Me prestigiem na MTV hoje

Demorei para avisar, mas estarei hoje no programa MTV Debate, às 22h, discutindo se o Obama vai ou não salvar o mundo (e eu estou do lado que acha que não, ele não vai).

Me assistam falando verdades e nem tão verdades hoje à noite e depois digam o que acharam da performance.

Posts relacionados

November 10th, 2008 | Comments Off

Barack Hussein Obama, o presidente eleito dos EUA

Eu tinha um post engatilhado para hoje. Mas diante das circunstâncias, vou mudar o que estava pré-programado.

Estamos presenciando um momento histórico. E não sabemos a que ponto isso pode mudar nossas vidas - e agora não falo mais como brasileira, mas como cidadã do mundo, que é como eu me sinto de verdade.

Engraçado pensar que a repercussão daquele post do Obama fez com que todo mundo pensasse que eu sou pró-McCain, o que seria virtualmente impossível considerando tudo em que acredito e sempre acreditei. Os EUA elegeram um presidente negro, liberal, que apóia a escolha pelo aborto, a pesquisa com células tronco, restrições a possibilidade de portar armas, é contra guerra. O que mais você pode esperar de um presidente da maior economia do mundo?

Como naturalmente alguns perceberam, o post do Obama foi só um questionamento. Daqueles para mexer com as convicções das pessoas e com a minha. Funcionou.

Aqui do meu lado, eu torço para que ele seja capaz de resistir a todas as investidas dos conservadores, dos fanáticos e de sei lá mais o quê. Lembre-se que todos os grandes liberais da histórias dos EUA foram assassinados. E Obama é um fenômeno. Guarda-costas da Casa Branca, uni-vos!

Enfim, senhores. Vivemos um momento histórico.

(Roubei o mosaico da arte do estadão.com. Foi mal, gente, mas tava lindão, não resisti)

Posts relacionados

November 5th, 2008 | 7 Comments

E se Kassab e Marta fossem candidatos a síndicos?

Se eu votasse em SP, votaria Kassab. E o único motivo não é o fofo Kassabinho.


Ele até faz uma dancinha!

Não precisa ser gênio nem entender muito de política para saber que quem muito ataca é para evitar de ser atacado. No debate da Band de ontem, a Marta se preocupou em bater, para deixar o adversário preocupado em se defender. Acuado e meio sem ver o que lhe atingia, Kassab fez como pôde para tentar manter o nível do debate.

O festival de ‘mentiroso’ para cá, ‘vagabundo’ para lá me lembrou o imperdível episódio do Quércia no Roda Viva em 1994…

Mas é capaz que a agressividade da Marta acabe saindo pela culatra. Se Marta eu fosse, preocupada estaria, já que toda essa hostilidade pode parecer arrogância para os eleitores. E se tem algo que Marta não precisa é parecer mais arrogante.

Mas se o debate não te convenceu, basta transportar as duas personalidades para uma situação mais próxima. E se Marta e Kassab fossem os dois candidatos a síndicos do seu prédio (analogia sugerida pelo cara que foi assaltado por ladrões indie)?

Sabe, eu tenho muita experiência com síndicos. Vivi a adolescência um um condomínio em que as brigas entre nós e os síndicos eram constantes. E é por isso que eu sei avaliar bem um debate para prefeitos - porque é como se eles fossem síndicos. Da cidade, é verdade - mas nada mais do que síndicos.

Síndicos dosam interesses da maioria e transformam esses interesses em ações viáveis para todos. Síndicos são mediadores, administradores. Precisam ser ponderados, calmos, ordeiros.

A Marta seria aquela síndica esnobe. Ela reclamaria das crianças remelentas correndo pelo condomínio. Proibiria os meninos de jogar futebol nas áreas úteis. Limitaria o horário de ficar na quadra pelas 21h. E aí de quem reclamasse.

A Marta gastaria 15 mil do orçamento para decorar os corredores e salas do prédio com aqueles quadros feiosos, supostamente modernos, mas que são de um mau-gosto tremendo.

Marta fingiria que gosta dos seus filhos correndo pelo prédio, mas assim que você virasses as costas ela ia arrastar o moleque pela orelha por ter riscado o carro dela com a bicicleta.

Penso no Kassab como o síndico gente boa. O cara que ouve todo mundo e fica tentando mediar os dois lados? Não ia proibir as crianças de ficar gritando na hora da novela, mas também não ia bater de frente com as senhoras reclamonas. Ele seria aquele síndico boa praça, que trocaria na humildade uma idéia com a molecada. E nada de quadros toscos, Lei Condomínio Limpo na cabeça. E ele trocaria o orçamento dos quadros pela compra de uma mesa de pingue-pongue, que é para ver se acalma os pestinhas.

