Criança, a alma do negócio

Mais um da série ‘fim do mundo’, bem assustador.

Vi no Descolex.

É apenas o trailer do documentário, mas já dá arrepios.

Protejam seus filhos, sobrinhos, priminhos ou o que seja. Para isso, basta quebrar as TVs e videogames, além de destruir o modem que permite que ele acesse a internet, tirá-lo do convívio social com os amiguinhos da escola e isolá-lo completamente do mundo moderno. Se ele sobreviver vai precisar de terapia, mas as chances que se aliene desde cedo são menores. Boa sorte!

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November 28th, 2008 | 2 Comentários

Calendário com fotos de padres bonitões é lançado em Roma

Eu sou uma espécie de mendigo barbudo locão hollywoodiano, que sempre aparece nos filmes para anunciar o fim do mundo. Mas em vez de plaquinhas, eu uso meu blog. Então, sempre que eu escrever um post que na minha opinião é mais uma prova de que estamos chegando à derrocada desse mundo muito doido, vou usar a ilustração acima.

Bom. É que aconteceu uma outra coisa que para mim denota a aproximação do fim do mundo como conhecemos (and I feel fine).

Gostaria de esclarecer, neste momento, que quando me refiro ao tal ‘fim do mundo’ (o que não é incomum nesse blog), falo de uma crença minha (mais um feeling, na verdade) de que se aproxima o fim dessa era de absurdos e abusos incontáveis. Não é o fim físico do mundo, com fogo e destruição.

Como em outras vezes, vou deixar a manchete do Ego dar o tom. Só que essa é meio chocante e parece fake, então já mando o link antes.

Quis reforçar.

A Igreja lançou um calendário com padres supostamente bonitos, embora eu esteja certa de que esse da direita não passa de um ator pornô de bata.

EDITADO: isso que dá confiar no EGO. O calendário não é oficial do Vaticano, embora a instituição não se oponha - até porque se esse fosse o caso, não permitiria que seus padres fotografassem para a parada. Creio que seja o tipo de coisa que a Igreja permite hipocritamente, porque é publicidade, mas não teria coragem de fazer ela mesma. Ou seja, pela ‘permissão’, ou ‘não-oposição’, a piada continua. Agradeço às informações do comentário do Vinicius, que me permitiram Googlar e descobrir que eu falei merda. Vivendo e aprendendo. Aliás, segue link do Pedro Dória que comenta o ‘boato’.

A melhor parte é que o Vaticano diz que o objetivo do calendário é LEVAR INFORMAÇÃO SOBRE A SANTA SÉ. Claro que um calendário cheio de DATAS e FOTOS é um meio ultra eficaz de informação. Aliás, não dá pra entender como os grandes jornais ainda não adotaram esse formato inovador e vanguardista de levar informação ao leitor - calendários com fotos de homens e mulheres bonitos que não têm objetivo de ‘instigar desejos pecaminosos’.

Engraçado que padre véio e feio não tem vez no calendário. Será que eles não passam informação tão bem? Pobres homens de deus.

A igreja está assustada com a onda da ‘fé evangélica’ a ponto de tentar atrair fiéis, mulheres, com um apelo baixo desse? Porque se for isso mesmo, já podemos esperar o Padre Marcelo na Revista G de fevereiro.

Amém!

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November 28th, 2008 | 12 Comentários

Eu quero é sossego

Uma vez, a minha tia disse que ia me ensinar um truque para fazer o tempo passar mais devagar ou mais rápido. Eu tinha que me concentrar, estender as mãos (uma de frente para a outra) e imaginar que o tempo estava entre as duas palmas. Daí, quando eu sentisse o tempo ali (é, a idéia é que eventualmente eu sentiria o tempo, seja lá o que isso signifique), eu deveria aproximar ou afastar as mãos para comprimir ou expandir o tempo.

Nunca deu certo (você está me imaginando tentando isso?), então tive que pensar em outras técnicas para conseguir tempo livre. Afinal, eu durmo oito horas por noite (por necessidade), trabalho mais oito, passo três dentro do trem… sobram cinco. Meia hora para tomar banho (acredite se quiser!), três horas e meia na faculdade, daí sobra uma hora. Pra viver, assim.

Se eu, aos 20 anos, tenho só uma hora de tempo livre por dia para estudar, me divertir, ver minha família, meus amigos… o que será de mim aos 40?

