro de Christiania, mas quase 150 moradores os têm. Eles deixam os veículos estacionados nas ruas que contornam a comunidade. Haxixe e maconha são vendidos livremente, e ‘drogas pesadas’ são expressamente proibidas.

Visitar Christiania é super-permitido, você só precisa respeitar as regras da comunidade. Para morar lá, bem, você precisa de uma casa. Mas não pode, tipos, chegar lá e construir. Então tem que esperar uma casa ficar disponível e se submeter a aprovação do conselho. Lá, você pode trabalhar como artesão, lenhador, trabalhar na coffee-shop e essas coisas.

Mais informações aqui, aqui e aqui (no último, se você falar dinamarquês).

Christiania está na minha lista de ‘lugares para conhecer’ desde que eu li sobre a comunidade pela primeira vez, aos 13 anos. Recentemente, me deparei com o relato de um rapaz brasileiro que esteve lá (no Orkut) e fiquei mais encantada. Não que eu acredite de verdade em tudo isso, pro mundo real… é uma coisa diferente, país europeu, pouca gente, hippies. Mas deve ser algo a se observar.

January 29th, 2008 | 2 Comments

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