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Desmascarando o filho da… digo, do Enéas

Ah, a democracia! É fabuloso como a cada dois anos o espírito democrático toma conta do país e ficamos todos imbuídos da vontade de tornar o mundo um lugar mais agradável para viver, escolhendo com parcimônia e muito cuidado nossos futuros representantes… NOT.

Você deve estar achando esse post uma piada (ele é, gênio). Impossível existirem motivos para assistir ao horário político obrigatório. Mas o que você precisa entender é que basta uma boa dose de humor negro e de abstração (é preciso rir de coisas pelas quais deveríamos estar chorando) para que o horário político se torne um programa bem interessante.

E tudo isso porque se a política brasileira é uma palhaçada, o horário político é o sumo concentrado dessa palhaçada. São 15 minutos de pessoas esquisitas, muitas das quais não sabem falar ou olhar para a câmera, dizendo coisas que muitas vezes não interessam, utilizando-se de estúdios e efeitos toscos, slogans toscos e jingles toscos. Não vou nem falar das propostas toscas.

Eliminando uma ou outra feliz exceção, é uma pequena amostra (muito verossímil) do show de horrores que é a política brasileira.

E quer saber? É melhor que Zorra Total. É triste admitir, mas responda rápido: o que é mais engraçado - Zorra Total ou o horário político obrigatório?

Um dos humoristas uma das figuras marcantes que resolveram dar as caras nessas eleições (me refiro ao horário político de São Paulo) é um tal de Enéas Filho, que se apresenta como herdeiro do saudoso Enéas Carneiro (que dispensa apresentações).

Acontece que, a essa altura do campeonato, nós já devíamos ter aprendido que é preciso desconfiar de qualquer elemento que se mexa dentro do horário político obrigatório. Porquê os sacanas fazem de tudo pra conseguir seu voto. Você só não imaginaria que um sósia safado deixaria a barba crescer e mentiria para você dizendo que é filho do Enéas.

O candidato aí em cima não é filho do Enéas. Na realidade, ele nasceu Luciano Martines Nantes Soares, e seu pai se chama Osvaldo Nantes Soares. Os dois, pai e filho, mudaram de nome para incluir um ‘Enéas’ no meio. Assim, ele pode dizer que se chama Enéas Filho, já que não deixa de ser verdade.

O cara ainda tem coragem de dizer ‘vou continuar o trabalho do meu pai’. O pai dele, Osvaldo, chegou a se candidatar a deputado federal em 2002, usando a mesma artimanha (imitar o Enéas Carneiro), mas teve a candidatura cassada pelo TRE por induzir o eleitor a erro, depois de  processo movido pelo falecido Enéas (o original) - que é um dos vereadores mais votados da história do país e morreu em maio de 2007.

Editado: consegui o vídeo da coisa. Agora quem não é de SP pode conferir o golpe.

O Enéas original só tem filhas - uma delas, inclusive, concorre ao cargo de vereadora no RJ.

Falando em RJ, alguém consegue explicar porquê a Lacraia (sim, aquela Lacraia) se candidatou a vereadora em SP, e não no Rio? Tem coisas da política que eu nunca vou entender…

(Via Terra e OFFBlog)

August 22nd, 2008 | 16 Comments

Cultura pop: cabe tudo num balaio só?

Quando eu falo que escrevo sobre cultura pop aqui, é um eufemismo para dizer que eu escrevo sobre tudo que me dá na telha. Mas eu nunca, de fato, parei para definir precisamente que cazzo é a cultura pop.

Nesse momento difícil, recorremos à Wikipedia:

Cultura popular, cultura de massa ou cultura pop é a cultura vernacular - isto é, do povo - que existe numa sociedade moderna. O conteúdo da cultura popular é determinado em grande parte pelas indústrias que disseminam o material cultural, como por exemplo as indústrias do cinema, televisão, música e editorais, bem como os veículos de divulgação de notícias. No entanto, a cultura popular não pode ser descrita como o produto conjunto dessas indústrias; pelo contrário, é o resultado de uma interação contínua entre aquelas e as pessoas pertencentes à sociedade que consome os seus produtos.