Mesmo considerando a anulação do horário de estudo, me sobrariam aí apenas 4 horas e meia por dia para fazer todas as coisas que dizem respeito a mim e a minha vida, incluindo lazer, hobbies, viajar, ter amigos e família, descansar, ler e todas essas coisas bestas, que acabaram se tornando supérfluas na vida moderna, mas que são elas mesmas a vida. A gente só se esqueceu que viver é isso, acho.

E foi daí que eu conclui que tem algo errado na maneira como a gente leva a vida.

Todo mundo brada aos sete ventos que o trabalho dignifica o homem e eu não estou contestando a capacidade ‘edificadora’ de caráter que o trabalho pode ter. Mas nós não fomos feitos para trabalhar tanto, por tanto tempo. Há uma vida para ser vivida fora do trabalho. E não é justo ter que trabalhar 35 anos para então se aposentar com qualidade de vida péssima e não ter saúde nem disposição nem todas as outras coisas para viver a vida que você não pode viver aos 20, porque estava trabalhando.

Por isso que eu odeio quando digo que estou trabalhando demais e algum retruca ‘ah, que bom, ruim é se não tivesse trabalhando, né?’. Ruim o cacete. Quem é que gosta de trabalhar? Ou melhor, quem é que, entre trabalhar e viajar, escolheria trabalhar?

Claro que você pode minimizar os danos da labuta escolhendo fazer algo que gosta, mas ainda assim em 90% das vezes você estará sendo submetido a milhares de outras regras e obrigações, ainda que faça o que você gosta. OK, eu faço o que eu gosto, mas preferiria fazer por duas horas do dia, e não por oito.

Natural que o conceito de trabalho tenha sido subvertido. Se antes ele era o meio pelo qual o ser humano descolava o que precisava para sobreviver, para ele e para a tribo - nada além disso - hoje é ferramenta de aquisição de lucros, lucros, lucros. E como lucro nunca é demais, trabalho também não é.

Estamos tão imersos na cultura ao deus-trabalho que a merda contestação dessa imersão é vista com maus olhos. Mas qual o real problema em querer trabalhar menos? Por que isso é tão horrível, denota tanta fraqueza e falta de caráter?

Uma vez, eu li um artigo de uma pesquisadora que dizia que a economia mundial não seria afetada caso a carga horária média do trabalhador fosse reduzida para pouco mais da metade do que é hoje. Óbvio que não encontrei a tese de novo para linkar aqui: ELES devem ter providenciado o sumiço absoluto desse material para todo o sempre. Pode ser perigoso deixar manuscritos altamente subversivos a solta por aí.

No Manifesto Contra o Trabalho (texto cuja leitura eu recomendo fortemente), de um grupo alemão chamado Krisis, a citação final é uma frase que sintetiza aquilo no que o trabalho se tornou:

“Nossa vida é o assassinato pelo trabalho,durante sessenta anos ficamos enforcados e estrebuchando na corda, mas não a cortamos.”  (Georg Büchner – A Morte de Danton, 1835).

Não entendo nada sobre o sentido da vida. Não sei por que estamos aqui. Mas sei porque não estamos: para trabalhar mais do que viver.

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November 27th, 2008 | 9 Comentários

On the road again - piratas e rapel em Bariloche

Nunca comentei aqui, mas nenhum dos meus planos para o futuro (próximo, leia-se) envolver qualquer coisa no Brasil. Desde pequena eu soube que meu lugar não era aqui (ok, isso eu já disse), mas aos 17 mais ou menos decidi que viajaria o mundo em um mochilão depois que terminasse a faculdade, sem destino certo ou tempo de viagem pré-determinado.

Não é bem um ‘plano’, acho que usei a palavra errada. É simplesmente uma certeza. É algo que eu quero há tanto tempo que eu sei que minha vida vai acabar convergendo para isso, cedo ou tarde.

Por esse motivo, sou fascinada por relatos e registros de viagens por lugares legais, diferentes do circuito turístico ‘padrão’, que envolve conhecer museus, galerias de arte e pontos históricos. Não que não seja legal fazer ‘turismo’, mas meu objetivo sempre teve mais a ver com conhecer a sociedade e a natureza dos lugares que eu quero visitar.