Pela felicidade das crianças e pela decoração de bom-gosto do grande condomínio que é a cidade de São Paulo, eu votaria Kassab.

No RJ eu sou Gabeira, claro. Mas essa história fica para outro dia.

Posts relacionados

October 13th, 2008 | 6 Comments

Ops

Ai, confundi, hehehe

Peguei no Matias.

Posts relacionados

October 10th, 2008 | Leave a Comment

Oito coisas que eu observei sobre as eleições de 2008

Acho muito cínico chamar a eleição de ‘Festa da Democracia’. Eu não vejo ninguém se divertindo. E não há democracia nenhuma em uma festa em que você é obrigado a entrar e não pode beber. Definitivamente, a democracia não sabe dar uma festa.

Nossa sorte é que, no Brasil, os candidatos (e alguns eleitores) sabem. Como trabalhei o suficiente nesta eleição para ter lido as histórias mais bizarras possíveis e ter visto coisas que me fizeram pensar e estou cada vez mais viciada em listas, selecionei oito coisas das eleições de 2008 que me fizeram parar para pensar. Ou para rir. Ou os dois.

Ops (ou Rickrolleada)

Cinara Salles Mioso, candidata a vereadora pelo PT em Pejuçara, no RS, cometeu um errinho bobo durante sua candidatura. Nada demais. Ela só passou a campanha inteira usando o número errado. Acontece. Parece que o descuido foi descoberto pela candidata quando as pessoas avisaram que o número dela não retornava nada na urna.

Ainda assim, Cinara recebeu seis votos. Não deixa de ser um mérito já que, em tese, ninguém sabia o número verdadeiro dela. Parabéns, Cinara.

Filas, correria e invasão de colégio eleitoral

Em Itaquera e em Sergipe, o povo demonstrou um paradoxo de civilidade. Na ânsia de exercer o dever cívico, fizeram filas na porta de colégios na madrugada e houve tumulto e até invasão. Mas até a incivilidade é válida na hora de exercer a civilidade, não é mesmo? Um exemplo de… civilidade incivilizada.

Carros de som não são eficazes às sete da manhã do domingo

Não sei por aí, mas aqui onde eu moro, os carros de som são usados em profusão pelos candidatos para demonstrarem a capacidade deles de contratar uma boa empresa de jingles governar de maneira satisfatória. Até posso compreender a necessidade do marketing, de produzir uma cançãozinha grudenta que envolva um slogan cafona e um número. Mas não adianta colocar seu carro para gritar isso no domingo de manhã, meu amigo. Porque aí sim, eu vou me esforçar para ouvir qual é o se número para me certificar que nem eu nem nenhum conhecido vote em você. Aqui em Santo André os candidatos a prefeito parecem concordar que isso é boa técnica eleitoral. Não é. Não acorde as pessoas com seus carros de som. Não funciona.

Abasteço por votos

Em Recife e em Goiás, os candidatos acharam de bom tom presentear os eleitores com gasolina. Houve acusações de candidatos enchendo o tanque de eleitores e dando vale-abastecimento em troca de votos. Achei criativo. E não deixa de ser um serviço de utilidade pública.

Kassab ganhando da Marta

Kassab tem aqueles olhinhos e parece um bonequinho esquisito que fala como o Pato Donald. Só olhando, ninguém dá nada. Mas o malandro foi lá e ganhou da Marta - nada contra a Marta, particularmente, mas acho o Kassab mais engraçadinho. E vai levar fácil o segundo turno. Dá-lhe Kassab, o homem dos olhinhos engraçados.

Gabeira batendo o Crivella

O Gabeira passou de um cara que usava tanga de crochê para um político super respeitado. Ele começou a campanha, no início de agosto, com apenas 4% das eleições de voto e hoje, no RJ, venceu o principal candidato da oposição com 25,6% da votação, garantindo o segundo turno contra Eduardo Paes. Uma façanha, ainda mais para um cara que usou uma tanga de crochê. Vai ser difícil transferir os eleitores de Crivella para Gabeira, já que é de se imaginar que eles sejam opostos. Mas não duvide do homem. Tem que ser muito bom para quintuplicar votos em dois meses. Ou usar uma tanga de crochê.

Essa história de vender votos não faz sentido

Nunca entendi isso muito bem. E o motivo é bem simples: se você vende seu voto, nada garante que você precise entregá-lo. Nunca entendi porque alguém com um mínimo de instrução recebe para votar num candidato sacana e ainda assim vota nele. Seria possível subverter a subversão, votando no candidato que você realmente tem vontade e recebendo dinheiro de um candidato sacana para isso.  Mas as pessoas parecem querer ser honestas dentro da desonestidade. Vender o voto pode, mas depois de vender, não dá para deixar de entregar que isso é sacanagem. Não faz sentido.