Blá, blá, blá. Não é surpreendente que a Wikipedia, um veículo que é produto direto do fenômeno da Web 2.0, não mencione logo de cara a Internet como principal personagem na definição do que é cultura pop nos dias de hoje?

Coringa é cultura pop. Morte de Heath Ledger também, especialmente por causa do mistério

O principal movimento de informação e de opinião que hoje determina o que é cultura pop ocorre na internet. Os outros veículos - jornais, televisões, editoriais - muitas vezes detectam as mesmas tendências com um atraso revoltante. Ou seja: a Internet é muito mais eficiente em detectar e definir os rumos da cultura pop do que os meios que costumavam fazer isso (por razões óbvias, não vou discutir aqui a relevância da internet como meio de comunicação. Não estou falando para idiotas).

Ok, mas e na prática? O que se define como cultura pop? Se for música, cinema, TV e literatura, a internet não é incrivelmente capaz de unificar as quatro mídias em um meio só? A internet vai concentrar e disseminar tudo o que é cultura pop? Mas… política, ou episódios políticos, também não podem ser cultura pop? (Vide dancinha da impunidade)

Nessa sociedade da Cauda Longa, formada por nichos de interesses, a cultura pop assume um significado novo. Porque antes a cultura popular era ditada por meia dúzias de meios que eram os únicos aos quais 100% da população tinha acesso. Então, era mais fácil definir precisamente os elementos de mídia que faziam parte do imaginário popular. Mas hoje a cultura pop também é específica de cada nicho… ou não é? A cultura pop ainda cria elementos absolutos na sociedade? Ainda são feitos filmes, séries ou música que sejam referência unânime? Recorramos novamente à Wikipedia, pra ver se agora ela não pode nos ser mais útil:

A cultura popular está constantemente mudando e é específica quanto ao local e ao tempo. Dentro da cultura popular, formam-se correntes, na medida em que um pequeno grupo de indivíduos terá maior interesse numa área da qual a cultura popular mais generalizada se apercebe apenas parcialmente a existencia.

Os ícones da cultura popular tipicamente atraem uma maior quantidade e variedade de público; ocasionalmente, têm um cunho esotérico, como no caso da maçonaria. Existem duas razões porque os itens que atraem as massas dominam a cultura popular. Por um lado, as companhias que produzem e vendem os seus itens de cultura popular tentam maximizar os seus lucros, enfatizando itens que agradem a todos. Por outro lado, aparentemente, a cultura popular é governada pelo efeito meme de Richard Dawkins, o qual é uma forma de seleção natural - os itens da cultura popular com maior probabilidade de sobreviver são aqueles que atraem maior quantidade e variedade de público, propagando-se mais eficazmente.

Ok… se a internet é a aldeia global, e é capaz de reunir grupos de pessoas distantes em torno de um tema específico, é possível concluir que nessa era, os ícones da cultura pop são fixados com mais eficácia em grupos mais espalhados geograficamente. O volume de informações também colabora para um npumero muito maior de ícones fixados todos os dias.


Eu não sei o que é pop, mas o Ting Tings mostrou que sabe nessa música

Ainda assim… não conheço a fórmula. E ninguém sabe o que vai virar hit. Mais ainda: ninguém sabe definir com certeza todas as coisas que caracterizam a cultura pop, já que inclusive por causa da internet, os elementos dela variam. Na maioria das vezes é faro e bom senso, mas acaba sendo 100% no… achismo (eu ia dizer Olhômetro, mas achismo é mais adequado, não?)