É por isso que vou divulgar por aqui, durante os próximos meses (até fevereiro), duas vezes por semana, o projeto da Chevrolet/GM e da NatGeo que se chama On The Road Again. No programa, 6 blogueiros da América Latina viajam em 6 carros para destinos turísticos de seus países acompanhados por uma equipe do NatGeo. Nesses lugares, os vídeos (que estão sendo publicados no canal oficial), as fotos e os relatos do grupo acabam compondo uma espécie de reality show, mas que é divulgado por ferramentas de mídias sociais.

O cara da vez é um argentino chamado Fabio, o responsável por esse blog aqui: http://www.fabio.com.ar/
(Atentem para o fato de que o cara, como um bom argentino, tem um blog com o nome dele). O Fabio foi para Bariloche nesse mês e está passando por coisas que a gente gostaria de passar numa viagem radical, tipo tirolesa, caiaques, rapel e essas coisas <malhação>iradas</malhação>. É toda a diversão de Brotas, mas é claro, com neve, o glamour argentino e um Jack Sparrow dos trópicos (sim, ele encontrou um pirata!?!):

Precisa manjar um pouco de espanhol (mas quem não lê espanhol?), mas aqui o Fabio relata um pouco do que acontece por lá.

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November 26th, 2008 | 2 Comentários

Um pequeno lapso de solidariedade

Embora eu me considere na essência uma realista, alguns me chamariam de pessimista. Eu não acredito na bondade do ser humano. Não acredito que o mundo tem jeito. E não pude conter minha surpresa diante da notícia que a solidariedade de desconhecidos havia salvado um estranho na tarde desta segunda.

Assisti à matéria na terça, no SPTV, e apesar de reconhecer que quase todo bom herói do cotidiano busca a auto-promoção (ou senão não teria dado entrevistas à TV com aquele brilho no olhar de ‘eu salvei um cara’), há de se reconhecer que as pessoas agiram com solidariedade e bravura pouco vistas numa cidade tão maluca quanto São Paulo.

Fiquei emocionada (eu sempre choro com essas coisas, sou uma besta) e comecei a questionar o julgamento que eu costumo fazer das pessoas comuns. Poxa - tanta gente diferente junto, gente que normalmente a gente veria se xingando no trânsito, motoboys e motoristas de taxi, passageiros, pedestres - se unindo para impedir que uma pessoa numa situação extrema morresse. Se arriscando até, de certa forma, já que estava todo mundo no meio da enchente, com água na canela, para tirar alguém de dentro da água (e aparecer um pouquinho na TV, mas ok, isso eu posso perdoar).

Então o mundo tinha jeito. Não era nada daquilo que eu estava pensando. As coisas não estavam tão perdidas.

Mas aí, no fim da matéria, o Chico Pinheiro chamou o link no qual a repórter disse que, apesar de todas as manifestações fantásticas de solidariedade, a enfermeira que fez os primeiros-socorros em um dos rapazes que caiu na água voltou para o carro e não encontrou sua bolsa lá.

Respirei aliviada. Parece que o mundo estava voltando ao normal.

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November 26th, 2008 | 4 Comentários

10 coisas para tirar a (minha) vida do tédio

Minha vida tá parada. Morna. Correta. Eu acordo, às vezes vou na faculdade, vou para o trabalho, chego às 23h30, leio meus feeds, durmo, acordo, às vezes vou na faculdade… é um ciclo sem fim. Quando tô de saco cheio, não dá para pensar ‘acabou o dia’, porque no dia seguinte recomeça tudo de novo. Não dá para pensar ‘o fim de semana tá aí’, porque logo o fim de semana acaba, eu não faço nada de diferente nele e vem a segunda.

(Breve pausa para falar da segunda)

A segunda é o dia mais desesperançoso da semana. A segunda é um dia cruel. Te tira da alegria daquele oásis que são o sábado e domingo no meio dos áridos dias úteis e te joga no meio do panela fervendo. Você não tem opção senão voltar pro tédio. Isso é o que a segunda representa para mim.

(Fim da breve pausa)

A falta de acontecimentos ligeiramente interessantes têm sido inclusive um problema aqui no blog, já que se nada acontece na minha vida, não há sobre o que escrever.