Urnas eletrônicas têm semelhança perturbadora com um Pense Bem

Sim. A urna eletrônica não tem aquele visual anos 90 por acaso. Além do fato de ela, hum, ter sido criada nos anos 90, o design do aparelho tem o objetivo de resgatar nossas memórias infantis mais profundas, trazer à tona a nostalgia de nosso primeiro pseudo-computador e fazer com que, dessa forma, nossa mente associe o ‘votar’ com uma situação prazerosa. Ou simplesmente serve para que olhemos para a urna e sejamos arrebatados, imediatamente antes de votar, pelas palavras PENSE BEM, gerando assim uma corrente involuntária de voto consciente e ponderado. Não sei se funciona. Mas que deu uma saudade do meu Pense Bem hoje, quando eu apertei aqueles números, ah… isso deu.

Posts relacionados

October 6th, 2008 | 15 Comments

O início do fim do capitalismo

Eu sou ‘de esquerda’ desde antes de saber o que isso queria dizer. Sempre fui a favor dos direitos das minorias, bem antes de eu saber que isso significaria uma posição política.

Não acho que existe contradição entre ser socialista e, sei lá, comer no McDonalds de vez em quando. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu não concordo com as condições do sistema estabelecido, mas ele é o sistema estabelecido e eu vivo sob essas condições. E também não enxergo contradição nenhuma entre querer ganhar dinheiro e ser a favor de um regime de esquerda. Eu gosto de conforto. E para adquirir conforto, preciso de dinheiro. É bem simples. Se eu precisasse de palitinhos, ficaria empenhada em ganhar palitinhos.

Não existe nada de errado com o capitalismo, exceto o fato de que tem muita gente ganhando muito pouco dinheiro, o que não lhes permite ter condições básicas de vida, e pouca gente ganhando mais do que o necessário para ter uma vida confortável. Para mim, isso é o suficiente para dizer que é um sistema que não funciona.

Depois que entrei na faculdade, estudei (muito pouco) sobre os sistemas econômicos, seu início, meio, fim e substituição. E dois professores nos fizeram entender que todo sistema econômico já implantado teve contradições, e ruiu sob suas próprias contradições, dando lugar a outro sistema - esse, que corrigiria as contradições do anterior, mas apresentaria novas contraidções, eventualmente, e seria substituído por outro… e assim sucessivamente.

A primeira contradição do capitalismo se apresenta de maneira bem simples. Como é um sistema baseado na acumulação de capital e no lucro, ele gera a redução do poder de compra da população, que vê seu salário reduzido para aumentar os lucros dos donos das empresas. Com salário baixo, não há consumo; se não há consumo, não há lucro.

A outra contradição do capitalismo reside no consumo desenfreado de recursos. A matéria prima para a maioria das coisas é esgotável. E se não há mais petróleo, não se produz plástico; se não há mais ferro, não se fazem mais latinhas. E quanto maior o consumo, maior a produção e maior o consumo etc.

E as coisas estão ficando complicadas para o capitalismo.

A verdade é que o capitalismo é tão frágil quanto qualquer outro sistema. ‘Livre-mercado’ é papo furado - só é defendido quando a intervenção do Estado acaba prejudicando os investidores. Agora, que eles precisam de ajuda financeira do povo - o pacote americano custa 700 bilhões de dólares, o suficiente para comprar, tipo, duas Dinamarcas - a intervenção do Estado não é só bem vinda. É fundamental.

Não me lembro dos investidores de Wall Street recorrendo ao Estado interessados em dividir com a população os lucros astrônomicos  conquistados em épocas de vacas gordas. Ironicamente, há sim algo que os capitalistas ficam felizes em socializar - o prejuízo.

Não costumo falar dessas coisas aqui, mas para começar, é um assunto simples - embora pareça complicado - e que diz respeito a todo mundo. Em segundo, eu esperei muito tempo por esse momento para deixar que ele passe em branco.

Os especialistas dizem que esse é só o primeiro dominó caindo. As conseqüências podem ser gritantes. Mas é a grande chance de tentarmos alguma outra coisa. E aqui não falo de um sistema Marxista propriamente, mas alguma outra coisa, se é que existe um sistema 100% justo.

Enquanto isso, estoure a pipoca, acomode-se em sua poltrona e assista ao espetáculo da queda do capitalismo. Vai ser memorável.

Posts relacionados

October 2nd, 2008 | 23 Comments

Powered by WordPress | Blue Weed by Blog Oh! Blog | Assine o RSS dos artigos e dos Comentários.

Creative Commons License
Olhômetro by Ana Freitas is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Based on a work at www.olhometro.com.
Outros tipos de permissão? Me consulte através do http://www.olhometro.com/contato.