A conclusão final é que, dizer aqui que eu escrevo sobre cultura pop é um eufemismo para:

  • Gostar de cultura pop, hoje, é o que a gente pode chamar de gostar de internet.
  • Poder falar de qualquer coisa, mesmo, e sob o pretexto de que estou falando de Cultura Pop…

O que você acha é cultura pop na era da internet?

*Falando em cultura pop, confira amanhã um TOP5 em homenagem ao maior mestre em referências pop da literatura contemporânea (e um dos meus autores preferidos): Nick Hornby. Agradecumentos ao César.

August 14th, 2008 | 7 Comments

Fresno x Chitaozinho & Chororó: a mistura mais lógica do mundo

Não sou fã da tal música que é conhecida como ‘emo’. Também não sou fã de Chitãozinho & Chororó, apesar de conhecer todas as músicas - qualquer criança que cresceu nos anos 90 conhece. Mas gosto de MÚSICA, respeito qualquer um que estiver em cima do palco tocando música (até o Jay Vaquer), sou eclética (no bom-sentido) e sou viciada em versões, remixes, arranjos diferentes e essas coisas.

Por esses motivos, achei muito boa a idéia do tal Estúdio Coca-Cola Zero, que reúne dois artistas aparentemente opostos para tocarem juntos.

Foto: http://www.fotolog.com/fresnoticas/29214283

‘Um fio de cabelo no meu paletóóóÓÓÓÓÓÓHHH’

A última edição do projeto uniu o Fresno, banda de gaúchos do cabelo ensebado que fazem rock muito, muito meloso aos pais da sandyjunior gênios da popularização do sertanejo roots: os mestres Chitãozinho & Chororó. E tipo, logo fica evidente que alguém devia ter pensado nisso antes.

Acontece que o mote da campanha é ‘Estúdio Coca-Cola Zero: Lógica Zero’. Ou seja, juntar dois artistas numa mistura que não teria, em tese, lógica nenhuma. Os fãs das bandas, quando entrevistados, respondiam que uma não tinha nada a ver com a outra e que a mistura seria curiosa, imprevisível - demonstrando uma incapacidade básica de análise de compatibilidade entre gêneros musicais. Se é que alguém demonstra algo desse tamanho sem esquecer o que ia demonstrar.

Cara, não tem nada de ‘lógica zero’ aqui. A lógica é 1000. Ch&X e Fresno são duas ‘bandas’ absolutamente compatíveis. As letras emuxas são idênticas às sertanejas; a melodia de corno já existe no emo, basta colocar um acordeão; o cabelo dos caras da banda, inclusive, foi assumidamente inspirada no visual Chitãozinho & Chororó. A mistura aqui, combina super bem, e isso fica bem evidente ao ver o resultado da coisa. Pelas óbvias semelhanças entre as duas coisas, não poderia ter ficado ruim.

As melhores versões coloco abaixo: duas do Ch&X que ficaram bem legais com os arranjos do Fresno..:

Evidências

Brincar de ser feliz

E uma do Fresno que Ch&X DESTRUÍRAM de tão boa que ficou. Tipo, se eu fosse do Fresno manteria o mínimo de dignidade e DARIA a música pros caras. Se eles quisessem, né. Porque se você achava que ‘Duas Lágrimas’ era fossa (eu não conhecia a música antes, mas era chata e bem triste), conheça dois caras do sertão que sabem ser emos DE VERDADE:

Duas lágrimas

No final, só acho que as versões das músicas do Ch&X podiam ter ficado bem mais rock’n'roll. Os Fresno-boys podiam ter pesado bem mais a mão na guitarra. Mas eles não conseguiriam - eles estão muito, muito mais pro lado do sertanejo.

O estúdio Coca-Cola tem algumas edições anteriores. Não ouvi a primeira (porquê desprezo Charlie Brown e ignoro Vanessa da Mata), mas posso garantir que Natiruts e DJ Marlboro, outra mistura que de ‘lógica zero’ não tem nada, resultam em reggae e funk de altíssima qualidade. A próxima edição vai reunir Paralamas e CALYPSO! Ok, essa eu vou precisar ver.