É por isso que eu tenho pensado em certas coisas para sair dessa rotina chata. Essa lista não foi pensada à força, todas as coisas realmente passaram pela minha cabeça de um jeito ou de outro nas últimas duas semanas. Não vou conseguir colocar a maioria em prática, mas não deixa de ser um conselho útil para alguém que está disposto a um pouco de aventura.  Viver é preciso. E eu estou lendo Hunter Thompson, o que me faz ter vontade de jogar tudo para o alto.

Ler Hunter Thompson

Não, esse não é o Gracindo Junior

O cara é um gênio da porra-louquice. É bom para te incentivar a fazer qualquer uma das coisas sugeridas aqui, ou seja, antes de qualquer coisa, leia Hunter Thompson.

Ter e executar uma idéia simples e revolucionária

Acho que isso é o tipo de coisa que pode te tirar da rotina. A maioria das pessoas passa a vida inteira sem ter uma idéia revolucionária. E mesmo na parcela da população que as têm, pouquíssima gente as executa. Fique atento aos seus pensamentos mais estúpidos: os grandes gênios da história sempre descobriram as coisas quando estavam pensando em algo totalmente contrário ou absurdo (ou assim os livros querem que a gente pensa, para que a história tenha graça).

Assaltar um banco

Certamente assaltar um banco é algo capaz de causar turbulência em uma vidinha pacata. Mas é ilegal (para alguns, isso faz parte da diversão) e não sei se as possíveis conseqüências valem a adrenalina do momento.

Aprender algo novo realmente legal

Nunca surfei, mas sempre quis aprender. Surfar deve ser uma daquelas coisas unânimes, não deve existir quem tenha surfado e dito: pô, isso é uma merda, nunca mais vou surfar. Nunca é tarde para aprender. Andar de skate é outra opção mais prática, pois dispensa a necessidade de litoral e de roupas de neoprene ridículas. Outra coisa que seria legal aprender é eletrônica - seria capaz de fazer todos aqueles mods nos meus gadgets. Ou fotografia. Criptografia! Sempre quis aprender criptografia. Gastronomia…

Viajar para um lugar muito louco

Por ‘muito louco’, digo um lugar daqueles que as pessoas dizem que são ‘misteriosos’. Tipo a Índia, ou Macchu Picchu. Ou conhecer templos de Monges Tibetanos. Coisas realmente diferentes, não ir para a praia no feriadão. Eu estive tentando organizar uma viagem de quatro dias, na véspera do Natal, para São Tomé das Letras, em MG, mas tem estado tão difícil convencer as pessoas que eu estou considerando ir no esquema mochilão-solitário. Já é um aquecimento para o futuro.

Se mudar

Po, não tenho dinheiro, mas me mudar seria algo realmente diferente. Durante meses eu ia ocupar minha cabeça com as coisas de uma nova casa, fora as outras possibilidades que morar sozinha traria (e dificuldades, também). Daria para ocupar a cabeça por um tempão.

Fazer um pacto com o diabo

Não sei, mas seja lá o que isso signifique, provavelmente agitaria a minha vida por um tempo. O problema é que eu me canso logo das coisas, e parece que com o diabo não há rescisão de contrato. Quer dizer, até há, mas a multa é complicada. Mesmo assim, se alguém tiver interesse

Cancelar todos seus velhos amigos e arranjar novos

Se a sua vida está um tédio, formate-a. Apague todo mundo que é possível dela e troque todo mundo por gente nova. E o mais sensato é começar pelas pessoas que você conhece.

É brincadeira, gente. Tamo junto.

Entrar para uma sociedade secreta

As sociedades secretas tão aí, cara. Não olhe para trás, você pode se deparar com um membro delas. E participar de uma deve, pelo menos, prover segredos interessantes sobre coisas importantes para alguém que está fundamentalmente em busca de sentidos. Por isso, faço um apelo: me convidem, sociedades secretas.

Sabotar seu cartão de passes de ônibus

karreganakatraka

Mas olha, no fim das contas, a vida é bem menos glamurosa. Eu pedi uma quebra de rotina e foi isso que eu ganhei: meu Bilhete Único pifou do nada e agora eu vou ter que acordar cedo e ir até a SPTrans, pegar uma fila dos infernos, para ter meu cartão trocado. Isso não acontece com freqüência. É, sem dúvidas, uma quebra da rotina. Obrigada, universo. Você conspirou a meu favor.

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November 25th, 2008 | 9 Comentários

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