*E antes que qualquer um diga algo, não recebi nada pra falar sobre o Estúdio. É uma opinião espontânea gerada pelo contentamento diante de uma ação genial e produtiva. Ah, e eu só fui realmente conferir o resultado da mistura depois que a @flaviadurante, o @hectorlima e a @lulualencar deram a dica no Twitter.

August 11th, 2008 | 4 Comments

Silvio Santos entrevista Maísa, a criança-prodígio do Sábado Animado

Existe um marco na história das crianças hiperativas-superdotadas. Podemos definir esse marco como A.M. e P.M., ou Antes de Maísa e Depois de Maísa. Sim, porque existem dois tipos de crianças prodígio:

No primeiro tipo, se encaixam Sandy & Junior (quando eram crianças, óbvio), Jordy, Menina Pastora Doida, Danny Boy (o sósia mirim do Gugu, lembram?), Mallu Magalhães e essas figuras.

No segundo tipo, eu só encaixaria a Maísa e o Halley Joel Osment (porque ele vê gente morta, e só por isso).

A Maísa é um fenômeno de crítica e de público. Há quem ame e há quem odeie. Ela é uma criança de 5 anos que emite opiniões abalizadas sobre moda, comportamento, alcoolismo, finanças e religião. Há quem defenda que a menina é um pequeno gênio, uma graça, toda fofa. E há quem ache que um adulto preso no corpo de uma criança de cinco anos não é algo fora do domínio do bizarro.

As duas correntes se digladiam nos comentários dos vídeos sobre a Maísa, mas os grupos hão de concordar em uma coisa:

A menina é engraçada pra cacete. Ela provavelmente é treinada pra isso, o que é assustador. Mas engraçado.

No último domingo, Maísa foi entrevistada pelo Sílvio em um daqueles programas de fim de noite dele. Na entrevista, ela contou como se sente em relação ao seu pai e o álcool (’Eu fiz um trato com ele: ele não pode beber pinga. Nem cachaça’), conta o quanto almeja ganhar no SBT (’Queria uns 200 paus’) e tira uma onda com a cara do Sílvio quando ele pronuncia ‘Óvo’, e não ‘Ôvo’. Vou reforçar: é imperdível. Abaixo, as duas partes da entrevista:

Nesses vídeos, Maísa expressa toda sua religiosidade. Observem a expressão de êxtase na qual a face da garota se contrai quando Sílvio pergunta o que ela pediria a Deus se encontrasse O Homem andando pela rua:

‘Deus, me dá sua paciência, me dá sua calma…’

Foi isso que ela pediu. E não pode demonstrar mais sabedoria - ela já tem consciência que precisa ficar um pouco mais calma depois de ter engolido um vidro de anfetaminas.

Destaque também para os trajes de Maísa, que reforçam ainda mais sua espiritualidade: esse vestido foi inspirado na coleção verão de Assinoê e Alibera. Divino, se me permitem o trocadilho. (E a piada é do C.A. Monteiro, o cara que continua rodando)

August 6th, 2008 | 8 Comments

Para que será que serve o Ministério da Pesca?

Hoje a Nina, que trabalha comigo, tocou numa questão que sempre me intrigou e sobre a qual eu resolvi falar aqui.

Eu sempre achei muito engraçado esse negócio de Ministério da Pesca. Para começar, qual a utilidade de um ministério da pesca? Ele dá incentivos fiscais pra criadores de minhocas e para fábricas de iscas artificiais? Cede verba para o Pesca & Companhia? Fiscaliza e dá alvará de funcionamento para Pesque & Pague? Promove torneios de pesca?

Torneio Pesca & Companhia

Apoio: Ministério da Pesca

E o mascote do ministério da pesca? Ninguém melhor do que…

Chico Bento
Chico Bento, o grande mestre da pescaria em quadrinhos

E considerando que o Ministro de um setor deve ser uma autoridade na área, alguém que saiba muito bem com o que está lidando, seria o Ministro da Pesca o melhor pescador que esse Brasil de meldels já viu? E o mais importante: como comprovar isso, já que todo pescador é um contador de histórias em potencial(não deixa de ser o caso do nosso ministro, Altemir Gregolin, acusado de envolvimento no escândalo dos cartões corporativos)?

A questão mais intrigante fica por conta do maior ditado popular envolvendo pesca: ‘A pesca é inimiga da perfeição’. Não, não é esse. RÁ!

É ‘Tá nervoso? Vá pescar!’ É até tema de música sertaneja, vejam só. E se esse negócio de que pescar relaxa é verdade, seria então o Ministro da Pesca o cara mais zen do mundo? Pra ser Ministro da Pesca, você precisa ser alguém calmo e controlado? Ou melhor, um dos caras mais calmos e controlados DO PAÍS (afinal, você é o Ministro).

O mais peculiar são os comentários sobre a criação efetiva de um Ministério (porque a Pesca não é uma pasta propriamente, é uma Secretaria Especial, embora o Gregolin tenha status de ministro e a secretaria seja comumente chamada de ‘Ministério’ pela imprensa, para facilitar). Nesta matéria, do Terra, você confere a valiosa opinião de Itamar de Paiva Rocha, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de CAMARÃO, sem contar as palavras de apoio do ilustríssimo presidente Associação Brasileira dos Criadores de Organismos Aquáticos (Abracoa).

Se nós temos uma associação brasileira de criadores de camarões e outra de organismos aquáticos (me pergunto se o pato de borracha é considerado um organismo aquático. Não sei, criadores de organismos aquáticos me parece tão abrangente), um Ministério da Pesca não é lá grande coisa. Grande coisa seria se tivéssemos um Ministério dos Passos Engraçados, uma tradução livre do Ministry of Silly Walks. O quê? Vai dizer que você nunca ouviu falar disso? Dá o play aí, então:

Clique aqui para encontrar outros esquetes do Monty Python.

July 25th, 2008 | 3 Comments

TOP 5: programas de TV que não fazem nenhum sentido

A TV mente. De maneira extraordinariamente surpreendente, o único meio de comunicação que seria, em tese, inquestionável - já que trabalha com o que se pode ver e ninguém duvida daquilo que vê com os próprios olhos - é o mais fake de todos.

A TV é ruim. A produção televisiva de canal aberto é relativamente fraca, pobre, literalmente risível dado os absurdos que a gente vê. Alguns canais são tão toscos que vira tudo um grande bloco de programa humorístico não-intencional.

Acontece o seguinte: não sei se vocês já perceberam, mas alguns programas simplesmente não fazem sentido. Algumas produções de TV, apesar de supostamente tratarem da realidade, partem de uma premissa totalmente absurda. E ninguém fala disso.

Vamos conhecer agora os 5 programas de TV que, descaradamente não fazem nenhum sentido (mas ninguém fala nada sobre isso e todo mundo finge que tá tudo OK):

5. O Jogador (Record), Nada Além da Verdade (SBT) e qualquer jogo de perguntas e respostas cujos participantes são artistas

britto junior e ana hickman
Oi.

Vamos dividir a sociedade em dois times:

- Time das pessoas anônimas;
- Time das pessoas que trabalham na TV;

Na nossa competição, ganha a equipe com o maior capital de dinheiro acumulado. Você sabe a resposta?
Ok, ignorem as variáveis e sejam práticos: atores de novelas, cantores, apresentadores - essas pessoas ganham dinheiro. Muito. E se não muito, é bem mais que você.
Então não faz sentido nenhum colocá-las em um programa de perguntas e respostas pra que eles possam ganhar ainda mais dinheiro, eletrodomésticos e outras coisas. Não faz nenhum sentido, já que elas poderiam facilmente comprar todas essas coisas com O DINHEIRO QUE JÁ GANHAM TRABALHANDO.
Como costuma dizer meu pai, o mundo está tão de ponta-cabeça que as pessoas que têm grana são as que ganham coisas de graça e não pagam pra entrar nos lugares, o que também não faz nenhum sentido.
Mas eles são artistas, a gente vai lá, assiste, torce por eles e beleza. É nóis.

4. Quebra-galho (MTV)

Esse programa é um mezzo-reality-show mezzo-programa-descolado da MTV. Funciona assim: vai um fulano lá e diz que quer alguma coisa. Varia; tem o cara que quer andar de skate, o que quer ser emo, o que quer fazer uma reforma no apê… a proposta da MTV é escalar um ‘especialista’ naquela coisa, e dar 50 reais pro fulano aspirante a algo conseguir o que ele quiser.

Até aí, beleza. Mas quem já viu sabe que ESSA-PORRA-NÃO-FUNCIONA. Todas soluções encontradas em todos os programas custam bem mais de 50 reais, mas aí vai o tal especialista lá e diz que conseguiu que o dono do estabelecimento vendesse coisas por 1/18 do preço original. Todos sorriem, talvez celebrando a sorte e o bom coração desse comerciante, e os espectadores vibram. Além disso, quase nunca a pessoa realmente se torna (na vida real, pra sempre) aquilo a que havia se proposto. Por coincidências, tive oportunidade de conhecer três infelizes que se submeteram à suposta transformação. Nenhum dos três logrou sucesso ou estendeu a tal ‘mudança’ pro dia-a-dia. Quebra-galho? Pffff.

3. Casos de Família com Regina Volpato (SBT)

Ah, o grande clássico das tardes entediadas. Como não mencionar as discussões enriquecedoras da televisão brasileira, que esmiuçaram temas de interesse da humanidade, como ‘minha mãe transformou nossa casa num lixão‘, ‘minha família não aceita meu estilo‘, ‘eu não agüento as piadas do meu sogro‘, entre outros grandes questionamentos.

Importantíssimo destacar a desenvoltura e simpatia da apresentadora Regina Volpato, que se envolve de corpo, alma e coração nos dramas e dilemas dessa gente sofrida que vai ao programa em busca de solução. Olha só, encontrei inclusive um vídeo comovente, homanegeando a sabedoria dessa grande profissional, feito pelo fã-clube de Regina Volpato (PUTA MERDA, CLICA QUE EU NÃO TÔ ZUANDO!)

Ok. Não tá óbvio PRA TODO MUNDO que eles recebem cada um 15 contos pra mentir nesse programa?


Na mesma linha, programa Márcia Goldschmidt, com um dos meus temas preferidos: “Mulher pede ajuda: ‘meu marido não toma banho!’”

2. Malhação

malhação 1996 logoComecemos analisando o nome da novelinha. ‘Malhação’ iniciou como uma série cuja trama se passava em uma academia. O Vídeo Show nos ajuda a relembrar no vídeo aí embaixo. Ah, como o Mocotó aprontava (e pesava 40 quilos a menos).

De alguma maneira alquímica, Malhação se transformou numa novela que não tem nada a ver com Malhação. Não. Se passa numa escola.  E não tem nada de academia. Sinto falta de cantarolar ‘ainda vai levar um tempo / pra curar o que feriu por dentro…’

Tirando isso, a Malhação é o retrato mais inverossímil possível da juventude brasileira, mas a mesma juventude continua dando audiência pra essa novela. Mas o motivo é óbvio: eles querem que os pais fiquem pensando que eles não usam drogas, não matam aula pra tomar cerveja (e só tomam suco, isso depois que o sinal bate) e são maduros como alguém de 25, mesmo tendo 16. Para isso, fingem se identificar com um programa que une todas essas características. Brilhante! Sem contar os alunos que passam 6 anos no ensino-médio, os vilões e mocinhos, as armações estudantis e todo o resto.


Mocotó saiu da Malhação, acabou com 50 quilos a mais. RÁ! Got it?

1. Domingão do Faustão
Eu não preciso explicar, né? Um tio sem graça que interrompe os entrevistados o tempo todo, globais comendo pizza e gente empilhando cadeiras no queixo em até 30 segundos. O líder de audiência do show de horrores da TV de domingo tem um dos maiores salários da televisão brasileira: mais de R$1 milhão de reais por mês. OLÔCO, MEU! BRINCADÊRA! Sem contar que o Domingão do Faustão guarda o maior enigma da TV do país, um tema que é até tabu, já que todo mundo já vIu tanto que nem nota a estranheza da cena: QUEM, EM NOME DE DEUS, SÃO AQUELAS PESSOAS CUJOS NOMES ELE LÊ NO PAPELZINHO ANTES DAS CASSETADAS? E PORQUÊ ELE FAZ ISSO?

faustão
Ih. Boa pergunta!

July 4th, 2008 | 15 Comments

Acredite nos seus sonhos, um efeito Lua de Cristal

Divida o mundo em dois grupos: os vencedores e os perdedores. Agora, escolha um vencedor. Fica a seu critério. Pode ser esse:

Diego Alemão vencedor
Diego Alemão, campeão do BBB

Ou esse:

Stefano Albini campeão
Stefano Albini, campeão olímpico

Pode ser até esse:

Frentista Campeão
Ô, campeão, dá pra dar uma olhada no óleo?

E dirija a ele a pergunta fundamental: “Que conselho você daria para aqueles que querem chegar onde você chegou?”

Quando a gente pergunta isso pra um vencedor, a gente se recolhe do outro lado do mundo, o dos perdedores, e assume que gostaria de saber como fazer pra chegar do lado legal, onde as pessoas vencem, são bonitas, sonham com coisas divertidas e têm penteados perenes.

Mas o vencedor é humilde. O vencedor veio de baixo, aprendeu com as adversidades da vida. O vencedor não é mesquinho. Nenhum vencedor vai dizer que foi fácil chegar ali. Eles nunca vão dizer que foi sorte, ou que o pai é amigo do dono da emissora. Não. E ele vai responder sua pergunta, com o brilho vencedor no olhar que só um vencedor tem:

“A minha mensagem é: nunca desista dos seus sonhos. Porquê um dia você chega lá, e eu sou a maior prova disso.”

O vencedor se coloca como exemplo para os perdedores que querem galgar posições na hierarquia do mundo. O que o vencedor não percebe é que, estatisticamente, o fato de ele ter vencido diminui as chances de vencer dos perdedores. Ele ter vencido então é, na realidade, a maior prova de que na maioria das vezes o resto das pessoas não vai vencer, não.

Parece que eu tô desiludida, mas não é isso. É só que não tem essa de acreditar nos seus sonhos. Ao contrário do que prega O Segredo (ops, contei), infelizmente, acreditar não basta. E todo a idéia surgiu é porque eu não aguento mais ouvir gente chata e bem sucedida dizendo pra eu acreditar nos meus sonhos. Ouço isso desde Lua de Cristal, quando o Sérgio Mallandro entrou no túnel numa lambretta e saiu num cavalo branco - na boa, não importa o quanto eu acredite no meu sonho, o Sérgio Mallandro NUNCA vai me resgatar e ainda sofrer uma metamorfose sofisticada de meio de transporte no meio do caminho. Ele gritava “MARIA! MARIIIIIA! CADÊ A MARIA?!”, e tinham as paquitas… ah.

Não vou acreditar em nada. Vou é duvidar dos meus sonhos. Quem sabe, eles não topam o desafio e resolvem me provar alguma coisa? Psicologia reversa is the new black.

May 6th, 2008 | 6 Comments

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